terça-feira, 21 de abril de 2009

No ritmo da respiração

No livro Yoga Sutra, Patanjali não fala em exercícios ou qualquer atividade física. O que ele sugere mesmo é prestarmos atenção na vida, termos um comportamento social adequado, de modo a sermos incluídos. Se ficarmos à margem, se formos excluídos por alguma razão, enfrentaremos as maiores dificuldades, pois estaremos sozinhos.

Patanjali nos chama atenção que o nosso comportamento social deve ser adequado para que gastemos o mínimo de energia possível. Assim, seremos aceitos e poderemos nos realizar. Se você não tiver um comportamento social adequado, não terá paz, a sua mente não terá sossego, ficará o tempo todo tendo que resolver conflitos.

Mas resolver-se externamente não basta, é preciso se resolver socialmente do lado de dentro, na maneira como lidamos com nossas emoções. Sentimentos negativos, como inveja e cobiça, são absolutamente nefastos do ponto de vista social. Mas só quem pode controlar esses sentimentos é cada um de nós.

Outra atenção importante é a nossa dedicação ao que é necessário, justo, válido. Nós mesmos é que decidimos o quanto e como nos dedicamos ao cultivo da nossa essência, do nosso ser, de relações sociais agradáveis, do bom astral.

Esses são os ensinamentos básicos de Patanjali, de ordem bastante comportamental. O propósito é acalmar a mente. Conforme afirma o lendário sábio indiano, “Yoga é a cessação dos turbilhões da mente”. Ou seja, é aprender a lidar com esses muitos turbilhões. O foco é a mente.

Mas ele explica também que nem só da mente vive o homem. Ele fala sobre a importância do controle da energia. O que fazemos socialmente deve estar baseado nesse controle. Externamente, damos atenção ao modo como atuamos no cotidiano e internamente, ao modo como respiramos.

Patanjali dá um salto do social para a energia, destacando que a atenção deve ir além da economia na comida e na atividade. Afinal, o alimento mais importante para o ser humano é o oxigênio, sem o qual não sobrevivemos além de alguns minutos. Patanjali afirma que o ritmo da nossa respiração é o ritmo da nossa atividade.

A dica é prestar atenção na respiração; respirar de modo silencioso, tranqüilo, adequado à atividade que fazemos; perceber a inspiração, a expiração e adequar a respiração ao ritmo do que estamos fazendo.

Podemos também controlar o nosso corpo para permitir essa situação de calma, de mente tranqüila. A única postura que Patanjali ensinou é esta: fique de modo estável e confortável. E com que propósito? Controlar a mente. Esse é o quarto controle, que vem depois dos controles social, energético (respiração) e do corpo.

E como podemos adquirir esses controles? Por meio da prática, do convencimento de que é importante para a nossa vida a tal ponto de fazermos disso uma estratégia de vida. Muitos artifícios foram criados com esse propósito, entre eles, os exercícios de Hatha Yoga: aquelas posturas, em que sentimos estabilidade, firmeza, conforto; nos quais percebemos nossa respiração tranqüila e a mente calma. Também os exercícios de meditação, em que concentramos a atenção em algo (ou em nós mesmos) e assim permanecemos por algum tempo, apenas atentos e respirando, sem julgar ou analisar os fatos, as coisas, os sentimentos... cada vez mais tranqüilos.

Você pode seguir essas dicas e “inventar” seus próprios exercícios. O principal critério é “sentir-se bem, sem fazer mal a ninguém”: simples assim. Também pode seguir a orientação de um instrutor que lhe transmita confiança, e continuar seguindo o mesmo critério do bem-estar consigo e com os outros. Como se você fosse uma terceira pessoa que se observa em cada ação ou não-ação, em cada situação da vida, e vai sugerindo a si mesma a melhor opção para: a sua alma, sua mente, sua energia, o seu corpo, os seus relacionamentos, os outros mais próximos, e até os mais distantes... A vida vira um jogo bem mais interessante.

Thadeu Martins