terça-feira, 18 de novembro de 2008

Yogue-se

Yoga é uma estratégia de vida. Por isso, praticar Yoga só tem sentido se fizermos com habitualidade, de preferência todos os dias. Os exercícios são alegorias, artifícios para criarmos uma disciplina.

É um bom hábito, por exemplo, aproveitarmos a hora do banho para praticarmos os exercícios de Yoga. Vamos nos alongando, praticando o que é possível fazer. Escovar os dentes é uma ótima oportunidade para praticar as posturas verticais, perceber as musculaturas, encaixar o abdômen, alinhar-se. Já é o início.

No trabalho, alinhe a coluna vertebral ao sentar-se, mantendo-se sobre os ossos ísquios (aqueles internos às nádegas), para criar uma situação de estabilidade. Respire com a musculatura abdominal expandindo o diafragma, deixando o ar entrar nos pulmões; apóie os cotovelos e os antebraços nos braços da cadeira, sentando-se o mais confortável possível. De vez em quando, alongue o punho e os dedos, levante-se e ande, vá beber um pouco de água. Pisque bastante enquanto lê ou escreve. O ideal é alternar, de vez em quando, o olhar para longe, uma paisagem ou mesmo um espelho. Coloque as mãos em concha sobre os olhos, para relaxar a musculatura ocular.

Antes de dormir, acrescente também a prática de meditação. Feche os olhos e fique ouvindo os sons à sua volta, evitando julgar ou analisar o que está ouvindo. Assim, você vai acentuando o seu sentido de direção e equilíbrio. Perceba a sua respiração tranqüila e vá prosseguindo, lembrando ou criando situações agradáveis em sua mente. Uma das formas de meditar é cultivar um estado positivo da mente; com isso, neutralizamos uma certa tendência à negatividade que desenvolvemos em situações sociais.

Enfim, vá inserindo, ao longo do dia, oportunidades de praticar Yoga, de se sentir presente, consciente. Vá praticando a capacidade de desapego do mundo social, que é uma das atitudes que se estimula em Yoga, e deixe o mundo prosseguir sem a sua interferência pessoal (pelo menos por algum tempo).

Na compreensão do Yoga, viver é incluir quatro atitudes básicas. A primeira é dispor-se a compreender o “Dharma”, a ordem, como as coisas acontecem, onde estamos. Essa ordem pode ser tão macro quanto a ordem universal, ou tão micro quanto a situação objetiva na qual estivermos inseridos num determinado momento.

A segunda atitude está associada ao posicionamento, à tomada de consciência, de perceber onde estamos nessa ordem (Dharma). Em determinadas situações, estamos em tal posição que não dá para nos desapegarmos de nada. Tendo em vista o todo e a posição de cada um nesse todo, é que passamos ao segundo estágio de compreensão, que não é apenas a compreensão do Logos – pelo estudo, pela pergunta e pela resposta – mas passa para Phisis – em que cada um de nós e o todo nos tornamos uma coisa só. É o estágio meditativo, sem dualidade.

A terceira atitude é render-se à realidade, fazer aquilo que é adequado àquela realidade; perceber que não somos onipotentes, embora sejamos capazes de fazer algo. Ficamos atentos e percebemos a ordem, nós nos posicionamos nessa ordem e nos entregamos ao que é possível, adequado. Com isso, vamos desenvolvendo a condição da quarta atitude, que é a autoconfiança, aquela que nos permite ser o que somos em qualquer situação.

Thadeu Martins