sexta-feira, 24 de junho de 2011

Meditando as emoções

No momento de crise, de sofrimento, de tristeza, dificilmente conseguimos meditar. É mais fácil desviar a atenção para uma solicitação maior. Desviar o foco pode aliviar o sofrimento, mas quase sempre é paliativo demais. O melhor é observar esse sentimento recorrente.

Podemos nos questionar sobre esse sentimento e responder a nós mesmos por escrito ou oralmente. O importante é registrar, porque à medida que tentamos reconhecer essa sensação, conseguimos nos aproximar mais de nós mesmos, além de esclarecer do que se trata. E assim vamos nos distanciando daquilo, do objeto. Tornamos o sentimento algo objetivo.

O ideal é registrar, escrever, questionar-se: O que estou sentindo de verdade? Qual é a situação que me está provocando isso? Qual é o sentimento mesmo que estou tendo? É a primeira vez que sinto isso? Se não, quando aconteceu pela última vez? Com certeza reconheceremos um padrão, que é nosso. Temos uma certa tendência a reproduzir os nossos próprios comportamentos, afinal, somos coerentes conosco mesmos. Esse padrão pode ser uma pista sobre como devemos agir ao lidar com a tal situação que sempre provoca esse tipo de emoção.

A ajuda externa é quase sempre limitada. Um amigo pode auxiliar, se gostarmos muito dele e se ele souber falar conosco. Porém, o resultado será muito mais efetivo se cuidarmos de nós mesmos, por meio de uma autoanálise.

O que chamamos atenção, aqui, é para a importância de primeiro equacionar esse sentimento, essa situação recorrente, para depois meditar. Após nos sentirmos e nos ouvirmos, provavelmente estaremos mais tranquilos. E durante a meditação, pode surgir um insight de como lidar com aquela situação. Podem ser medidas simples, pois nem sempre se tratará de uma solução espetacular.

No entanto, sempre valerá meditar para cultivar-se um estado de não-ação, em que os insights se manifestam. Os indianos chamam esse estado de Ananda, “a graça divina de Brahma”. Cada um de nós pode cultivar esse estado com a habitualidade de meditar diariamente.

Thadeu Martins