segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Yoga para todos

São vários os caminhos do Yoga. Segundo o sábio Patanjali, há uma prática de Yoga adequada a cada tipo humano.

No Bhagavad Gita (talvez o mais famoso texto hinduísta), em seus dezoito capítulos, são feitas referências aos vários tipos de Yoga. Então, por exemplo, para as pessoas ativas, bastante trabalhadoras, o mais adequado é o Karma Yoga. É o Yoga da ação, mas desinteressado dos resultados dessa ação. Faz-se algo porque é preciso que seja feito. Já a pessoa de natureza devocional vai ter mais afinidade com o Bhakti Yoga. Essas pessoas dedicam-se a trabalhos religiosos, à divindade. Os devotos Hare Krishna são exemplos desse grupo de pessoas.

Há também aqueles que buscam o caminho do conhecimento, do discernimento. Trata-se do Jñaña Yoga, o Yoga do Discernimento. Há quem chame de Yoga Real, ou Radja Yoga. A diferença é que no Yoga do Discernimento, o praticante usa a capacidade mental – a lógica, a dedução e a inferência; no Radja Yoga, por outro lado, vai-se além do conhecimento que se obtém pela saturação da informação para chegar ao estágio de “insight”. Por meio da meditação e do “insight”, o praticante pode ir além do conhecimento escrito.

Na Índia, os praticantes do Yoga do Discernimento dedicam-se ao estudo do Vedanta, última parte dos Vedas. São os principais textos sagrados, que tratam dos grandes temas filosóficos, transmitidos ao longo dos anos, desde a tradição oral pelos brâmanes.

O Hatha Yoga é uma expressão bem mais recente. Surgiu por volta do século XIV da era cristã. Coincide com uma época de redescoberta do corpo como território sagrado a ser cultivado, a ser tratado e não como no período anterior, em que o corpo era visto como um fardo. No Hatha Yoga há um grande respeito pelo corpo. “Hatha”, literalmente Sol e Lua, é uma alusão à junção dos poderes solar e lunar, uma alegoria das energias de natureza masculina e feminina presentes em todos nós.

O texto tradicional do Hatha Yoga, o Hatha Yoga Pradípika – que inclusive foi traduzido recentemente pelo yogui Pedro Kupfer – faz referência direta ao conhecimento transmitido pelo sábio Patanjali de que o propósito em Yoga é serenar a mente, compreender a realidade e ter uma atitude de plena atenção na vida. Então, o objetivo é cultivarmos o nosso corpo para que este não nos exija atenção além do habitual, porque senão ficaremos apenas cuidando dele e não realizaremos a plenitude da nossa vida.

No Hatha Yoga Pradípika também são ensinadas algumas posturas. As posturas básicas têm o propósito de permitir que o praticante possa ficar sentado em posição ereta durante horas, para se dedicar ao Jnaña Yoga ou ao Radja Yoga. Algo muito desafiador para qualquer pessoa, mesmo para um indiano tradicional.

Patanjali também afirma, conforme a escola filosófica Samkhya, que nós somos variações de três qualidades básicas: a densidade (“Tamas”), a sutileza (“Sattva”) e a transformação de um para o outro (“Rajas”). Como todos nós somos um movimento constante dessas três qualidades, ora pode haver a predominância de uma, ora de outra. Então, a cada circunstância do dia podemos estar mais propensos a uma prática devocional, de ação, de estudo ou de meditação.

O importante é cada um de nós ficar atento e fazer aquilo que é mais adequado a si mesmo, conforme as circunstâncias.

Thadeu Martins