<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350</id><updated>2012-02-23T14:58:44.834-03:00</updated><title type='text'>Yoga Clássico</title><subtitle type='html'>Blog do instrutor Thadeu Martins - Brasília-DF</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>73</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-6683561894884363985</id><published>2012-02-10T17:04:00.000-03:00</published><updated>2012-02-10T17:05:03.162-03:00</updated><title type='text'>Nossos cinco recursos de transcendência</title><content type='html'>Os exercícios de Yoga que praticamos têm o propósito de trazermos a atenção para nós mesmos, para sermos quem somos. E o que somos nesta vida é este todo que tem o sentido da individualidade; que é capaz de conceber, de dar direcionamentos; que promove transformações, a partir de interações com os valores que temos e com as demais individualidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nossos valores são expressões de nossos sentimentos, os quais determinam o que fazemos; avaliam as nossas ações e as dos outros; direcionam em um certo sentido, e definem a reorientação dos conceitos que a nossa individualidade cria ou acredita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nos relacionamentos sociais que os valores são confirmados, transformados ou reorientados. Isso se dá no campo do afeto, dos sentimentos, das emoções. Estamos sempre fazendo esse jogo valorativo, que está no campo das relações. Já o processo produtivo, do trabalho de cada um de nós, da labuta para a sobrevivência, está baseado na aplicação do tempo e da matéria, dos recursos. Neles utilizamos nossas habilidades de administração do tempo e técnicas de manipulação de equipamentos, de instalações, de objetos e estruturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São, portanto, quatro campos, que se aplicam ao indivíduo e às organizações humanas: da identidade (auto imagem e conceitos); do afeto e relações (sentimento e valores); do querer (motivações e processos de produção); da segurança (recursos físicos e estruturais). Quando desempenhamos um papel na sociedade, no trabalho ou na família, estamos mobilizando essas quatro dimensões, campos ou níveis qualitativos do nosso todo perceptível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais harmonizado estiver o funcionamento desses quatro aspectos, melhor será para nós. Se ficarmos somente no nível conceitual, conseguiremos nos adaptar apenas em ambientes insensíveis, frios, em que as pessoas não se relacionam de forma afetiva. Se ficarmos apenas no sentir do afeto e das relações, poderemos ter sérias dificuldades se não nos sentirmos incluídos, aceitos ou amados. Um coração angustiado pode até chegar a um infarto. Se enfatizarmos apenas o sentir e o querer, provavelmente nos tornaremos reféns das paixões. Num extremo, podemos chegar ao pânico e em outro, poderemos nos tornar compulsivos: por alegria, comida, sexo, trabalho, e por tudo o que apazigue a emoção superlativa. Nesses casos, ficamos aprisionados nos remoinhos do querer, impulsionados pelos ventos sentimentais. Desajuizados. Do mesmo modo, a ocupação excessiva com segurança e recursos poderá nos imobilizar, petrificar com tudo o que temos e precisamos manter (com ou sem a ajuda do mitológico rei Midas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eterno desafio é o de harmonizar nossa atuação nesses campos do indivíduo e das organizações. Pratica-se Yoga com essa compreensão: harmonizar essas quatro dimensões de nós mesmos, para ir além (ou antes de ir para o além).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudar-se para melhor. Querer transformar-se para ser você mesmo e ainda melhor em si e com os outros no mundo. Assim, quando respiramos, trabalhamos o nosso campo valorativo, pois é nessa dimensão que os sentimentos avaliam os resultados da realidade. Quando nos alongamos, trabalhamos a estrutura, o corpo físico, os recursos estruturais. Ao projetarmos a intenção, meditamos, e nos voltarmos para nós mesmos, percebemos a nossa própria imagem, a imagem da instituição na qual trabalhamos ou a imagem da família a qual pertencemos. Essa projeção está relacionada com o sentido de individuação, com a nossa própria identidade. Não existe imagem mais extraordinária do que a nossa própria, por isso olhamos tantas vezes quanto pudermos para o espelho. E é crucial aceitarmos a imagem que vemos refletida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Yoga, nos exercitamos para cultivar a harmonia desses quatro campos, que os gregos antigos associavam a quatro elementos: à terra, à água, ao ar e ao fogo. Em outras palavras: dos recursos (o corpo e as coisas), dos processos vitais (o querer e a dedicação), do sentir (os valores e as relações), da individualidade (a compreensão, os conceitos, a imagem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda há um quinto elemento, que os quatro anteriores não são capazes de caracterizar, que os antigos chamavam de éter, o etéreo. No Hinduísmo, ele é chamado de “a graça de Bhraman”. Alguns cientistas da Física Quântica usam a expressão “além do espaço-tempo”. São várias as formas de se referir à transcendência, ao “ir além”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos falando, portanto, de um além, para o qual precisamos viver para chegar lá. O caminho proposto em Yoga é o de acrescentar o meditar ao nosso agir, para harmonizar nossas atitudes e nossos comportamentos com os outros e com o mundo. Assim, podemos ultrapassar os limites do indivíduo, das organizações, da matéria e das relações sociais. Podemos dispor a nosso favor o fazer material e a abstração prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essa intenção, vamos reorientar o viver de modo gradual: desenvolver o hábito de meditar de olhos fechados e sozinhos em um lugar protegido, até adquirir a mestria de abrir os olhos e também o coração e as mãos para lidar com os outros e com o mundo. Com a prática habitual podemos nos tornar ainda melhores do que a sorte nos ajudou até agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos de tranquilidade pessoal, de agir na realidade e nas circunstâncias. Mesmo que nem tudo esteja sob o nosso controle (graças a Deus). Isso nos possibilita superarmos os medos e realizarmos aquilo que está ao nosso alcance e além da imaginação limitada pelas experiências ultrapassadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-6683561894884363985?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/6683561894884363985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=6683561894884363985' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6683561894884363985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6683561894884363985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2012/02/nossos-cinco-recursos-de-transcendencia.html' title='Nossos cinco recursos de transcendência'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-7038721736133463287</id><published>2011-11-12T13:14:00.001-03:00</published><updated>2011-11-12T13:14:57.750-03:00</updated><title type='text'>Viver o viver</title><content type='html'>A vida tem uma origem dual, da qual tudo se deriva: manifestação (Prakriti) e não-manifestação (Purusha), segundo o Sâmkya, escola filosófica hinduísta que apoia conceitualmente a escola do Yoga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal, o que é o não-manifestado, o não-material, nesse contexto? Não se trata de uma representação divina, pois o sentido dessa dualidade é lógico: observa-se manifestação em relação a algo que não se manifesta. Portanto, o não-manifestado é um referencial em relação a tudo mais que se manifesta e, por isso, é absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Purusha é esse princípio universal, esse referencial absoluto, em relação ao qual se manifesta Prakriti, a natureza material da vida. Se as nossas individualidades são manifestações de forma singular, então Purusha está em cada um de nós? Claro, pois se é absoluto está em todo lugar e em qualquer lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a cultura indiana cria também uma palavra para se referir a essa individualização de Purusha: Atma. Cuja grafia e pronúncia lembra alma e que, talvez na origem grega da palavra alma (aquele que se liberta da cidade quando morre), poderia ter o mesmo significado simbólico: o absoluto em cada um de nós, liberto das manifestações sociais e outras (e que não precisa morrer para se liberar, pois já o é).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meditar, o entrar em si, é buscar o referencial, interno. Mas pouco importa se vamos encontrá-lo ou não. O que importa é que quando abrimos mão da iniciativa, do agir e do interferir, e nos propomos a ouvir, a sentir e a receber, reduzimos as manifestações. Assim, vamos nos deixando integrar a um referencial absoluto. Esse é o conceito e o propósito principal. São consequências a tranquilidade, a harmonia e o bem-estar decorrentes do meditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, quando falamos em busca de equilíbrio ou busca de harmonia, o sentido é de estarmos em harmonia com o nosso tempo, com o contexto social no qual estamos, mas a sintonia principal é com esse referencial, não-manifestado, mais interno: Atma, o Purusha em cada um de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praticamos a atenção, a harmonia, o perceber, buscando esse referencial dentro de nós. Esse absoluto fica em nenhum lugar ou em qualquer lugar específico. Onde ele estiver ele vai estar, porque é absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exercício é, portanto, buscarmos em nós mesmos esse referencial. Por exemplo, mentalizamos uma luz dourada, expandimos essa luz por todo o universo, até nos sentirmos parte de uma grande unidade... Você está, nem precisa dizer onde, basta dizer que está, ou que você é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o movimento, uma tendência, uma orientação. Seria bem pretensioso afirmar: “atingi a iluminação, cheguei ao referencial absoluto”. Tudo bem, mas logo alguém vai te tirar dele, seja por qual for o motivo. Afinal, o estado de equilíbrio é o mais instável que existe. O que há de mais equilibrado é o movimento. A melhor imagem é a da dança: dançar conforme a música, deixar-se levar, surfar cada onda sonora ou do mar. Mas nós não nos deixamos levar apenas, nós vamos junto. Temos a intenção, o propósito de viver. Eis o propósito: viver o viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-7038721736133463287?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/7038721736133463287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=7038721736133463287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7038721736133463287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7038721736133463287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2011/11/viver-o-viver.html' title='Viver o viver'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-834504554458146666</id><published>2011-11-03T14:07:00.002-03:00</published><updated>2011-11-07T18:53:42.886-03:00</updated><title type='text'>A água na fonte dos símbolos e na Roda das Reencarnações</title><content type='html'>Em Yoga, não há qualquer determinação quanto à espiritualidade. O que se verifica é uma compreensão da natureza, da vida, da mente e da sociedade de forma bastante objetiva. Percebe-se também uma reverência de respeito cultural à mitologia indiana e hinduísta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São inúmeras as divindades na mitologia da Índia. Ao nos referirmos a esses deuses, entramos em outro rumo cultural: aquele que oferece as alegorias que tratam do simbólico. Como diz o historiador norte-americano Joseph Campbell, a humanidade, por diversas razões físicas e culturais, tem necessidade de representar o mistério e, por isso, cria as referências alegóricas para lidar com a sua realidade simbólica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, essa capacidade de nomear deuses, mitos, símbolos, arquétipos, responde às representações desse simbólico que está dentro da nossa vida. Quando falamos de alegoria – seja religiosa ou mitológica – nós estamos fazendo uma representação que nesta época, com estes recursos e com esta linguagem serve para indicar algo mais profundo que existe ou se manifesta em nossa essência. E essa essência não foi criada há dez, cem ou mil anos. Foi formada há milhões de anos, porque antes de surgir o ser humano na Terra, muitas outras formas de vida nos antecederam, além do fato de o nosso corpo constituir-se de muitas formas de vidas consorciadas (algumas visíveis só por microscópios).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse mistério cujos símbolos são continuamente representados por nós, por estórias, desenhos, imagens, vem reproduzindo alguns padrões ao longo da história da humanidade. Haveria padrões originais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a água os contenha, talvez... pois, até onde se sabe, a vida surge com a água e com uma primitiva forma de pré-bactéria, que se desenvolve com a água. Nós humanos ainda somos constituídos de água em grande parte, cerca de 70% do nosso corpo é formado por água: algo que se emociona, como já se sabe. O emocional nos constituiu desde o princípio. Água é emoção, água determina a vida, emoção determina a vida, e nós somos emocionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta nossa essência emocional, no entanto, caracteriza tudo aquilo que chamamos de formação cultural. Essa interação com algum outro princípio de vida, uma pré-bactéria ou pré-molécula qualquer, constituiu a vida. À medida que foram se agregando, acabou levando a esta variedade extraordinária de organismos vivos que vemos hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, os cientistas, os biólogos, que estudam a origem da vida na Terra, com profundidade, quando vão às origens, encontram apenas isso. Não se fala em espírito ou alma, mas em algo que se emociona e que forma vida. Assim, os mitos, os arquétipos, poderiam ser compreendidos, em sua origem, como produto do relacionamento emocional da vida com o ambiente no qual a vida está inserida. A vida se emociona no ambiente em que se encontra e vai exibindo os seus padrões emocionais, que são até fotografáveis, conforme comprovou o professor Masaru Emoto, com o reconhecimento da comunidade científica atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dr. Emoto conseguiu registrar alterações em cristalizações de água, a partir de emoções que são oferecidas à água, por meio de diversas representações (sons, imagens, palavras etc.). Seja porque se escreveu uma palavra no rótulo do recipiente da água, seja porque se disse algo, porque se colocou uma música ou se fez uma reza, a água muda o formato dos cristais. Quando expomos a água a uma emoção, ela se transforma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a água estabelece padrões (formas das cristalizações) que são reconhecíveis, de acordo com determinado tipo de emoção, isso é muito significativo, pois a água está na origem e no prosseguimento da vida; ela caracteriza padrões relacionados à emoção. Podemos dar nome a cada um desses padrões. Ou seja, estabelecer o modelo primitivo de cada uma dessas emoções. E podemos chamar isso como quisermos: de arquétipos, deuses, entidades, alegorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Denominar significa estabelecer nome, código, padrão de representação. O que hoje chamamos de arquétipos são padrões. Existem desde quando? Quanto mais no tempo poderíamos recuar, ou ir às origens, para encontrar esses padrões, esses arquétipos? De onde eles vêm? Se dissermos, hoje, que isso vem das partículas de água que nos constituem desde o início dos tempos, a mesma água da origem da vida na Terra, estaríamos coerentes com tudo o que se diz que se sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, a linguagem estritamente científica pode estar falando a mesma coisa que a linguagem estritamente religiosa, já que ambas tratam de representações da realidade para lidarem com a realidade. Na busca da origem, cada um pega um desvio do caminho, mas podem acabar chegando a um mesmo ponto, embora com distintas denominações. Diz o Budismo: nome e forma (nama, rupa), tudo ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando em Yoga falamos de um princípio ordenador, estamos nos referindo a um princípio social, que lida basicamente com a produção cultural. Alguém pergunta: “Existe mesmo a Roda das Reencarnações?” A resposta é sim, culturalmente existe, porque reproduzimos um comportamento a partir das gerações anteriores. A roda está rodando. Mas não estamos falando da mesma pessoa, reencarnada ao longo da história. Há quem afirme que sim. Mas seja o indivíduo ou não que reencarne, isso é irrelevante. Independentemente de haver a reedição do mesmo indivíduo, com certeza existe a transmissão de cada contemporaneidade: de cada época para a seguinte. Isso é indiscutível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos, assim, herdeiros de várias tradições culturais que incorporam os simbolismos originais e os representam e os incutem em nossos relacionamentos e comportamentos sociais. Cada pessoa, dentro dos limites que os seus contemporâneos aceitem, poderia criar algo novo ou escolher qual das possibilidades herdadas seria melhor para si mesma (filosofia, religião, comportamento político).