sábado, 6 de novembro de 2010

De olhos abertos para dentro

Os exercícios em Yoga e Meditação são oportunidades para praticarmos quatro atitudes: de perceber onde se está, de estar em si mesmo, de desapego e de autoconfiança. O propósito é fazer com que o nosso cotidiano seja agradável, confortável, socialmente razoável e isso nos permitir meditar.

A meditação é a oportunidade que nós criamos para lidar com o nosso mundo interior. No ritmo de cada um, vamos treinando para que isso se torne habitual. O ideal é introduzirmos o hábito de meditar em nossas vidas a ponto de a nossa vida onírica ser tão real quanto a material.

É perfeitamente possível integrarmos a nossa vivência de olhos abertos com a nossa vivência onírica. Assim, exercitamos o estado de não-ação, em que internamente ficamos abertos para deixar manifestações oníricas acontecerem.

A técnica de meditação usa um artifício que é visualizar algo, de olhos abertos ou fechados, até que se dê uma identificação com o objeto. Quando nos habituamos com algo, deixamos de percebê-lo como distinto de nós; ele passa a fazer parte de nós. O que passamos a perceber é algo diferente daquele algo. Nós nos tornamos uno com o objeto da meditação.

Então, a meditação pode reduzir-se a um exercício de visualizar. Logo, podemos apenas ficar vendo, em nossa imaginação, um lugar que gostamos ou uma pessoa que admiramos. O propósito é se identificar com o que é bom, positivo, que propicie um estado agradável para nós. O exercício será tão melhor e mais criador de hábito quanto mais condição tiver de propiciar algo agradável, que nos dê vontade de fazer novamente.

Por exemplo, escolha a imagem de alguém que você gosta muito. Feche os olhos e concentre-se nessa pessoa. Você pode até se imbuir do desejo de incorporar as virtudes dela. Os melhores horários para praticar esse exercício é antes de dormir e quando acordar. Nesses horários há menos interferências e solicitações externas.

O importante é se habituar a meditar, aperfeiçoando-se na medida da sua realidade. Se você está vivendo uma realidade muita intensa, pode fazer uma visualização da realização positiva daquela coisa a qual está envolvido.

À medida que praticamos a meditação, vamos nos habituando a transitar do corpo (campo) físico para o corpo das emoções, dos significados, dos supra-significados culturais, até um estado de transcendência ou liberação. É uma experiência possível só para quem a praticar, praticar, praticar... como puder, quando puder, até tornar-se um hábito regular.

Thadeu Martins