sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Vida memorável

No nosso cotidiano, vivenciamos várias dimensões, vários aspectos: emocional, intelectual, comportamental e outros. Os momentos que exigem mais cuidado são quando nos dispersamos demais, nos diluímos, e quando nos concentramos em apenas uma dimensão. Ficar em todas as dimensões ou numa só eventualmente, não há problema. Mas se ficarmos nessas situações extremas, o tempo todo, poderemos nos tornar ausentes ou autistas.

Muitas vezes, ficamos remoendo determinada situação que já passou, que já podia estar superada, mas insistimos naquilo que a situação nos marcou. Isso não resolve, nos faz sofrer e nos impede de seguir adiante. Portanto, é fundamental termos a capacidade de mudar de estação, de sintonia.

Em Yoga, buscamos a cessação dos turbilhões da mente. Isso significa não se dispersar, não deixar que todas as dimensões tenham atenção. E, principalmente, ficar atento para que aquelas dimensões recorrentes sejam controladas.
A dimensão recorrente aparece, principalmente, por um fenômeno mental comum a todos nós: a reminiscência.

Conforme o professor Massaro Emoto, tudo o que é constituído por água tem memória acentuada. Conforme ele demonstra, o princípio ativo do oxigênio e o passivo do hidrogênio formam a capacidade de memorização que permite à vida realizar experiências e prosseguir. Ele comprova que a água é capaz de memorizar imagens e emoções. Como somos constituídos em pelo menos 70%, de água, podemos dizer que somos constituídos de memória.

Toda ação provoca resultado; o resultado é percebido; ao ser percebido, ganha significado e é memorizado, associado a determinadas referências, de tal modo que numa circunstância que precisemos, conseguimos recuperar a conexão das referências e utilizar isso ao nosso favor. Assim, a vida consegue fazer aquilo que é gradual: brotar e crescer. Quando determinada dimensão da vida chega ao limite, continua a crescer em outras dimensões. A potencialidade de crescimento gradual está baseada no princípio de memorização, porque é a partir de uma base que fazemos o momento seguinte. Esse também é o princípio dos fractais. A matéria se auto-organiza, cresce, cria redes a partir de um núcleo e vai crescendo.

Quando nos deixamos levar pelos pensamentos que brotam e começamos a “resolver” situações que já passaram, ficamos fora da realidade, fora do momento presente; nós nos deslocamos para o passado e até podemos nos projetar para o futuro, sofrendo por antecipação. Ficamos, assim, envoltos no turbilhão da mente.

A prática de Yoga nos ajuda a ter mestria de como nos dedicarmos às dimensões da nossa vida de modo adequado a nossa felicidade; crescendo como pessoa, tendo experiências de realização plena, de forma íntegra, socialmente razoável e responsável.

Também podemos nos manter em apenas uma dimensão de forma positiva, meditando. Ao meditar, vamos abrindo mão de quase todas as dimensões sociais. Focalizamos num único ponto para nos abstermos do mundo e isso tem uma grande importância física. As causas de perturbação externas desaparecem, bem como seus efeitos. Ficamos absolutamente sós com a nossa essência de vida. Nesse instante, somos a vida. Nem nome temos. Tudo mais serena.

É como se tivéssemos morrido estando vivos. Toda manifestação social da vida desaparece. Mas estamos mais vivos do que nunca. Somos o ser, em plenitude, em paz com nossa memória.

Thadeu Martins