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Yoga é um exemplo desse tipo de composição de tradições culturais, no contexto indiano de seu surgimento, quando o sábio Patânjali acrescenta um ser especial à sua sistematização (o Yoga Sutra), para atender ao imaginário, místico, heróico dos hinduístas. Essa personagem é Ishivara, que representa o princípio divino da vida. Embora tal personagem não tenha nenhuma aparência corpórea ou figura a si associada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao praticarmos Ishivara Pranidhana, estamos exercendo a atitude de nos entregarmos à vontade divina. Trata-se de um dos cinco principais comportamentos estimulados em Yoga (Nyamas): cultivar a pureza, o contentamento, o esforço de realização, o estudo, e o render-se à vontade divina (literalmente “deixar fluir”). Ishivara é o ser divino, a representação de uma divindade, de um princípio divino que permite o fluir da vida. Assim, o divino, para Patanjali, não é um velho barbudo, é sim um princípio emocional, que está na origem de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se observar que essa orientação cultural deriva da compreensão do princípio físico do fluido da vida: a água. Não por acaso, a origem lendária diz que o deus Shiva transmitiu os ensinamentos originais do Yoga a um peixe (Matsia) que observava os diálogos entre o deus e sua parceira feminina Shakti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo e à mesma época, a escola gêmea do Yoga, o Sâmkya, é isenta de alusão a divindades. Trata-se de uma epistemologia classificatória, uma visão estruturalista da realidade, na qual não há lugar para uma representação divina. Embora esteja totalmente integrada ao hinduísmo, como uma de suas principais escolas de pensamento. Nela há um apenas um princípio dualista, do qual tudo se deriva: manifestação (Prakriti) e não-manifestação (Purusha). Enquanto o Sámkhya sistematiza a compreensão da natureza estrutural da vida, o Yoga sistematiza a compreensão dos comportamentos social e individual, da mente, da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-834504554458146666?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/834504554458146666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=834504554458146666' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/834504554458146666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/834504554458146666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2011/11/agua-na-fonte-dos-simbolos-e-na-roda.html' title='A água na fonte dos símbolos e na Roda das Reencarnações'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-5830991756046819153</id><published>2011-07-17T18:54:00.002-03:00</published><updated>2011-09-03T18:41:44.539-03:00</updated><title type='text'>Emoção, razão e desapego</title><content type='html'>O viver é um permanente registro de emoções e significados do resultado das ações nossas ou de outros. Ao longo da nossa vida, prossegue o processo de memorização dos significados e emoções. Isso não para.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas experiências de vida foram tão significativas para nós - ou por terem sido muito boas ou muito ruins -, que elas estão sempre voltando em nossa mente. São reminiscências, cujas repetições podem nos atrapalhar no cotidiano. E às vezes essa coisa que ficou dentro de nós não é nem uma emoção boa ou ruim, é apenas uma imagem idealizada de nós mesmos. Quantos de nós, até inconscientemente, trazemos essa autoimagem idealizada e cismamos em ser do jeito dela; o que foi até útil em determinadas situações, mas nem sempre é o mais adequado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a trajetória de cada um de nós vai-se constituindo de experiências que permanecem, de aprendizado. No entanto, há sempre a possibilidade do erro ou do acerto, porque a nova realidade não é necessariamente igual à anterior. Mas muitas das vezes, o apegar-se ao que já deu certo pode nos fazer fracassar na nova situação. Se de fato ela for nova, a ela não se aplica nada de velho. Na prática, uma experiência totalmente nova é rara. Como vivemos realidades muito repetitivas, as novas situações não são tão novas. Então, quase sempre nosso comportamento dá certo, o que faz reforçar esse modo nosso de ser sempre do mesmo jeito, quase inconscientemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certo modo, vamos nos apegando a certas práticas, certas atitudes, certos costumes, embora nem sempre deem certo. Como precisamos abrir mão de algumas dessas habitualidades para criar e lidar com algo novo que surgir, valeria cultivar a capacidade do desapego, para ficarmos aptos a vivenciar novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí porque nos últimos encontros frisamos a importância da racionalização das emoções que ficam nos monopolizando, como uma forma de nos distanciarmos delas para podermos tratá-las. Só depois, então, vamos meditar, quando já estivermos mais apaziguados dessas emoções, que estavam muito fortes e recursivas, para permitir que novos insights e emoções mais suaves brotem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui vale chamar a atenção para o seguinte aspecto: não estamos nos referindo ao controle das emoções, mas à compreensão delas, para não ficarmos reféns das emoções exageradas. Afinal, podemos até não controlá-las, mas em grande parte elas nos controlam. Se as emoções não estão tratadas de algum modo, elas ficam mais fortes do que nós. Daí “fazem o que querem” de nós, pois nos tomam, nos possuem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, claro, que temos de vivenciar as emoções, senti-las, percebê-las, até sem preocupação de racionalidade. Se por um lado é importante registrar a emoção, analisá-la para nos libertarmos de uma compulsão, obsessão, por outro lado é essencial desenvolver a capacidade intuitiva de nos percebermos. Na prática de Yoga se estimula tanto a apreensão direta (physis) como a racionalização (logos) do que foi apreendido. São dois caminhos que se complementam e que estão ao nosso alcance, desde quando o ser humano começou a pensar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos aproveitar o melhor de cada uma dessas direções: apreensão direta da realidade, em que não precisamos sequer traduzir em palavras para compreender o que se passa; e racionalização, na qual utilizamos as palavras para esclarecer o que sentimos, com o propósito de afastamento, de compreensão e de autodomínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza primordial de todos nós é emocional. Por mais que alguém pretenda conseguir o controle da emoção, só obterá vitórias parciais e instáveis. Em algum momento, quando se estiver com a guarda baixa, a emoção se manifestará. A emoção é essencial, ela sempre irá aparecer, dará um jeito de se manifestar. Melhor aceitá-la, vivenciá-la, tentar esclarecê-la até que se apazigúe, para que se possa, então, meditar e integrar-se emocionalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-5830991756046819153?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/5830991756046819153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=5830991756046819153' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5830991756046819153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5830991756046819153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2011/07/emocao-razao-e-desapego.html' title='Emoção, razão e desapego'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-9178268947357624314</id><published>2011-06-24T21:54:00.001-03:00</published><updated>2011-06-24T21:57:39.811-03:00</updated><title type='text'>Meditando as emoções</title><content type='html'>No momento de crise, de sofrimento, de tristeza, dificilmente conseguimos meditar. É mais fácil desviar a atenção para uma solicitação maior. Desviar o foco pode aliviar o sofrimento, mas quase sempre é paliativo demais. O melhor é observar esse sentimento recorrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos nos questionar sobre esse sentimento e responder a nós mesmos por escrito ou oralmente. O importante é registrar, porque à medida que tentamos reconhecer essa sensação, conseguimos nos aproximar mais de nós mesmos, além de esclarecer do que se trata. E assim vamos nos distanciando daquilo, do objeto. Tornamos o sentimento algo objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ideal é registrar, escrever, questionar-se: O que estou sentindo de verdade? Qual é a situação que me está provocando isso? Qual é o sentimento mesmo que estou tendo? É a primeira vez que sinto isso? Se não, quando aconteceu pela última vez? Com certeza reconheceremos um padrão, que é nosso. Temos uma certa tendência a reproduzir os nossos próprios comportamentos, afinal, somos coerentes conosco mesmos. Esse padrão pode ser uma pista sobre como devemos agir ao lidar com a tal situação que sempre provoca esse tipo de emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ajuda externa é quase sempre limitada. Um amigo pode auxiliar, se gostarmos muito dele e se ele souber falar conosco. Porém, o resultado será muito mais efetivo se cuidarmos de nós mesmos, por meio de uma autoanálise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que chamamos atenção, aqui, é para a importância de primeiro equacionar esse sentimento, essa situação recorrente, para depois meditar. Após nos sentirmos e nos ouvirmos, provavelmente estaremos mais tranquilos. E durante a meditação, pode surgir um&lt;em&gt; insight&lt;/em&gt; de como lidar com aquela situação. Podem ser medidas simples, pois nem sempre se tratará de uma solução espetacular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, sempre valerá meditar para cultivar-se um estado de não-ação, em que os &lt;em&gt;insights&lt;/em&gt; se manifestam. Os indianos chamam esse estado de Ananda, “a graça divina de Brahma”. Cada um de nós pode cultivar esse estado com a habitualidade de meditar diariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-9178268947357624314?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/9178268947357624314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=9178268947357624314' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/9178268947357624314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/9178268947357624314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2011/06/meditando-as-emocoes.html' title='Meditando as emoções'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-2894582703208630774</id><published>2011-06-14T14:34:00.001-03:00</published><updated>2011-06-14T14:42:56.626-03:00</updated><title type='text'>﻿Vamos nos transformando no que praticamos</title><content type='html'>Uma das grandes dificuldades das pessoas para meditar é que, sempre que param as atividades do cotidiano, a cabeça não para, pois está tomada pelas reminiscências, pelos pensamentos. Ficam dispersas e não conseguem meditar; e assim a vida se restringe a lidar com os problemas ou com as dispersões mentais que acontecem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas situações, as pessoas estão voltadas para o exterior, fora do seu próprio controle; estão simplesmente sendo reativas às solicitações que são feitas: do trabalho, da labuta ou das reminiscências mentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma oportunidade que a meditação e a prática de Yoga nos dão é a de agir, não apenas reagir. E agir num sentido: de nos percebermos, de percebermos onde estamos e de nos desapegarmos de tudo isso que nos solicita para podermos ficar inteiros e exercermos a nossa autoconfiança; enfim, de vivermos plenamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O foco é prestar atenção em quem de fato somos e em nossos sentimentos. Uma boa maneira é conhecer por contraste, por exemplo, a partir das emoções que sentimos. Ao meditar, podemos deixar que as emoções e sensações apareçam para que possamos reconhecê-las, analisá-las e tratá-las. Podemos sentir e registrar essas emoções que surgem. Será duplamente bom: ao registrarmos, nós nos afastamos da emoção, não somos mais o objeto daquela emoção, mas o sujeito; além disso, podemos nos tratar para sermos quem de fato somos. À medida que vamos retirando emoções desnecessárias do passado, idealizações e projeções, mais nos aproximamos de nossa essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O essencial é a constância, fundamental é garantir um horário. A disciplina só existe se estiver marcada no tempo e no espaço. O primeiro passo é marcar no tempo, ter um horário que seja seu, aquele que tem menos chance de ser sabotado; esse tempo passa a ser sagrado, é todo seu, à prova de interrupções. Em geral, antes do amanhecer e antes da meia-noite são horários muito bons (há menos possibilidade de interferências). E também não podemos nos esquecer de tomar cuidados com o espaço, de criar as condições de isolamento e conforto. É prático ter ao seu lado um caderno e uma caneta, ou um gravador, para registrar os insights que ocorrerem durante a meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática diária é fundamental, independentemente de qualquer propósito específico. O atleta que treina regularmente está sempre preparado para um desafio eventual. Assim também, a pessoa que medita regularmente está sempre num estado de potencial tranquilidade para lidar, do melhor modo, com as situações. É nas muitas circunstâncias diferentes que demonstramos a prática de nossas virtudes. Se praticarmos com frequência as nossas virtudes, na hora em que surgir a circunstância, a virtude adequada brotará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exercício de Yoga, assim como qualquer outro, tem por característica nos deixar aptos a improvisar diante dos acontecimentos. Incorporamos de tanto praticar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, então, surge aquilo que não está tratado, o idealizado que ficou da infância e que há muito tempo nos prejudica (inconscientemente). São imagens distorcidas de nós mesmos às quais nos apegamos. Acreditamos nelas a ponto de as consideramos como virtudes, como partes verdadeiras de nós mesmos. Há vezes em que nos damos conta disso: porque percebemos, de alguma forma, ou porque alguém nos diz. A questão é saber se seremos capazes de considerar o que nos dizem e o que passamos a perceber em nós mesmos. Como é difícil perceber quem de fato estamos sendo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse a escritora Joanne Rowling, pelas palavras da personagem do diretor do colégio de bruxos do Harry Potter: “A pessoa mais feliz do mundo se olha no espelho e vê quem realmente ela é”. Felicidade é ser mesmo quem de fato somos. Ora, isso depende exclusivamente de nós mesmos. Nós estamos no comando desse processo. E, por isso mesmo, podemos prosseguir em nosso ritmo, percebendo aquilo que podemos mudar, cultivando uma disciplina pessoal de transformação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sabedoria da disciplina é estabelecer um ritmo que seja adequado a cada um de nós, de forma tranquila, para que possamos levar, com as condições mais favoráveis de tempo e espaço. Vamos indo, anotando, registrando os insights. O que surgir no cotidiano, será tratado com o que estiver ao nosso alcance. Quanto mais estivermos “treinados”, mas seremos nós mesmos e mais teremos chances de agir. E mesmo assim, podem ocorrer circunstâncias para as quais não estaremos preparados. A vida segue: podemos errar, “pisar a bola”, e tentar errar menos na próxima vez, porque a perfeição é uma casualidade e as novidades não respeitam o que já passou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-2894582703208630774?