sexta-feira, 15 de junho de 2012

Yoga Sutra Básico

Os fundamentos do Yoga estão sintetizados no Yoga Sutra, do sábio Patanjali, uma espécie de livreto de cordel, no qual se sucedem cento e noventa e cinco verbetes, quase poéticos, cheios de sabedoria para se viver bem. Em resumo, ele chama atenção para serenarmos a mente, ficarmos em paz, encararmos a vida com naturalidade, evitarmos emoções exageradas e cultivarmos o Ser, em vez de cultivarmos aborrecimentos reais ou potenciais.

Como tudo o que é cultivado tende a crescer, se cultivarmos um problema ou ressentimento, daí a pouco ele tenderá a ficar insuperável. Se, em vez disso, focalizarmos alguma solução ou percepção positiva, mesmo que parcial e provisória, nos tornamos capazes de superar as dificuldades.

O Yoga é um modo de viver em que se praticam quatro atitudes básicas: perceber onde se está; perceber-se onde se está; cultivar o desapego – no sentido de perceber o que é adequado e suficiente ao momento, às circunstâncias e aos nossos valores; e cultivar a autoconfiança. Essas seriam as quatro pré-condições para agir e atuar na vida. O sábio Patanjali reforça desse modo a autoaceitação, que é condição essencial para nos relacionamos bem conosco mesmos e com os outros no mundo.

A prática de Yoga trabalha os condicionamentos do corpo e da mente e propicia um modo de viver com tranquilidade para a superação e o autoaperfeiçoamento. As posições (ásanas) não têm o propósito de forçar uma elasticidade. Nelas, o mais importante é estar presente, aumentar as condições de atenção conosco mesmos, para perceber se estamos bem. Sentimos isso dentro de nós mesmos, em cada postura de exercício ou situação de vida, e agimos para o bem e para estarmos bem.

Também a ética é incluída na prática de Yoga, por um lado, com ênfase negativa (yamas), em evitar o surgimento ou a expansão de ofensas, violências, falsidades, dispersão do Ser, roubos, cobiça e inveja; por outro lado, com ênfase positiva (niyamas), em cultivar a pureza, o contentamento, a perseverança, o estudo, e a rendição à vontade divina da vida.

Os controles da energia (pranayamas) se dão por meio do controle da respiração, da percepção de cada etapa do respirar e dos seus efeitos na mente e no bem estar físico. Essa prática deve estar presente em todos os momentos em que estamos conscientes, e não apenas durante os momentos de exercício.

Entretanto, a maior ênfase do Yoga Sutra está nas práticas de introspecção, concentração, contemplação e transcendência do viver apenas social. Esses quatro estágios físicos e mentais, se praticados regularmente, levam ao estado ideal de liberação (moksha), objetivo e meta transcendental dos yogues.

Thadeu Martins