quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Yoga no café da manhã

Nós somos muito educados socialmente, para respeitarmos as regras e podermos conviver de forma pacífica. Mas justamente por sermos muito educados, criamos camadas de estresse, de tensão, que nem percebemos. Quando chegamos ao ponto de ter consciência que o estresse aconteceu, ele já criou situações muito negativas para nós, como dores e doenças que surgem como conseqüência de algo que já está no nosso íntimo.

Mas, se ao deitar ou acordar, lembrarmos de alguns dos exercícios de alongamento – como movimentar vagarosamente a cabeça em várias direções –, já teremos a oportunidade de soltar a região da musculatura que mais guarda tensões durante o dia. Do mesmo modo, podemos andar ao banheiro prestando atenção aos nossos movimentos, colocando primeiro os calcanhares no chão e sentindo a planta do pé, até o dedão, pisando corretamente, para aumentarmos a nossa consciência corporal .

No banho, podemos aproveitar para massagear, com movimentos circulares, as articulações e, com descida e subida, as partes longilíneas das pernas e dos braços, vindo das extremidades na direção do coração. Assim, trabalhamos a nossa circulação e orientamos o nosso sistema muscular.

Depois do banho, é um bom momento para fazermos o exercício de Saudação ao Sol, que serve para alongar as costas e aumentar o fluxo de sangue na cabeça e no rosto. Ao escovar os dentes, podemos fazer posturas verticais, colocando os pés bem paralelos, flexionando um pouco as pernas. Essa é uma forma de irmos praticando alguns exercícios, antes que o dia exija demais de nós.

O momento matinal é a hora de nos ligarmos ao nosso corpo. Vamos chamando atenção para nós mesmos. De uma forma simples, exercitamos a presença, a autenticidade, para sermos quem somos antes que o mundo exterior solicite a nossa atuação social.

Há quem prefira exercitar-se à noite, ao voltar do trabalho. O cuidado é para não forçar demais a musculatura nem tracionar os tendões, pois à noite ficamos mais flexíveis, e há o perigo de exagerar nos alongamentos e movimentos. No período noturno, é preferível fazer exercícios mais meditativos e evitar grandes esforços e alongamentos. O exercício surte efeito com o tempo, com a habitualidade, com a repetição cotidiana. Assim, o efeito é cumulativo e gradual, sem exageros. Vamos aos poucos, aumentando a percepção da nossa presença.

Yoga trata basicamente disso, de ser autêntico, ter uma vida plena, integral, feliz, capaz de estabelecer prioridades para lidar com os inúmeros problemas que sempre irão surgir.

É bom lembrar que, em Yoga, os exercícios são alegorias; servem para treinarmos atitudes, para com isso percebermos como o nosso corpo participa dessas atitudes. Basicamente são quatro atitudes: perceber o contexto, meditar, entregar-se e cultivar a autoconfiança.

Fazer Yoga é estar atento a si mesmo e ao contexto. A segunda atitude diz respeito ao saber onde estamos. Na atitude meditativa, levamos a atenção para dentro de nós, abrindo mão do mundo social; vamos ao limiar do espaço-tempo, no qual surgem os “insights” e temos acesso a respostas que estão no inconsciente coletivo. A atitude da entrega, do desapego, da aceitação, é o contrário do esforço. Em Yoga, não nos esforçamos; percebemos o limite e o aceitamos. Já a atitude de autoconfiança está associada aos exercícios em que abrimos os braços, inflamos os pulmões e envergamos o corpo para trás.

Então, durante os exercícios de Yoga, o mais importante é nos concentrarmos nas atitudes, no que estamos fazendo, deixando que o organismo vá só até aonde pode ir.

Thadeu Martins