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/2894582703208630774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=2894582703208630774' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2894582703208630774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2894582703208630774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2011/06/vamos-nos-transformando-no-que.html' title='﻿Vamos nos transformando no que praticamos'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-3019059731451656265</id><published>2011-05-13T14:57:00.001-03:00</published><updated>2011-05-13T15:03:34.866-03:00</updated><title type='text'>Yoga na Prákriti</title><content type='html'>O trocadilho é só mnemônico, mas, na prática, a compreensão hinduísta da origem do universo diz que tudo começa com uma referência, que não se manifesta: Purusha; e com algo que se manifesta, que pratica, atua: Prákriti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras manifestações de Prákriti são Mahat e Budhi. Este último é o equivalente na mitologia grega ao deus Hermes e na romana ao deus Mercúrio – deuses da comunicação. Mahat, então, antecede a Budhi, o princípio intelectual. Ou seja, Mahat equivale ao cérebro réptil; é tudo aquilo que forma a nossa percepção dos sentimentos. Nós sentimos e nos emocionamos antes de raciocinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos textos antigos, Budhi é associado a um cocheiro de uma carruagem de três cavalos: o princípio sutil (Satva), o princípio denso (Tamas) e a transformação de um em outro (Radja); a realidade é Radja, movimenta-se, transforma-se. Esses três princípios estão sempre em manifestação, às vezes um sobrepondo-se ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São princípios divinos, não apenas sociais, focos da atenção em Yoga e Shamkya (escolas filosóficas). O sábio Patanjali – que sistematizou o conhecimento em Yoga a partir de toda essa tradição que existia – afirma logo de início que Yoga é a cessação das movimentações mentais, dos turbilhões da mente (Yogachittavrittiniroda). Ele se refere justamente a esse jogo entre Budhi e Mahat, o primeiro tentando racionalizar intelectualmente Mahat e controlar as movimentações Satva, Tamas e Radja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As posturas e a meditação em Yoga têm como foco esse controle. Ao longo do dia, podemos também perceber as nossas movimentações: às vezes mais preguiçosos (Tamas), ou mais dinâmicos (Radja), ou mais contemplativos (Satva). A atenção a essas percepções é importante para mantermos o nosso equilíbrio. Se, por exemplo, vamos fazer algo que exige muito esforço mental, não vamos exagerar na comida para não ficarmos num estado tamásico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No nosso cotidiano, vamos usando Budhi para nos equilibrarmos, sem esquecermos das quatro atitudes básicas que são reforçadas em Yoga: saber onde estamos, perceber quem somos nesse onde estamos, praticar o desapego e manter a autoconfiança, para agirmos do modo mais adequado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, a prática de Yoga é ter o controle mental que nos possibilite perceber onde estamos, qual é a energia mais apropriada – se é mais Satva, Tamas ou Radja – alimentar-se e comportar-se de acordo para seguir em frente. É um estado de prática permanente da atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-3019059731451656265?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/3019059731451656265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=3019059731451656265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/3019059731451656265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/3019059731451656265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2011/05/yoga-na-prakriti.html' title='Yoga na Prákriti'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-2105132514607227225</id><published>2011-03-17T23:31:00.000-03:00</published><updated>2011-03-17T23:32:25.018-03:00</updated><title type='text'>Mude de estação enquanto você pode</title><content type='html'>Somos todos seres mentais e, por isso mesmo, estamos sujeitos às armadilhas da mente. Segundo o sábio Patanjali, que sistematizou o conhecimento em Yoga, essas ciladas (formas de movimentação mental) são de cinco categorias: o conhecimento certo ou errado, a fantasia, o sono, o sonho e a memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos um organismo criador de memória. Basicamente, ser humano se relaciona e cria memória. E aí é que mora o perigo, pois, ao criarmos memória, formamos uma referência importante para a nossa vida. Os acertos que teremos serão baseados nos erros e acertos que já tivemos. Mas muitas das vezes, ficamos presos à memória. Com isso vem o medo e todo tipo de elaboração mental baseada em realidades que existiram, mas não existem mais: de fatos passados. Ficamos tão tomados pela vivência do passado que não conseguimos nos desligar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nós continuaremos a fazer isso, a nos apegar ao passado. Somos assim há mais de um milhão de anos. O que Patanjali sugere é administrarmos melhor essa nossa natureza. Afinal, na grande maioria das vezes, a memória nos é bastante positiva. Mas o fato é que vivenciamos por demais as memórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos exercícios de Yoga e meditação, nós treinamos como parar esse processo mental – seja o de conhecimento, de fantasia, do sono, do sonho ou da memória. A intenção é criarmos o hábito de neutralizarmos os movimentos mentais. Sabemos que não vamos conseguir isso nunca, mas podemos ter ao menos um certo controle, dependendo da capacidade que cada um de nós tenha e do hábito que cultivarmos. Então, se nos habituarmos a, de vez em quando, parar de pensar, vamos perceber que não é tão difícil assim. Com a prática, vai ficando fácil e assim ganhamos domínio sobre o ambiente no qual estamos e sobre nós mesmos. Deixamos de ficar reféns dos nossos pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos também mudar a sintonia mental que nos leva ao estresse e conduzir a nossa mente a uma outra estação mais favorável ao bem-estar. Para isso, vale relaxar, ouvir música, desenhar, colorir mandalas, conversar com amigos e outros meios. O importante é criarmos um hábito, um ritual propiciador. Só isso já constitui uma pré-condição para evitarmos o estresse exagerado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali destaca, ainda, que são cinco as causas de sofrimento: a ignorância, o egotismo (ignorância que exagera a importância individual), o apego exagerado ao que dá prazer, a aversão exagerada ao que causa sofrimento e o receio da morte. Ele não discorda que viver é sofrer – isso é uma unanimidade –, mas ressalta que devemos superar o sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, começou a sofrer muito, o melhor é mudar de estação. Em seguida, pedir ajuda para lidar com a crise. Depois desenvolver um hábito regular de esclarecer, compreender, aceitar a realidade e prosseguir, de modo a tratar com atenção e consequência as causas e condições que propiciam o seu sofrer. Você vai descobrir algumas condições ao seu alcance (talvez com a ajuda de amigos) de tornar o sofrimento mais suportável ou até superável, como é o caso dos poetas, dos compositores e dos artistas em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-2105132514607227225?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/2105132514607227225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=2105132514607227225' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2105132514607227225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2105132514607227225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2011/03/mude-de-estacao-enquanto-voce-pode.html' title='Mude de estação enquanto você pode'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-14097542507494495</id><published>2011-03-09T19:19:00.000-03:00</published><updated>2011-03-09T19:20:36.885-03:00</updated><title type='text'>Por uma vida mais contemplativa</title><content type='html'>A palavra contemplação pode ser entendida de uma forma bastante ampla, como participação, inclusive. Distintamente do que muitos podem pensar, contemplar não é apartar-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indo às origens, o sentido de contemplar é o de tornar-se o que se está observando. Como se o observador e o objeto da observação pudessem tornar-se uma coisa só. Parte-se do estágio de concentração para o de contemplação. A partir daí, transcende-se essa aparente dualidade (observador e observado). Chega-se então ao estágio de Samadhi, em que a dualidade já não mais existe. Isso é possível porque os limites que desenhamos para convivermos, segundo uma determinada ordem, são apenas um desenho, uma convenção, um costume compartilhado e que pode ser superado, transcendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o contemplar, do qual falamos, vai além do verbo do nosso código linguístico, para alcançar o que era originalmente, na história do Yoga e de seu modo de meditar. Dessa forma, o que caracteriza mesmo a meditação é o identificar-se com o que se contempla e, em seguida, livrar-se dessa identificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exercício de meditação é estimular essa identificação, levá-la ao ápice e então desidentificar-se, separar-se. Levamos o nosso eu, que está habituado ao próprio indivíduo, a colocar-se em algo, seja numa árvore, num conhecimento ou numa equação. Levamos o eu a se transformar no objeto de observação, até não nos percebermos mais como apenas uma individualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vida, em algum momento, nós nos percebemos como indivíduos, temos consciência de nós mesmos, em seguida, percebemos as muitas denominações que temos, percebemos as várias identificações que assumimos, que são papéis, circunstâncias – pai, mãe, professor, empresário. Vivenciamos esses vários personagens, vamos nos identificando com todos eles e vivendo essas muitas personalidades. Também podemos perceber que, além desses personagens, existe alguém que assume esses vários papéis. Percebemos que somos capazes de nos tornar isso ou aquilo, de nos tornar também o objeto de seu estudo, de seu interesse; ao mesmo tempo, somos capazes de perceber que não somos aquele objeto. Podemos tanto nos identificar quanto nos desidentificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao nos desidentificarmos, perguntas podem surgir, como “quem sou eu, afinal?”. São perguntas que carregam consigo uma série de intenções; trazem um princípio perguntador, que quer nos levar a algum lugar. Já o oposto dessa análise é o contemplar, entregar-se, e ao mesmo tempo integrar-se. Nesse caminho, não fazemos perguntas, nem nos preocupamos em nos identificar; nós nos concentramos a ponto de vivenciarmos aquilo que observamos com atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o contemplar dos três verbos da meditação – concentrar, contemplar e transcender – é um caminho sem perguntas, de entrega. Abrimos mão do agir, dos nossos comportamentos habituais, que se tornaram uma identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrir mão dos muitos nomes que temos, dos nossos hábitos, desse “quem somos” é muito exigente. O caminho do não-agir começa restringindo toda essa personalidade que foi formada. Deixamos de agir e nos concentramos, com a intenção de entregar-se e transcender. De repente começamos a perceber a maravilha de estarmos vivos; tiramos dos óculos as lentes da personalidade e deixamos ver a vida seguir, como também pode ser.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-14097542507494495?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/14097542507494495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=14097542507494495' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/14097542507494495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/14097542507494495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2011/03/por-uma-vida-mais-contemplativa.html' title='Por uma vida mais contemplativa'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-5024430198264325243</id><published>2011-02-15T09:23:00.000-03:00</published><updated>2011-02-15T09:24:50.025-03:00</updated><title type='text'>Yoga, sociedade e estado de graça não são gratuitos...