quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ciclo essencial

Se existe algo que determina as condições de vida são os ciclos da natureza. Eles orientam, por exemplo, os ritmos biológicos humanos assim como o da migração dos bichos na direção em que o clima vai favorecer a alimentação e a sobrevivência.
Há uma quantidade extraordinária de ciclos e a determinação dos marcos – começo, meio e fim – dos ciclos é arbitrária. Vide o horário de verão. Trata-se de uma convenção. Mas os ciclos, independentemente das nossas escolhas, continuarão acontecendo.

De todos os ciclos, o mais importante é o da noite e do dia. É o que mais determinou as condições de sobrevivência da vida na Terra. Esse ciclo está na origem remota da vida que somos. O dia permite a fotossíntese, a captação de energia que vai ser comida em toda a cadeia alimentar. A noite possibilita a recuperação, o descanso e até o crescimento (que só acontece nos humanos durante o sono noturno).

Noite e dia, dia e noite, formam o ciclo mais importante e também o mais desrespeitado, na medida em que temos luz à noite, graças à eletricidade. Ficamos acordados e ativos durante grande parte da noite e, assim, bagunçamos nossos ciclos biológicos. Pois, apesar da energia elétrica disponível, nosso organismo continua basicamente controlado pelo relógio dia/noite.

Ao trocarmos a noite pelo dia, ou entrarmos pela noite fazendo tudo que seria normal fazer durante o dia, nossa saúde é seriamente afetada. Evitar essa atividade noturna melhoraria muito a nossa vida. Mas, claro, se alguém estiver habituado a essa troca (embora o organismo jamais se habitue sem prejudicar-se cumulativamente), teria que criar artifícios para poder recuperar o ritmo natural.

A época de mudança do ano, início de um novo ciclo de translação da Terra em volta do Sol, poderia incluir essa vontade de recuperar os ritmos naturais: agendar compromissos e afazeres de modo bem distribuído ao longo da semana e do mês, para evitar acúmulos e “horas extras noturnas”; descansar um pouco antes de dormir; comer pouco e até pelo menos duas horas antes de ir dormir; acordar cedo e logo tomar o “café da manhã” (com bastantes proteínas e carboidratos); caminhar e fazer alguns exercícios leves de respiração depois do desjejum e, só então, arrumar-se e partir para realizar os compromissos externos, com bom-humor e entusiasmo. Afinal, o dia e você merecem.

Thadeu Martins