quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Palestra: liderança essencial

O tema que será tratado hoje é o modo como nós exercemos algum papel de liderança (seja em casa, na família, no trabalho, ou até conosco mesmos, quando estamos sozinhos ou acompanhados). Nós podemos olhar para certas questões relacionadas ao exercício da liderança e criar um modo de pensar que esteja presente durante o trabalho de planejamento que se vai fazer.







terça-feira, 26 de agosto de 2008

Sintonize em Samadhi e curta até insônia

Nós tomamos decisões emocionalmente. Fazendo um paralelo com o Yoga, grande parte da prática yogue está focalizada nas emoções. Já que somos tão emocionais, é interessante haver um método que focalize as emoções de modo bastante atento, criando pré-condições ou condições para que cada um de nós vivencie as suas emoções, ao mesmo tempo em que se habitue a distanciar-se delas.

Isso é fundamental para não ficarmos o tempo todo sintonizados numa só “freqüência emocional”, como quando ouvimos um mantra. Aliás, o mantra tem o efeito inverso: esvazia as emoções. Nós nos colocamos numa única freqüência e vamos nos desligando de quaisquer emoções que possam ficar brotando.

Na época em que o sábio Patanjali escreveu o Yoga Sutra, e antes mesmo dele, com os recursos de compreensão da mente que se tinha até então, já se falava que toda ação implica um resultado que cada um de nós percebe. Ao percebermos o resultado, nós reagimos, pois atribuímos ao resultado um significado, que por sua vez também está associado a uma emoção. Nós seguimos agindo, provocando, percebendo e memorizando os resultados. Esse ciclo vai se repetindo numa freqüência extraordinária ao longo de nossa vida.

Patanjali afirma que algumas dessas lembranças afloram em forma de pensamentos ou como algo, que nem pensamento é, e que essas manifestações provocam em nós ações. Então, vamos criando um verdadeiro filme na mente, em que uma lembrança vai puxando outra e mais outra. Daí a pouco, estamos resolvendo problemas que ainda nem aconteceram, mas que criamos nesse filme que projetamos. Isso acontece o dia todo. Nas mais diversas situações, somos tomados por essas reminiscências e embarcamos nelas. Há pessoas que sofrem muito com isso, pois as lembranças as mobilizam de uma forma negativa; elas entram num surto depressivo, em que ficam com mania de perseguição, pois tudo lembra uma situação em que foram perseguidas, oprimidas, e a emoção vem à tona.

Num momento de crise, nossa tendência sempre é voltar para um terreno seguro. Vamos até certo ponto e, quando nos sentimos ameaçados, recuamos para as lembranças de segurança. No cotidiano, nós vivemos fazendo isso. Cada vez que aparece uma grande novidade, nós reagimos. Nós somos assim, trazemos em nós esse comportamento que vem desde a era das cavernas, ou antes. O comportamento defensivo é algo natural em nós. Mas o que pode tornar-se desgastante no cotidiano é nos deixarmos perder por esses fluxos de reminiscências, de pensamentos e ficarmos remoendo. Este é o perigo: desperdiça a vida e nos deixa doentes.

A dica de Patanjali é a seguinte: sempre que um desses pensamentos quiser nos pegar, nós até podemos curti-lo um pouco, para não ficar negando o sofrimento, mas antes que ele se torne uma complicação exagerada, o melhor a fazer é mudar de estação. Imediatamente, lembre-se de algo positivo, entre numa sintonia mais leve, agradável (pegue uma revista de fotografias bonitas, de piadas, cante uma canção amorosa). Assim, será possível analisar com distanciamento o problema: é algo para se trabalhar ou é apenas uma dispersão? Se for algo que já foi superado, o melhor é sair da sintonia.

Patanjali enfatiza que um dos caminhos para se meditar, para se entrar no estado mental que os indianos chamam de Samadhi, que é um estado de não-identificação, é cultivar lembranças agradáveis, pensamentos positivos, ficar em paz. Então, antes de dormir, em vez de assistir ao noticiário, cultive o bom astral e crie um clima agradável. Entregue-se, relaxe, ouça uma música suave, feche os olhos e apenas aproveite. Se barulhos aparecerem, incorpore-os aos outros sons ambientes, sinta a que distância eles estão de você, sem se preocupar em julgá-los. Você já estará num estado próximo ao Samadhi, principalmente se você se mantiver consciente. Os yogues acreditam que melhor do que dormir profundamente é dormir profundamente de modo consciente. Eis um grande desafio, saber que está sonhando e monitorar os sonhos, como se estivesse dentro de um cinema. Para conseguir esse estado, diga antes de deitar-se, ou enquanto vai relaxando os músculos do seu corpo, respirando numa cadência tranqüila: “vou ficar consciente durante o meu sonho”. E vá praticando todas as noites; é uma boa forma de ir fazendo Yoga.

Um segredo é usar a capacidade imaginativa para criar situações positivas. Lembre-se que qualquer emoção que temos é reforçada, de modo físico, pelo nosso cérebro. O hipotálamo cria neuropeptídeos, que são energia em forma eletroquímica e que são disparados para todo o organismo, reforçando a emoção na qual estamos envolvidos. Todas as células de nosso corpo são atingidas pelos neuropeptídeos. Assim, de modo inconsciente, nós reforçamos as emoções negativas, como fazíamos antes de sermos racionais, há milhares de anos. Mas, com a evolução humana (lembra do homo sapiens?), formamos um cérebro intelectual, que se acrescentou ao antigo cérebro réptil - onde o hipotálamo reforça as emoções. Isso nos permite sair das armadilhas. Para tanto, valem todos os artifícios, principalmente o bom humor, que é um poderoso antídoto para curar os problemas no cotidiano.

Podemos mudar a programação do hipotálamo, trocar de sintonia. Um problema como a insônia passa a ser uma oportunidade de ficar consciente e relaxar os músculos, para observar o fluir dos pensamentos, ou das imagens positivas que se podem inventar ou recuperar. Daí vira uma curtição e prosseguimos, num estado de absoluta paz, até o dia amanhecer.
Thadeu Martins