</title><content type='html'>As circunstâncias nos movem. Indivíduos, grupos e sábios, ninguém lhes escapa. Evolução, na acepção de mudanças adaptativas às circunstâncias, talvez seja a expressão mais adequada. Uma andorinha só não faz verão, e se um líder mobiliza muita gente, que mobiliza muito mais... podemos seguir interligando os ditados e construir uma teoria cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shri Yogendra, ao fundar o The Yoga Institute em 1918, exemplifica uma dessas adaptações: um movimento autodenominado "Renascença do Yoga". Ele e alguns outros seus contemporâneos (Ramakrishna, Shivananda, Aurobindo, Yukteswar, Yogananda entre outros) pegaram a onda do renascimento indiano (movimento de libertação da Índia do final do século XIX ao meio do XX) e reapresentaram o Yoga à própria Índia, de um modo mais inclusivo e extensivo até para os ocidentais adotarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As origens do Yoga, no entanto, confundem-se com um período de grande produção cultural de uma civilização já bem sofisticada, a ponto de produzir escolas de pensamento e princípios filosóficos, bem anteriores aos que depois nos chegaram via Grécia e Egito. Portanto, social na origem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É marcante, porém, a alegoria do sadhu, do eremita e outras que dão uma aura de mistério e poder extraordinário a indivíduos, admirados ou temidos por seu grande conhecimento e superior sabedoria. Mas essa figura individualizada e singular não é exclusiva de indianos, ela espalhou-se pelo mundo. Talvez preencha uma figura arquetípica que nos habita, os humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da personalidade ao coletivo social, destaca-se, na sistematização do Yoga de Patanjali, a necessária harmonização da atuação individual com os outros no mundo (uma espécie de tríade inescapável de autossustentabilidade). O que constitui um desafio e tanto para compatibilizar em todas as épocas. Nós sentimos com a intensidade das nossas circunstâncias, mas, em cada época, vivem-se as respectivas circunstâncias, e não há evidências de que tenha havido "moleza" em alguma delas para todos os viventes, embora sortudos e espertos sempre obtenham privilégios em relação aos cidadãos normais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lideranças sociais bem sucedidas têm que dar um jeito de conduzir o coletivo, mas esse nunca foi o caso do Yoga (apenas uma das escolas de pensamento tradicional). Na Índia, o movimento de desobediência civil potencializou o inconformismo e mais um todo de características socioculturais-político-religiosas próprias com as circunstâncias de enfraquecimento do poderio da Inglaterra na segunda guerra mundial. Um coletivo de enorme complexidade para qualquer tentativa de captura intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A introspecção individual, no entanto, é mais necessária que desejável como condição do viver (passado o susto e a carreira que permitiram a sobrevivência à circunstância de aniquilamento eventual, que volta e meia nos ameaça de modo radical, desde os primórdios da espécie humana). Quanto mais tranquila e consciente, melhor. Mas se não der, pelo menos temos que descansar ou dormir em paz, com regularidade, para vivermos bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desafios, afazeres, sempre haverá bastantes. Solicitações e demandas, então, nem falar. Porém, são os comportamentos pessoais de cada um de nós que nos colocam mais ou menos à mercê desses fatores externos. Na maioria das vezes, seria possível evitar ou reduzir a nossa exposição aos excessos de fatores externos. Mas somos "viciados" em nossos comportamentos habituais. A "autodesintoxicação" depende mais de aproveitar algum relance momentâneo de lucidez, que nos estimule a pequenas mudanças de comportamento, que possam prosseguir alterando o rumo habitual (como nos movimentos sociais de mudanças que, embora só percebidos quando se agigantaram, tiveram origem e desenvolvimento em pequenas diferenças de atitudes, que se foram reforçando até serem reconhecidas e respeitadas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praticar Yoga, meditação, introspecção, reflexão crítica ou outros artifícios que dão chance a mudanças virtuosas: essa é a dica, o pulo do gato. O importante é prosseguir até conseguir disciplina de praticar as virtudes e saborear o caminho do viver nas circunstâncias disponíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-5024430198264325243?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/5024430198264325243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=5024430198264325243' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5024430198264325243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5024430198264325243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2011/02/yoga-sociedade-e-estado-de-graca-nao.html' title='Yoga, sociedade e estado de graça não são gratuitos...'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-5535550269391130781</id><published>2011-02-05T18:08:00.001-03:00</published><updated>2011-02-05T18:25:31.351-03:00</updated><title type='text'>Yoga básico</title><content type='html'>Fazer e ser. Manter-se atento a essa dualidade é essencial em Yoga. Somos ao mesmo tempo o personagem que está atuando e o ator ou a atriz que testemunha o que fazemos. Observamos e prestamos atenção a quem de fato somos. Assim, evitamos atitudes que não tem a ver com o que somos, que são danosas a nós. O propósito é conseguirmos viver da maneira mais adequada a cada um de nós, de acordo com as circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os exercícios, chamados de postura, são voltados para o equilíbrio, a respiração, o alongamento e a tonificação. Na prática dessas posturas, são estimuladas quatro atenções: perceber onde se está, perceber as circunstâncias, abrir mão de agir e autoconfiança (com foco no social).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos muito cobrados a fazer, a agir. Mas a vida não é só fazer. Muitas vezes, basta a nossa presença, o exemplo que damos. Então, abrir mão, deixar que tudo aconteça naturalmente, é muito importante. Se pararmos para pensar, boa parte do que acontece conosco não depende da nossa disposição de agir: o batimento cardíaco, a temperatura corporal, tudo isso é feito pelo sistema nervoso autônomo. Por isso enfatizamos a terceira atitude, que é deixar-se também seguir no piloto automático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é que os exercícios sejam uma oportunidade para cada um de nós se descondicionar, perceber as próprias atitudes, respirar bem e recondicionar. Acertar o caminho pela felicidade, por sentir-se bem consigo mesmo e com os outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem busque a felicidade como um objetivo a ser alcançado, enquanto outros preferem curtir a caminhada. Qual dos dois tem mais felicidade? Quem atinge os fins ou quem aproveita intensamente o caminho? Provavelmente em algum meio termo, nesse intervalo entre o caminho e a meta deve haver um ponto, uma região de felicidade que atende individualmente a cada um de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estar disposto a ser feliz já é meio caminho andado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-5535550269391130781?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/5535550269391130781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=5535550269391130781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5535550269391130781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5535550269391130781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2011/02/yoga-basico.html' title='Yoga básico'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-6810420122441436938</id><published>2011-01-11T08:39:00.001-03:00</published><updated>2011-01-17T13:44:15.595-03:00</updated><title type='text'>A arte de não-agir</title><content type='html'>Viver é agir. Mas não-agir também é necessário. Podemos agir apenas o suficiente para que socialmente fique tudo bem (o que não é pouco). Não precisamos sobreagir, exagerar no agir. O cansaço é um sintoma de que estamos indo além do necessário, ou pelo menos além do nosso limite – senão não precisaríamos “des-cansar”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática de Yoga é bem mais do que exercícios físicos, de alongamento ou de tonificação muscular. Inclui o cultivo da não-ação em alguma forma que seja acessível para cada pessoa. Por exemplo, propõe-se o exercício de ficar sentado, em silêncio, de olhos fechados, serenando a agitação mental. Essa forma de meditar sentado, com a coluna ereta e as mãos colocadas uma sobre a outra, apoiadas à altura do ventre, também é comum ao zen-budismo, e é chamada de Vipásana. Cultiva-se um estado de contemplação - dhyana, em sânscrito, que é a origem da palavra japonesa zen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meditação clássica possui três estágios: o primeiro é Dharana, concentrar-se, focalizar a atenção em algo; o segundo é Dhyana, contemplar – que é simplesmente a passagem do primeiro para o segundo estágio – que se dá pela continuidade, sem esforço; e, por último, atinge-se o estágio de Samadhi (em que o meditante sente-se em comunhão com o que observa na concentração).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não estiver habituado a meditar, a cultivar esse estado consciente de não-ação, pode sentir dificuldade de iniciar-se nessa prática. Algumas dicas podem ajudar bastante, como ir colocando a atenção em cada parte do próprio corpo, desde a cabeça até os pés e, assim, sentir, perceber cada uma dessas partes; em seguida, sentir todas as partes do corpo ao mesmo tempo. Pode-se, a seguir, imaginar um espelho diante de si e passar a sentir cada parte do corpo, cuja imagem se reflete nesse espelho imaginário. O espelho pode ir mudando de posição (ora à esquerda, ora à direita, ora por trás, ora por cima) e você ir sentindo as partes do seu corpo, que se vão refletindo no espelho em cada posição. Outra dica é focalizar os olhos fechados na luminosidade que se percebe entre as sobrancelhas e assim permanecer por um bom tempo. Todas essas dicas podem ser aplicadas em seguida, uma à outra, de modo que o tempo total seja de uns cinco, ou dez, ou quinze minutos, ou o tempo que você quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se que, enquanto se permanece assim, nessas posturas meditativas, o mundo continua a existir, os sons prosseguem acontecendo, continuamos a respirar, pensamentos ou imagens também podem surgir em nossas mentes. Tudo isso é normal e, portanto, o meditante prossegue sem se abalar: percebe tudo, mas presta atenção apenas na luminosidade entre as sobrancelhas ou em algum objeto que tenha escolhido para mirar a atenção. À medida que o hábito de meditar vai-se repetindo, vai ficando mais fácil (embora retrocessos também sejam normais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses são artifícios para focalizar a atenção em algo que não tem nada a ver com a vida social e, por isso, propiciam a não-ação. Há vários outros, como alternar a atenção nos sons ao seu redor e no seu movimento respiratório de ora inspirar, ora expirar. Entre outros benefícios, isso facilita administrar o estresse pessoal e estar mais presente nas situações da vida.  Além de cultivar a não-ação, por meio da meditação, também se incentivam quatro atitudes básicas, as quais ajudam a enfrentar as situações estressantes: perceber onde se está, perceber-se em relação ao ambiente em que se está, perceber o quanto se apegar ou desapegar nessas situações e manter a autoconfiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destaca-se, em Yoga, a percepção social e de si mesmo nesse ambiente, de tal modo que a nossa vida não tenha um nível de estresse destruidor, embora algum estresse seja inevitável e às vezes necessário. Também o desapego é enfatizado, para cultivarmos a sensação de leveza e de liberdade. O propósito é percebermos onde estamos, como interagimos socialmente e o quanto essa interação social nos permite liberação, viver em paz e ter leveza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yoga está muito relacionado à prática social: observação, atitudes e revisão de comportamentos. Isso pode vir a exigir uma revisão de nossos hábitos, o que é muitas vezes bem exigente, pois naturalmente procuramos sempre estar em uma situação de conforto. Resistimos a mudanças – mesmo quando esse conforto não é tão confortável assim. No entanto, os exercícios preparatórios que foram indicados são tão fáceis e agradáveis, que basta começar a fazê-los para já sentir resultados positivos. Daí, é prosseguir diariamente, e você vai descobrindo prazer em fazer os exercícios. Também vai perceber que há muitas ocasiões (durante o dia, em casa, no trabalho, na escola, até numa fila de espera) que são oportunidades para praticar alguma forma de meditação ou de não-agir. Espero que você curta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-6810420122441436938?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/6810420122441436938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=6810420122441436938' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6810420122441436938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6810420122441436938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2011/01/arte-de-nao-agir.html' title='A arte de não-agir'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-4429281304760725104</id><published>2010-11-06T13:34:00.000-03:00</published><updated>2010-11-06T13:43:11.745-03:00</updated><title type='text'>De olhos abertos para dentro</title><content type='html'>Os exercícios em Yoga e Meditação são oportunidades para praticarmos quatro atitudes: de perceber onde se está, de estar em si mesmo, de desapego e de autoconfiança. O propósito é fazer com que o nosso cotidiano seja agradável, confortável, socialmente razoável e isso nos permitir meditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meditação é a oportunidade que nós criamos para lidar com o nosso mundo interior. No ritmo de cada um, vamos treinando para que isso se torne habitual. O ideal é introduzirmos o hábito de meditar em nossas vidas a ponto de a nossa vida onírica ser tão real quanto a material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É perfeitamente possível integrarmos a nossa vivência de olhos abertos com a nossa vivência onírica. Assim, exercitamos o estado de não-ação, em que internamente ficamos abertos para deixar manifestações oníricas acontecerem. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A técnica de meditação usa um artifício que é visualizar algo, de olhos abertos ou fechados, até que se dê uma identificação com o objeto. Quando nos habituamos com algo, deixamos de percebê-lo como distinto de nós; ele passa a fazer parte de nós. O que passamos a perceber é algo diferente daquele algo. Nós nos tornamos uno com o objeto da meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, a meditação pode reduzir-se a um exercício de visualizar. Logo, podemos apenas ficar vendo, em nossa imaginação, um lugar que gostamos ou uma pessoa que admiramos. O propósito é se identificar com o que é bom, positivo, que propicie um estado agradável para nós. O exercício será tão melhor e mais criador de hábito quanto mais condição tiver de propiciar algo agradável, que nos dê vontade de fazer novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, escolha a imagem de alguém que você gosta muito. Feche os olhos e concentre-se nessa pessoa. Você pode até se imbuir do desejo de incorporar as virtudes dela. Os melhores horários para praticar esse exercício é antes de dormir e quando acordar. Nesses horários há menos interferências e solicitações externas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é se habituar a meditar, aperfeiçoando-se na medida da sua realidade. Se você está vivendo uma realidade muita intensa, pode fazer uma visualização da realização positiva daquela coisa a qual está envolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que praticamos a meditação, vamos nos habituando a transitar do corpo (campo) físico para o corpo das emoções, dos significados, dos supra-significados culturais, até um  estado de transcendência ou liberação. É uma experiência possível só para quem a praticar, praticar, praticar... como puder, quando puder, até tornar-se um hábito regular.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-4429281304760725104?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/4429281304760725104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=4429281304760725104' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4429281304760725104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4429281304760725104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2010/11/de-olhos-abertos-para-dentro.html' title='De olhos abertos para dentro'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-3248785429019287670</id><published>2010-08-26T08:49:00.003-03:00</published><updated>2010-08-27T16:05:53.195-03:00</updated><title type='text'>Aprendendo a viver e a morrer na graça divina</title><content type='html'>Em Yoga e meditação, cultivamos quatro atitudes essenciais, associadas aos exercícios de postura física: consciência do mundo exterior, percepção do mundo interior, desapego e autoconfiança. Perceber o que é exterior é compreender o ambiente, o que ele exige para se estar ali; enfim, o modo mais adequado de nos comportarmos naquele ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contrapartida, na consciência de si mesmo, cada um se percebe e se referencia a um modelo com o qual se identifica. E isso pode suceder várias vezes ao longo de uma vida, continuamente. Mas com quem mesmo nos percebemos identificados? Que “eu” é esse com o qual cada um se identifica? Seria o “eu mesmo” que vemos no espelho? Seria um personagem que assumimos no cotidiano? Isso pode levar a uma discussão sem fim. Os hinduístas procuram tornar mais objetivo esse processo. Na meditação, por exemplo, podemos nos identificar com o que observarmos atentamente: uma pessoa, uma imagem, um objeto; observar com a intenção de “querer ser” aquilo que observamos. Haverá um momento em que, ao fecharmos os olhos, seremos capazes de ver o que observávamos. Dá-se naturalmente uma identificação. Primeiro nós nos concentramos (Dharana), olhamos fixamente. Depois passamos para o estado de contemplação – Djana (palavra que, por um processo de transição da antiga Índia até o Japão, tornou-se “Zen”). Nesse estado contemplativo, não há mais esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A identificação, pela simples observação frequente, ocorre conosco todos os dias. Nós nos habituamos ao ambiente e, quando algo muda, percebemos a mudança, pois já estávamos identificados com o ambiente. Também nos identificamos conosco mesmo, com o nome que temos, com os muitos nomes que nos deram e com as várias imagens que vemos continuamente ou várias vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há um terceiro estágio – Samadhi –, quando abrimos mão da identificação: nós e o que observamos nos transformamos em uma coisa só, formamos um todo para a nossa percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provável que no cotidiano algumas coisas sejam mais percebidas do que outras; nós nos identificaremos mais com elas. Logo, se fizermos um ritual de meditação com qualquer uma dessas pessoas, qualidades, situações ou coisas poderemos cultivar um estado de Samadhi em relação a elas. Assim, seguimos o passo a passo da meditação (Dharana, Djana, Samadhi) e nos liberamos delas, superamos a identificação. É como se, na vida pessoal, abandonássemos os pronomes possessivos e seus conceitos, nos desapegássemos, nos “desidentificássemos”, e passássemos a lidar naturalmente com a realidade como ela é simplesmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa desidentificação se dá em relação a um "si mesmo" ilusório, ao qual nos habituamos; assim, não se muda a essência, chega-se a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos, portanto, aperfeiçoar nosso modo de ser, de agir e de reconhecer nossa autoimagem, na medida em que cultivarmos identificações que nos façam pessoas melhores. O melhor é procurarmos nos identificar com algo ou pessoas com os quais tenhamos alguma simpatia, que nos façam bem. Assim, cuidado com o exagero de sua atenção para encrencas, pessoas de baixo astral e ressentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, num propósito operacional, podemos aperfeiçoar quem somos e superar desconfortos. Mas o propósito fundamental, que o mestre Patanjali sugere, é a liberação na vida e a preparação para algo que é inerente a ela: a morte. Morrer também é um processo de desidentificação, semelhante ao de meditação. Quando nos fixamos em uma imagem, abandonamos o corpo físico, as emoções e os significados. Saímos, literalmente, do mundo e passamos a um estado de graça. A prática de meditação nos habitua a um processo controlável de aperfeiçoamento e de abrirmos mão das identificações para nos colocarmos em um estado de liberdade inigualável em termos mundanos: de graça divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-3248785429019287670?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/3248785429019287670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=3248785429019287670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/3248785429019287670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/3248785429019287670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2010/08/aprendendo-viver-e-morrer-na-graca.html' title='Aprendendo a viver e a morrer na graça divina'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-1636264383641688335</id><published>2010-08-19T16:47:00.001-03:00</published><updated>2010-08-26T15:17:16.974-03:00</updated><title type='text'>O desafio de ser livre</title><content type='html'>Quando se fala em Yoga, quase sempre as pessoas se referem à prática de duas maneiras: como algo muito esotérico, com figuras que são de outro mundo, vivendo experiências fantásticas de iluminação; ou como algo restrito a pessoas com grande flexibilidade corporal, verdadeiros contorcionistas. Essas imagens são apenas caricaturas. Na verdade, o praticante de Yoga é aquela pessoa que resolveu prestar atenção em si, nos outros, na vida, no mundo, de modo que seja bom para todos e possibilite a ela ir além da mera sobrevivência cotidiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior desafio mesmo é, ao chegarmos à idade em que chegamos, conseguirmos harmonizar as pressões externas e o nosso bem-estar. Ao longo da vida, vamos nos adaptando ao mundo e criando o nosso próprio esquema de sobrevivência social. Conseguimos ser aceitos socialmente. De algum modo, descobrimos algumas fórmulas que dão certo. Mas isso acaba nos exigindo alguma conformação. Então, cada um de nós expressa essa conformação que adotou. Em alguns casos, ela é perfeita, na medida do bem-estar de cada um. Se houver alguma medida de desconforto, é uma indicação de que algo precisa ser mudado em sua vida. Perceber isso é que é difícil. Não somos ensinados em casa ou na escola a esse respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, começamos a perceber intensamente o desconforto e nos exasperamos, queremos mudar. Mas sem precisar chegar a extremos, cada um, dentro da sua realidade pessoal, pode perceber o quanto pode fazer para melhorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática de Yoga está associada a uma palavra que em português se chama meditação. Também poderia ser chamada de contemplação. Meditação e Yoga são quase uma coisa só. Podemos dizer que Yoga é um arcabouço que dá uma compreensão geral. Meditação, por sua vez, é o principal exercício. O propósito é buscar o estado de felicidade, consigo mesmo e com os outros. Em sânscrito, esse propósito tem o nome de Moksha, que significa liberação. Na concepção dos gregos, só a alma (Atma) se liberava do desconforto social. Já na concepção de Yoga, não precisamos morrer para nos liberarmos. A ideia é que levemos a vida de tal modo que consigamos nos sentir livres, vivendo a liberdade de forma que ela esteja compatível, harmoniosa com a exigência social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa principal tecnologia é social: lidarmos uns com os outros de forma harmoniosa. Então, a primeira atitude que se cultiva em Yoga é perceber o ambiente. Assim, conseguimos harmonizar a nossa liberdade com as restrições que o ambiente impõe. Em seguida vem a atitude de perceber-se, não só fisicamente, mas principalmente perceber com o que ou quem nos identificamos, de modo a cultivarmos virtudes, qualidades e características que nos sejam preciosas. Em contrapartida, vem a terceira atitude, a de desapego, em relação não apenas com o que não mais necessitamos, mas sobretudo com quase tudo com o que nos identificamos, de modo a cultivarmos a maior de todas as liberdades: a de simplesmente viver e morrer. Para tanto, nos valemos de uma quarta atitude, a da autoconfiança, a qual é gradualmente desenvolvida em conjunto com a prática das três anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os exercícios de meditação, respiração e as posturas de alongamento associadas constituem oportunidades físicas para praticar introspectivamente essas atitudes e aperfeiçoar as condições da nossa liberação e bem viver. Pratique e prossiga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-1636264383641688335?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/1636264383641688335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=1636264383641688335' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/1636264383641688335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/1636264383641688335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2010/08/o-desafio-de-ser-livre.html' title='O desafio de ser livre'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-8996377200197963369</id><published>2010-06-24T13:29:00.002-03:00</published><updated>2010-06-24T13:35:09.176-03:00</updated><title type='text'>Estudar é preciso, viver também</title><content type='html'>Em Yoga, dá-se ênfase ao cultivo de cinco estímulos: da pureza, do contentamento, da tenacidade, do estudo e da humildade - “render-se à vontade divina” (Ischivara pranidana). E por que é tão importante estudar? Para compreendermos o contexto, em que estamos. Para isso, é estimulado o estudo não apenas do momento atual, mas também das “escrituras”, das origens de nossa cultura, para compreendermos como chegamos até hoje e aonde vamos. Isso nos dá uma enorme autonomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No contexto da tradição hinduísta, não há qualquer necessidade de intermediação entre o ser individualizado e o não-individualizado; em outras palavras: não há separação entre nós e Deus. Nessa compreensão, todo mundo é simultaneamente matéria e divindade, mundano e sagrado; a vida surge com a dualidade manifestado e não-manifestado, sutil e denso. Não há necessidade de intermediação artificial. E mesmo nessa cultura, que parte do princípio que não há intermediação, há forte estímulo ao estudo, à compreensão, ao aperfeiçoamento de nossa divindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, cada um de nós nasce Deus, mas a vida nos leva a tantas direções simultaneamente, exige de nós tantas coisas, que acabamos não percebendo que somos divinos e nos tornamos apenas alguém que consegue se articular para sobreviver. Como aquela fábula da águia que vivia no galinheiro desde que nasceu, ciscava como uma galinha, até que um dia percebeu a sua verdadeira natureza e saiu voando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, seja pelo estudo, pela convivência ou pelas oportunidades que nós mesmos nos propiciamos, acabamos desvelando a nossa natureza essencial, que é divina. Quanto mais estudarmos as nossas origens e o que nos cerca, mais ficamos independentes das intermediações equivocadas. Por isso, o sábio Patanjali chama atenção para a importância do estudo. Por meio do estudo, podemos compreender melhor as tendências que adotamos e em que elas estão baseadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós decidimos a realidade com o que já temos – basicamente a nossa memória, construída no passado. Se a nossa memória está sobre bases equivocadas, podemos tomar decisões absolutamente inadequadas, enfrentando a realidade de um modo que não vai dar certo; os princípios não são adequados a essa realidade. E qual o princípio mais adequado a uma determinada realidade? Podemos descobrir olhando pelo retrovisor, analisando o passado. Mas compreender o que uma tendência de fato revela de significante, para o momento presente, nos exige mais de atenção: percepção do presente e projeção de futuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As filosofias, as religiões, as escolas, de modo geral, são muito eficientes em nos oferecer tecnologia de viver em comunidade, de sucesso coletivo, com as quais criamos a possibilidade da nossa individualidade sobreviver no coletivo em que estamos inseridos. Por isso, a prática e o cultivo de Yoga e de meditação estão referidos ao coletivo e ao essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande propósito de Yoga é Moksha, liberação – liberar-se do contexto social em que nos encontramos para conseguirmos conviver com ele, sobreviver a ele e contribuir para que ele fique melhor. Da mesma forma, Yoga significa “cessação dos turbilhões da mente”, com o propósito de percebermos melhor onde estamos, com quem estamos interagindo, o nosso papel, as nossas possibilidades e, assim, realizarmos a nossa existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Thadeu Martins&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-8996377200197963369?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/8996377200197963369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=8996377200197963369' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8996377200197963369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8996377200197963369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2010/06/estudar-e-preciso-viver-tambem.html' title='Estudar é preciso, viver também'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-7756355974576979982</id><published>2010-06-11T10:03:00.002-03:00</published><updated>2010-06-11T10:12:14.179-03:00</updated><title type='text'>Dharma nosso de cada dia</title><content type='html'>Yoga e Meditação não surgiram do nada; foram constituídos ao longo da formação do Hinduísmo, o qual, como qualquer outro “ismo”, é uma construção histórica, antecedida pelo cotidiano de uma sobrevivência ancestral. No crescimento de uma civilização, é criado um ordenamento que garante a sobrevivência da maioria. São estabelecidas regras, muitas vezes à força, por uma determinação de poder que cria uma ordem de convivência. Vão-se criando histórias, observando princípios e tudo o mais que é ordenador. Com isso, chega-se à sofisticação cultural, social e filosófica, e cristalizam-se modelos explicativos da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modelo de explicação chamado – pelos europeus – de Hinduísmo refere-se à civilização surgida na região entre os rios Sarasvati e Indus. Essa cultura estabilizou-se por volta de quatro mil anos A.C., mas surgiu seis mil anos antes. Essa civilização criou uma compreensão da realidade a partir de uma dualidade original, que se manifesta por meio de três qualidades que constituem a expressão da vida: Sattva, Rajas e Tamas – o sutil, o movimento de transformação e a densidade. Com esses elementos iniciais construiu-se uma visão estrutural do universo, a qual está na base das escolas do pensamento constituídas na Índia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez que voltamos na história, encontramos modelos explicativos bastante complexos, mas todos eles vão-se acumulando, acrescentando uns aos outros. O que nos garantiu sobreviver como espécie por cem mil anos é a nossa capacidade de criar um sistema de regulação dos comportamentos à moral. Todos nós temos liberdade de fazer o que quisermos, até o limite que a organização social estabelece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, em Yoga, o sábio Patanjali enfatiza o controle do comportamento social, por meio de restrições (yamas) e de não restrições (niyamas). Por um lado, os yamas: evitar o ofender, evitar o mentir, evitar a dispersão do ser (que alguns traduzem de forma equivocada como “evitar o abuso da sexualidade”), evitar o roubar, evitar o cobiçar. Por outro lado, os niyamas: cultivar a pureza, cultivar o contentamento, cultivar a tenacidade, cultivar o estudo, e render-se à vontade divina (Ishivara Pranidana).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Socialmente, temos que estar bem resolvidos. Por isso, Patanjali reforça que fazer Yoga e Meditação é praticar atitudes. E a primeira delas é compreender a ordem, o Dharma - ou seja, saber onde estamos pisando. Precisamos treinar para adquirir essa percepção. Depois vem a atenção para o corpo, com atitudes de autopreservação, cuidado e cura. Em seguida, o cuidado com a energia, com a atividade, que deve ser adequada a cada momento. Então chegamos à mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na compreensão hinduísta, a nossa mente cria realidade; percebe e registra – cria memória; as memórias se conectam e criam noções de tempo e espaço. Com isso, podemos viver o tempo todo no presente, projetando o futuro, rememorando o passado e agregando essas três possibilidades. Patanjali sugere a prática do controle mental: perceber o que é passado, presente, futuro e o que é adequado ao momento. Isso também exige bastante treino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na medida em que praticamos essa atenção e compreensão, criamos condições de ir além do que é apenas dado pela herança genética ou pela complexidade social. Abrimos possibilidades que não são dadas pelo cotidiano e que cada um de nós pode descobrir. Podemos assim ter acesso até ao que está além do espaço-tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-7756355974576979982?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/7756355974576979982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=7756355974576979982' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7756355974576979982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7756355974576979982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2010/06/dharma-nosso-de-cada-dia.html' title='Dharma nosso de cada dia'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-7156618307690261226</id><published>2010-05-21T14:20:00.001-03:00</published><updated>2010-05-21T14:26:08.208-03:00</updated><title type='text'>Todo dia é dia de Yoga</title><content type='html'>Em Yoga e meditação, o importante é criar condições para praticar diariamente. Basicamente há dois momentos: um, que tem a dimensão que você quiser, de preferência o dia inteiro, pois, no fundo, estamos falando de um modo de viver, sem estresse; o outro momento inclui aqueles em que somos tomados por uma determinada situação, por sentimentos intensos, positivos ou negativos. Esses momentos extremos são os mais exigentes, pois neles podemos nos perder. E não há sábio que não esteja vulnerável a uma situação dessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, a sugestão é treinar, condicionar-se, exercitar a capacidade de concentrar-se, de respirar corretamente, de lidar com a realidade de uma forma adequada. Assim, vamos aumentando a nossa capacidade de manter a tranquilidade e o autocontrole diante das situações mais difíceis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não basta fazer um exercício apenas, por mais maravilhoso que seja, num período curto, determinado. Afinal, temos uma vida inteira de desafios. Essa “vida inteira” exige saber lidar com os desafios, ser feliz, curtir, deixar passar, ser maleável. O grande propósito de viver é simplesmente continuar vivendo. O momento que deixamos de viver está absolutamente fora do nosso controle. Se tudo é passageiro mesmo, vamos lidar com essas circunstâncias do melhor modo possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cotidiano, podemos nos habituar a nos sentirmos um yogue, ou uma yoguine, praticando o estado de tranquilidade, evitando exageros. Podemos também reservar alguns minutos do dia para lembrar que o nosso corpo e a nossa respiração existem. O mais difícil é ficar sem fazer absolutamente nada. Não somos incentivados a isso, de forma alguma. Viver é realizar, mas também é “não agir”, deixar que a vida prossiga. Essa capacidade de deixar a vida seguir nos dá a consciência de que tudo é impermanente, transitório. Claro, haverá algumas tarefas que teremos de fazer. Faça e pronto, acabou. Dê chance a outra pessoa fazer também. De insubstituíveis, o cemitério está cheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos importantíssimos para quem nos ama, para nós mesmos e para a vida. Tanto é que estamos vivos. Isso já é muito bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, crie uma disciplina de praticar minimamente os exercícios de Yoga. Durante todos os outros horários da vida, mantenha essa consciência, com a capacidade de fazer e ser testemunha do que faz, e vá praticando o seu trabalho, as suas atividades. Preste atenção em você mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pratique Yoga todos os dias, e sem estresse, sendo testemunha de si mesmo. Só o fato de estar prestando atenção em si, já é ótimo. Perceba que você é uma pessoa livre, que tudo passa, que nada é tão importante assim. Em geral, a felicidade é feita de pequenas coisas. Saboreie!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-7156618307690261226?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/7156618307690261226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=7156618307690261226' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7156618307690261226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7156618307690261226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2010/05/todo-dia-e-dia-de-yoga.html' title='Todo dia é dia de Yoga'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-7544901718633314896</id><published>2010-05-14T16:41:00.003-03:00</published><updated>2010-05-14T16:45:36.976-03:00</updated><title type='text'>Salto vital e fugaz</title><content type='html'>Todos nós temos necessidade de um sentido de ordenamento, de sequência, de causa e efeito, de propósito. Por isso criamos modelos de compreensão, mas que não são a realidade. O real mesmo é o “aqui e agora”. Fora disso, tudo será representação, alusão, indicação. Estaremos no mapa, não no território.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, de certo modo, ocorre em todas as nuances da vida. Conforme lembrava o historiador Arnold Toynbee, somos seres anfíbios, com os pés na terra e a cabeça no oceano conceitual. Ou seja, vivemos ao mesmo tempo num mundo material, das relações sociais, e num mundo conceitual, que cria ordenamentos e modelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao expressarmos o nosso modelo de compreensão da realidade, reproduzimos uma mescla do que a natureza ou as circunstâncias nos oferecem ou impõem. É desse modo que a vida nos forma (natureza &lt;em&gt;versus&lt;/em&gt; educação). O que cada um de nós fala sobre algo é sempre uma referência, um modelo, uma racionalização da realidade, que pretende substituir o real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez que nos referimos à realidade, temos uma experiência concreta. Quando transferimos essa experiência para quem não a viveu, representamos essa experiência para alguém. Esse, por sua vez, conta o que ouviu para outra pessoa. Assim, a mesma história vai sendo contada ao longo do tempo, com algumas alterações, até constituir algo simbólico, que não precisa mais ter nada a ver com o real, com o material que deu origem àquela história. Desse modo, o simbolismo vai sendo construído, lá dentro de cada um de nós, e satisfazendo a nossa necessidade de ordenamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos, com nossa rede de 15 bilhões de neurônios, nossa própria percepção da realidade. Percebemos, interpretamos, traduzimos e transmitimos essa realidade em todos os momentos. E para tornar a convivência possível com outras pessoas, vamos nos acomodando, criando pactos. Foi dessa forma que a humanidade conseguiu sobreviver num ambiente hostil, cheio de predadores, com um corpo extremamente frágil. Tudo graças a nossa extraordinária capacidade simbólica, de ordenamento e de acomodação social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós temos sequências simbólicas bastante antigas. Por exemplo, todas as comemorações cristãs – Natal, Páscoa, São João e outras - são referências aos cultos pagãos, relacionados aos equinócios e solstícios. Isso tudo tem pelo menos dez mil anos, enquanto os evangelhos foram escritos (na forma hoje conhecida) a partir do séc. IV, segundo valores do Império Romano de Constantino. Foram relatos transmitidos em forma conveniente a uma determinada época. Então, a história que recebemos transcrita nesse exemplo dos cânones da Igreja Católica reproduz uma conveniência circunstancial criada no séc. IV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase tudo com o qual temos contato hoje, como dogma estabelecido, também é circunstancial, surgido num determinado momento da história, num contexto político, social e econômico de poder e linguagem, que permitiu seu surgimento. A partir de princípios como esses, criam-se condicionamentos, estabelecem-se situações de poder e chega-se até nós em configurações de acomodação de sobrevivência, que interessam a quem está vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos vivenciando as experiências possíveis, de acordo com o que a época e as circunstâncias permitem.  O grande escritor brasileiro Osman Lins faz uma bela representação da vida como o salto de um peixe. Viver seria o salto do peixe, que tem a experiência que estamos tendo, de individualidade. De repente, do indeterminado, que é o fundo do oceano, surge um peixe, que logo volta para as profundezas das águas. Surge o indivíduo e logo desaparece. Esse indivíduo que surge, teve a experiência da individualidade. E pode acontecer de tudo: raios, tempestades, pássaros que podem comer o peixe; ou não acontecer nada. Cada um de nós, no seu salto do indeterminado até a volta, terá experiência concreta do real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também pode ocorrer de um cardume saltar e cada peixe ter a sua experiência de individualidade. Podemos chamar o cardume de um evento de uma mesma geração. Cada geração compartilha modelos de compreensão da realidade, dando o salto do peixe na mesma época.  As verdades que compartilhamos são relativas, de acordo com o histórico e a geração de cada um, com o cardume de cada um, com o que nos antecedeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, nossas experiências podem ser muito semelhantes e simultaneamente distintas entre si. A vivência de individualidade única está mesclada com o coletivo de cada geração e com a indeterminação que nos veio a anteceder e nos virá a suceder. Para alguns há a possibilidade de se habituar a reduzir os excessos de informação e solicitações sociais e a compreender que os modelos de representação ou compreensão condicionam bastante o que se vive. Para esses yogues urbanos, abre-se a possibilidade de perceber a realidade de modo mais direto e menos confuso. Para esses, não é preciso morrer para que a alma se libere da cidade e do turbilhão social. Para esses, é possível viver de modo socialmente responsável, humanamente feliz, espiritualmente em harmonia... e são pessoas iguais às que você vê no espelho todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-7544901718633314896?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/7544901718633314896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=7544901718633314896' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7544901718633314896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7544901718633314896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2010/05/salto-vital-e-fugaz.html' title='Salto vital e fugaz'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-8747782718685469585</id><published>2010-03-15T21:44:00.000-03:00</published><updated>2010-03-15T21:45:34.659-03:00</updated><title type='text'>Transtornos urbanos e pessoais simplificáveis</title><content type='html'>No Brasil, observa-se uma desagregação social como fenômeno, em grande parte, relacionado ao êxodo rural. Cerca de 85% da população brasileira veio a concentrar-se nos grandes centros urbanos. Sobraram apenas 15% no campo. Há 50 anos, a proporção era quase o inverso. Essas pessoas, ao saírem das cidades de origem, perdem os laços com seus familiares, sua cultura e seu ambiente. É nas Igrejas ou nos templos que muitos encontram um código de conduta e se sentem inseridos em comunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As igrejas ou templos, de modo geral, têm um papel de tranquilização social muito importante. De certo modo, complementam a função da família na adequação do indivíduo à sociedade; nos dias de hoje, ajudam a evitar a anomia crescente, ou seja, a perda do significado individual e da referência familiar. Essas duas condições entre outras são propiciadoras de transtornos mentais e comportamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde há estrutura familiar forte ou coesa, a quantidade de perturbações e complicações é muito menor. Talvez um dos segredos da longevidade social da Índia seja a densidade religiosa deles. Lá, todo mundo é religioso, até os materialistas! Apesar da miséria, há uma extraordinária integridade social. Com uma população que transborda um bilhão de pessoas - em que pelo menos 700 milhões estão muito abaixo da linha da pobreza -, a Índia tinha tudo para viver em permanente convulsão social. Mas lá, a estrutura familiar e o tecido social são muito fortes. Então, mesmo nas situações inimagináveis de pobreza e miséria, tudo se mantém estruturado. Isso permite que as pessoas sobrevivam e evita que os conflitos se generalizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza da vida é de contínua estruturação. Na natureza há uma necessidade extraordinária de organização. A matéria em si mesma traz um ordenamento. Ela se auto-organiza. Então, em termos sociais, quando se bagunça o ordenamento, a sociedade se esvai. Do mesmo modo, quando limpamos a casa, por exemplo, o que fazemos é desestruturar a organização da sujeira para que ela não se estabeleça (evitamos que ela se organize ou reorganize).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos pessoais, precisamos cuidar de nossa organização, desorganizando aquilo que nos prejudica. Quando você percebe que tem um comportamento que está lhe prejudicando, chegou a hora de desestruturá-lo. Se você permitir que ele continue a se estruturar, daqui a pouco você vai virar um mero joguete dele. O que nos faz mal com regularidade está organizado e estruturado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor maneira de fazer essa desestruturação dos maus hábitos é pela mudança radical. Primeiro pela interrupção, pela restrição; depois pela criação de artifícios de mudança: respirar profundamente algumas vezes, fazer ou pensar outras coisas, ir contando quantas vezes você está respirando até passar de trinta vezes... É preciso impedir o caminho habitual do que nos faz mal (ou pelo qual nos fazemos mal). Assim, o cérebro é levado a focalizar outras emoções, outras opções de comportamento, outras possibilidades de sentimentos e ações correspondentes. E procurar ajuda: as chances de mudança são facilitadas por um ambiente de reforço afetivo: amigos, grupos de apoio, terapeutas, família, círculos religiosos, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais difícil talvez seja estudar e compreender o problema: a origem do comportamento ruim e recorrente (“afinal, por que eu continuo agindo desta forma?”). Para isso há os psicólogos, os psiquiatras, os mestres espirituais ou as pessoas em quem se confia pela sua sabedoria e bom exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um sabe de si, mas uma pergunta que também podemos nos fazer: “preciso mesmo disso para viver, para ser feliz?”; pode muitas vezes nos mostrar um caminho de vida mais simples, com menos obrigações insuportáveis, com menos pressões de prazos e tempos mal negociados, com menos expectativas nossas e dos outros sobre nós. Que tal, então, começar hoje mesmo a interromper aquilo que nos prejudica? Quem sabe se pode simplificar mais o modo de levar a vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-8747782718685469585?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/8747782718685469585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=8747782718685469585' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8747782718685469585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8747782718685469585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2010/03/transtornos-urbanos-e-pessoais.html' title='Transtornos urbanos e pessoais simplificáveis'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-1232131390596505596</id><published>2009-12-23T19:18:00.000-03:00</published><updated>2009-12-23T19:19:48.909-03:00</updated><title type='text'>Ciclo essencial</title><content type='html'>Se existe algo que determina as condições de vida são os ciclos da natureza. Eles orientam, por exemplo, os ritmos biológicos humanos assim como o da migração dos bichos na direção em que o clima vai favorecer a alimentação e a sobrevivência.&lt;br /&gt;Há uma quantidade extraordinária de ciclos e a determinação dos marcos – começo, meio e fim – dos ciclos é arbitrária. Vide o horário de verão. Trata-se de uma convenção. Mas os ciclos, independentemente das nossas escolhas, continuarão acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os ciclos, o mais importante é o da noite e do dia. É o que mais determinou as condições de sobrevivência da vida na Terra. Esse ciclo está na origem remota da vida que somos. O dia permite a fotossíntese, a captação de energia que vai ser comida em toda a cadeia alimentar. A noite possibilita a recuperação, o descanso e até o crescimento (que só acontece nos humanos durante o sono noturno). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite e dia, dia e noite, formam o ciclo mais importante e também o mais desrespeitado, na medida em que temos luz à noite, graças à eletricidade. Ficamos acordados e ativos durante grande parte da noite e, assim, bagunçamos nossos ciclos biológicos. Pois, apesar da energia elétrica disponível, nosso organismo continua basicamente controlado pelo relógio dia/noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao trocarmos a noite pelo dia, ou entrarmos pela noite fazendo tudo que seria normal fazer durante o dia, nossa saúde é seriamente afetada. Evitar essa atividade noturna melhoraria muito a nossa vida. Mas, claro, se alguém estiver habituado a essa troca (embora o organismo jamais se habitue sem prejudicar-se cumulativamente), teria que criar artifícios para poder recuperar o ritmo natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A época de mudança do ano, início de um novo ciclo de translação da Terra em volta do Sol, poderia incluir essa vontade de recuperar os ritmos naturais: agendar compromissos e afazeres de modo bem distribuído ao longo da semana e do mês, para evitar acúmulos e “horas extras noturnas”; descansar um pouco antes de dormir; comer pouco e até pelo menos duas horas antes de ir dormir; acordar cedo e logo tomar o “café da manhã” (com bastantes proteínas e carboidratos); caminhar e fazer alguns exercícios leves de respiração depois do desjejum e, só então, arrumar-se e partir para realizar os compromissos externos, com bom-humor e entusiasmo. Afinal, o dia e você merecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-1232131390596505596?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/1232131390596505596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=1232131390596505596' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/1232131390596505596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/1232131390596505596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/12/ciclo-essencial.html' title='Ciclo essencial'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-7061783968807097407</id><published>2009-12-04T19:54:00.001-03:00</published><updated>2009-12-04T19:54:55.388-03:00</updated><title type='text'>Vida memorável</title><content type='html'>No nosso cotidiano, vivenciamos várias dimensões, vários aspectos: emocional, intelectual, comportamental e outros. Os momentos que exigem mais cuidado são quando nos dispersamos demais, nos diluímos, e quando nos concentramos em apenas uma dimensão. Ficar em todas as dimensões ou numa só eventualmente, não há problema. Mas se ficarmos nessas situações extremas, o tempo todo, poderemos nos tornar ausentes ou autistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, ficamos remoendo determinada situação que já passou, que já podia estar superada, mas insistimos naquilo que a situação nos marcou. Isso não resolve, nos faz sofrer e nos impede de seguir adiante. Portanto, é fundamental termos a capacidade de mudar de estação, de sintonia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Yoga, buscamos a cessação dos turbilhões da mente. Isso significa não se dispersar, não deixar que todas as dimensões tenham atenção. E, principalmente, ficar atento para que aquelas dimensões recorrentes sejam controladas. &lt;br /&gt;A dimensão recorrente aparece, principalmente, por um fenômeno mental comum a todos nós: a reminiscência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o professor Massaro Emoto, tudo o que é constituído por água tem memória acentuada. Conforme ele demonstra, o princípio ativo do oxigênio e o passivo do hidrogênio formam a capacidade de memorização que permite à vida realizar experiências e prosseguir. Ele comprova que a água é capaz de memorizar imagens e emoções. Como somos constituídos em pelo menos 70%, de água, podemos dizer que somos constituídos de memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda ação provoca resultado; o resultado é percebido; ao ser percebido, ganha significado e é memorizado, associado a determinadas referências, de tal modo que numa circunstância que precisemos, conseguimos recuperar a conexão das referências e utilizar isso ao nosso favor. Assim, a vida consegue fazer aquilo que é gradual: brotar e crescer. Quando determinada dimensão da vida chega ao limite, continua a crescer em outras dimensões. A potencialidade de crescimento gradual está baseada no princípio de memorização, porque é a partir de uma base que fazemos o momento seguinte. Esse também é o princípio dos fractais. A matéria se auto-organiza, cresce, cria redes a partir de um núcleo e vai crescendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nos deixamos levar pelos pensamentos que brotam e começamos a “resolver” situações que já passaram, ficamos fora da realidade, fora do momento presente; nós nos deslocamos para o passado e até podemos nos projetar para o futuro, sofrendo por antecipação. Ficamos, assim, envoltos no turbilhão da mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática de Yoga nos ajuda a ter mestria de como nos dedicarmos às dimensões da nossa vida de modo adequado a nossa felicidade; crescendo como pessoa, tendo experiências de realização plena, de forma íntegra, socialmente razoável e responsável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também podemos nos manter em apenas uma dimensão de forma positiva, meditando. Ao meditar, vamos abrindo mão de quase todas as dimensões sociais. Focalizamos num único ponto para nos abstermos do mundo e isso tem uma grande importância física. As causas de perturbação externas desaparecem, bem como seus efeitos. Ficamos absolutamente sós com a nossa essência de vida. Nesse instante, somos a vida. Nem nome temos. Tudo mais serena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se tivéssemos morrido estando vivos. Toda manifestação social da vida desaparece. Mas estamos mais vivos do que nunca. Somos o ser, em plenitude, em paz com nossa memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-7061783968807097407?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/7061783968807097407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=7061783968807097407' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7061783968807097407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7061783968807097407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/12/vida-memoravel.html' title='Vida memorável'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-1620766829187343432</id><published>2009-11-20T21:05:00.001-03:00</published><updated>2009-11-20T21:05:39.212-03:00</updated><title type='text'>O tal do tantrismo</title><content type='html'>A compreensão da nossa sexualidade está na origem do entendimento de nós mesmos e da vida. Na base da compreensão hinduísta está o óbvio, o visível, o factual: o relacionamento sexual próprio de todas as espécies. Essa base física de observação foi prosseguindo, no tempo, ganhando sofisticação e, por isso, afastando-se da origem, até esta virar simbolismo ou alegoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, o fato primário do surgimento da vida é visto como um fato tão comum, como se esse primário não fosse o fundamental. Cada um de nós dá mais importância àquilo que é mais exigente na sua circunstância, como os cuidados pela sobrevivência, enquanto a vida prossegue com a sua essência original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá no início das civilizações, por exemplo, nas origens do hinduísmo, a representação do início da vida se dá alegoricamente no formato do ovo conceitual. Esse ovo contém, simultaneamente, o princípio da manifestação (Prakriti) e da não-manifestação (Purusha). Essa dualidade é absolutamente uma, essencial e divina, a partir da qual tudo brota. A partir do desdobramento desse conceito, foi concebido o modelo hinduísta de compreensão da vida, que remonta a um tempo muito antigo. Nele ficou bem marcada a origem orgânica, a qual podemos sintetizar na palavra tantra (de tecido, trama, trança) que designa uma tradição de orientar o viver humano no sentido da sua essencialidade: o desenvolvimento do Ser. O tantrismo está relacionado com o princípio essencial e divino que está em nós, que viabiliza a vida, nos faz respirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se podemos criar inúmeros artifícios para nos sentirmos bem e felizes, certamente esses estão relacionados com atividades ou fatores importantes para o nosso processo de vida, como a alimentação, o sono, o descanso, o afeto e os relacionamentos. Em algum momento, chegaremos à sexualidade, à possibilidade da trama dos princípios feminino e masculino em uma unidade que retoma a origem da nossa vida. Esse caminho tântrico, totalmente envolvente, orgânico, fez uma grande mistura cultural. Literalmente, os indianos “tantrizaram” tudo: a compreensão da filosofia, da política, do trabalho, dos relacionamentos sociais e religiosos. Tudo se tornou um amálgama orgânico. Quem percorre a Índia pode perceber isso. Tudo é muito forte, intenso: as cores, os cheiros, nada lá é pouco. A cultura indiana traduz o resultado de uma imensa mistura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante lembrarmos de perceber e reconhecer os apelos dos sentidos, que se manifestam antes da racionalidade e mais próximos de nossa essência de vida. Vale prestar atenção ao que sentimos, deixar brotar o bom humor que permite compreender e curtir as emoções positivas, que nos aproximam organicamente. O que há de maravilhoso no orgânico é que ele brota naturalmente, cria, inspira; dispensa construções complicadas que apenas tentam reproduzir padrões de comportamentos socialmente aceitos, mas nem sempre adequados à felicidade. Não por acaso, a intimidade se afasta dos olhos e apelos sociais, como na prática de meditação, e nos aproxima da intimidade essencial do ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-1620766829187343432?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/1620766829187343432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=1620766829187343432' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/1620766829187343432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/1620766829187343432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/11/o-tal-do-tantrismo.html' title='O tal do tantrismo'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-8372261389286650212</id><published>2009-11-13T20:40:00.001-03:00</published><updated>2009-11-13T20:40:42.081-03:00</updated><title type='text'>Vida tântrica e tranquila</title><content type='html'>A energia orgânica é essencial no ser humano. Nas raízes do Yoga está a tradição hinduísta, que também é orgânica. A palavra que melhor caracteriza essa tradição é o Tantra (trama, tecido, textura). E o tantrismo é uma tradição orgânica. Está na base do hinduísmo e, portanto, do Yoga. Tem origens intuitivas, suas práticas são alegóricas; estão relacionadas com o tecer, misturar, entreter-se na sexualidade original que produz a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os antigos templos hinduístas têm altares com o formato da superposição dos órgãos sexuais masculino e feminino conectados: o lingam (pênis) brota a partir da ione (vagina). Exibem a base representativa da religiosidade hinduísta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;variedade de templos alegóricos do simbolismo da energia orgânica e sexual se encontra na cidade de Khajuraho (a uns 500 km a sudoeste de Nova Deli). São dezenas de templos, do período medieval, cujas paredes externas são ornamentadas com relevos esculpidos em tamanho natural de cenas eróticas: as mais imaginativas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida associada à criatividade decorrente da sexualidade é absolutamente evidente. Então, quando os sábios indianos falam da sexualidade, dos chakras e dos exercícios, abordam o assunto tranquilamente, sem pudores ou eufemismos. Afinal, o cuidar da própria energia inclui o cuidar da sexualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre lembramos que energia, na origem grega, significa atividade. Nossa energia corresponde à nossa atividade de viver. Se você se habituar a viver com atenção positiva aos relacionamentos pessoais, à respiração, à alimentação e a sexualidade, vai viver feliz o que tiver que viver. Cultivar o esclarecimento da realidade, sua compreensão, aceitação dos fatos e a capacidade de prosseguir com os seus recursos talvez seja o grande segredo da felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui vai uma dica de meditação que funciona bastante: quando você ficar de mau humor com algo que lhe incomoda muito, pare e comece a registrar a situação (mentalmente ou escrevendo). Depois, com mais tranquilidade, tente perceber o que aconteceu antes. Você vai perceber que aquela situação ocorre com relativa frequência, em situações bastante semelhantes, que vêm acontecendo há um bom tempo. Você simplesmente está se permitindo cair na mesma armadilha outra vez. Poderia evitar essa armadilha com bastante antecedência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor hora de fazer esse registro é quando acontecer a sensação de desconforto. Tome alguma providência para registrar aquilo. Alguns sábios sugerem, de outro modo, que, antes de dormir, façamos uma reflexão, passando na memória os principais momentos que vivenciamos naquele dia, para registrar numa folha de papel. Fatos que incomodaram, que deram prazer ou de que não queremos esquecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O propósito é tratar esses comportamentos que são padrões, para começar a lidar de forma positiva e muda-los. Se você começar, de fato, a desenvolver esse hábito, de prestar mais atenção positiva ao que está fazendo, terá mais chances de evitar as armadilhas habituais (que atrapalham a felicidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-8372261389286650212?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/8372261389286650212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=8372261389286650212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8372261389286650212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8372261389286650212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/11/vida-tantrica-e-tranquila.html' title='Vida tântrica e tranquila'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-4114270020719016818</id><published>2009-09-15T16:22:00.001-03:00</published><updated>2009-09-15T16:23:07.202-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_fP6RltwH5jw/Sq_pgNDtWZI/AAAAAAAAABs/19JodFH-lbk/s1600-h/cartaz_paz.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 227px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_fP6RltwH5jw/Sq_pgNDtWZI/AAAAAAAAABs/19JodFH-lbk/s320/cartaz_paz.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381776819201333650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-4114270020719016818?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/4114270020719016818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=4114270020719016818' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4114270020719016818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4114270020719016818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/09/blog-post_15.html' title=''/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_fP6RltwH5jw/Sq_pgNDtWZI/AAAAAAAAABs/19JodFH-lbk/s72-c/cartaz_paz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-8859265257254245730</id><published>2009-09-15T16:14:00.001-03:00</published><updated>2009-09-15T16:16:03.902-03:00</updated><title type='text'>Liberdade em jogo</title><content type='html'>No hinduísmo, há duas palavras essenciais: Dharma e Karma. Uma é a percepção da ordem e do nosso papel nela; a outra é a noção de causa e consequência, em que uma ação provoca outras – muito do que vivemos é resultado de ações anteriores, por nossa conta ou dos outros. Em ambas, a noção de liberdade (Moksha) está presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entendemos o Dharma, a ordem, o que se está fazendo em uma determinada situação ou instituição, tudo vai se revelando. E aí, ao mudarmos o modo como lidamos com o ambiente, fica mais fácil e, às vezes, até agradável e divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cerne da compreensão das atitudes é se perceber na ordem. A partir daí, vamos vivendo os vários personagens e separando o personagem do ator, em nós mesmos e nos outros. Em determinados momentos, não haverá oportunidade para o ator se manifestar, apenas o personagem é quem irá atuar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas organizações, quase sempre isso está presente. Nós ficamos imbuídos de uma certa aura das organizações. As pessoas que não estão amarradas ao ritual nos ajudam a perceber que a aura do ambiente é apenas uma aura. Nós é que acabamos entrando ou não no jogo do ambiente. Vamos perceber quem são aqueles que não conseguem ser ator, com os quais só vamos conseguir lidar de personagem para personagem. Outros são sempre o ator das ações. E nós, dentro das instituições? O quanto estamos só de ator ou só de personagem e em que momento conseguimos sair do personagem e entrar no ator? Esse é um grande desafio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao percebermos o jogo, podemos optar por continuar ou sair dele. Se sairmos, já não haverá necessidade de prestar atenção nele. Se entrarmos, vamos jogar. E isso exclui ficar brigando contra o jogo. Vamos usar as regras, o território, o blefe. Afinal, praticamente todas as atividades humanas são um jogo. Ao percebermos que estamos jogando, a sensação de liberdade aumenta; nesse caso, cabe a nós perceber, de modo cada vez melhor, o jogo e os jogadores. Assim, podemos até nos divertir. Ganhar ou perder é apenas circunstancial. O mais importante é a interação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Karma, a liberdade está inteiramente associada à ação, que por sua vez faz parte de uma ordem (Dharma). Ora, como posso trazer o conceito de liberdade para a minha ação? Dizem os sábios que a liberdade na ação é quando a nossa ação independe do quanto vamos nos aproveitar dos resultados dela. Ou seja, é a ação desinteressada. Fazemos porque temos que fazer, porque queremos, porque é válido ou legítimo fazer. E se é para fazer, fazemos bem feito, com dedicação, de verdade. O propósito é a ação em si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na compreensão budista, o trabalho teria três utilidades: dar oportunidade de cada um de nós realizar algo em conjunto com outras pessoas, permitir o desenvolvimento e a aplicação de nossas capacidades e obter meios de sobrevivência. A sequência é essa, uma inversão bastante grande daquilo que se vê propalado atualmente, fora do contexto budista. Isso tem muito a ver com Dharma e Karma, principalmente com Karma. Muda por completo o que estamos fazendo. Nessas três perspectivas, aquele que realiza a ação sempre se dará muito bem. Age desinteressado da ação, sem ficar obcecado pelos resultados; mas, ao mesmo tempo, beneficia-se dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas duas características, sintetizadas pelo Dharma e Karma, são dicas para cada um de nós cultivar a liberdade no cotidiano. Assim, não ficaremos restritos à oportunidade de liberdade apenas em situações especiais, porque estas ocorrem poucas vezes. Afinal, na maior parte do nosso tempo, estamos em ação: jogando o jogo chamado viver (a nossa liberdade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-8859265257254245730?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/8859265257254245730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=8859265257254245730' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8859265257254245730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8859265257254245730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/09/liberdade-em-jogo.html' title='Liberdade em jogo'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-4327117123033401092</id><published>2009-09-02T19:05:00.004-03:00</published><updated>2009-09-15T20:24:09.052-03:00</updated><title type='text'>Esse desejante objeto do viver</title><content type='html'>Qual é o propósito da vida? E afinal, há algum propósito em viver? Esse é um tema desafiador. Para alguns, viver está associado a uma missão. Outros usam a palavra propósito. A cada dia me convenço mais que viver é criar oportunidades de realização das motivações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o físico e pesquisador Fritjof Capra, a vida pode ser descrita como um sistema aberto, que faz trocas com o meio ambiente. Essas trocas se destinariam à sobrevivência e ao crescimento do sistema. Aparentemente, o sistema em si não teria propósito nenhum, além da própria sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda segundo essa compreensão, todo sistema vivo caracteriza-se por três aspectos: estrutura física, que constitui os elementos vivos; organização, que relaciona as partes da estrutura; e processo, que faz com que a estrutura realize algo. Viver seria um estado permanente de desequilíbrio, de trocas realizadas por esse sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida poderia ser vista sem nenhuma valoração teológica ou teleológica. Não haveria propósito ou motivação para viver, nem viver em si teria qualquer motivação ou propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ampliarmos um pouco mais e olharmos para nós mesmos, observaremos várias inquietudes, muitas decorrentes do meio externo. Mas há aquelas que não estão associadas a nada que está acontecendo fora de nós. São inquietudes que brotam. O desejo é a principal categoria dessas inquietudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é algo desejante, é desejar. E aqui precisamos diferenciar desejo de vontade. Vontade é uma reação a algo externo; já o desejo apenas brota a partir de nós mesmos. O marqueteiro estimula vontades, provoca reações; a vida faz brotar desejos e iniciativas de seu interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de nós surgem vários desejos. À medida que as circunstâncias permitem, vamos atrás da realização. Claro, o desejar nem sempre é o suficiente. É preciso ter as condições (ou obtê-las). Mas o fato de termos a motivação pode nos levar a fazer. O desejo é a fonte da motivação. E para realizar, temos que viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, viver é uma disponibilidade que criamos a partir do nosso desejo. É um desejo indeterminado. Não é um desejo de viver. São os desejos que brotam, sejam quais forem, com que propósito, objetivo ou iscas tenham se manifestado. O caminho se faz ao caminhar. A vida segue o desejar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a importância da não-ação, para refrear o exagero da ação voltada para o mundo exterior. É esse exagero que acaba impedindo o brotar dos desejos, a vida interior. Se ficarmos apenas voltados para fora, para o que está exterior a nós, não daremos espaço para os desejos surgirem; não haverá vida disponível para eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao abrirmos mão de nossa onipotência, de exagerar no fazer, e à medida que cultivamos a não-ação, entramos num estado ideal para que os desejos brotem de dentro de nós, do nosso íntimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meio externo é uma situação que está absolutamente determinada por um modelo. Mas dentro dele existem várias possibilidades de realização que nada tem a ver com o modelo e que são perfeitamente capazes de brotar. No meio ambiente, por mais consolidado, pode surgir algo imprevisível para a ideologia dominante, para a limitação da época, e que irá surpreender a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sortudo é quem consegue perceber esses caminhos e curtir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-4327117123033401092?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/4327117123033401092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=4327117123033401092' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4327117123033401092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4327117123033401092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/09/esse-desejante-objeto-do-viver.html' title='Esse desejante objeto do viver'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-7470439736369009313</id><published>2009-08-26T22:48:00.001-03:00</published><updated>2009-08-26T22:49:09.843-03:00</updated><title type='text'>O ser e o sono</title><content type='html'>Muitas pessoas reclamam que têm dificuldade para dormir. Acordam no meio da noite e não conseguem mais cair no sono. No outro dia pela manhã, acordam estressadas e cansadas. A causa da insônia geralmente é a mesma: estão preocupadas, tentando resolver problemas na hora errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui vai uma boa notícia para os insones: segundo os hinduístas, não é sempre necessário dormir para descansar (tirar o cansaço). Se por alguma razão você acordar e não conseguir mais dormir, pode manter-se consciente e condicionar-se a não agir. Por exemplo, pode praticar o oposto do agir, do dirigir-se para fora, que é a receptividade, o receber, o sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por algum motivo você não consegue mais dormir, que tal permanecer consciente e dedicar-se a simplesmente sentir o próprio corpo? Se você estiver acordado no “horário oficial da insônia”, entre 2h e 6h da madrugada, experimente, durante essas quatro horas, ficar no melhor repouso que alguém pode ter. Você estará consciente, sentindo o próprio corpo, plenamente relaxado, entregue, sem pré-ocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir, nesse caso, é uma forma de meditar. Você pode até se programar para não dormir e ter uma noite ainda mais revigorante: meditando. Ao deitar-se, vá sentindo o seu corpo, da cabeça aos pés e dos pés à cabeça. Vá “mapeando” mentalmente todo o seu corpo pelo sentimento, percebendo cada parte do seu corpo, inclusive os espaços interiores. Perceba o seu coração, começando pela pulsação, na ponta dos dedos, ou diretamente nos pulsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O propósito é a mudança de hábito. Afinal, não mudamos hábitos com facilidade. Mudar de hábito é a coisa mais difícil. Nós só mudamos, de fato, se criarmos um novo hábito e cultivá-lo. Não basta apenas iniciar ou compreender, é preciso também cultivar. O que sugerimos é um novo hábito: não agir, em condições bem favoráveis, na hora em que ninguém está agindo, na hora de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, vamos desenvolvendo esse novo hábito (do sentir como essência) do não agir, por meio da prática da observação. Vamos abrindo mão da onipotência, do ter que agir. Afinal, não necessitamos de ficar no controle o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos acham que a sua própria existência só é justificada se estiver sempre fazendo algo. Mas e quando não tiver o que fazer? Aí vêm a depressão e a ansiedade. É aquilo que comumente se chama de “vazio interior”. Ora, se alguém sentisse de verdade o vazio, estaria no céu! O que elas sentem é a falta do que fazer. Habituaram-se a ter que fazer algo, como se apenas fazer fosse existir. Atuar é apenas uma parte do viver, não é a principal. Todo fazer é transitório. O não fazer, o ser, é que é permanente. E é isso o que buscamos em Yoga e na meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia ruim desse novo hábito é que você pode perder a oportunidade maravilhosa de se sentir, de meditar, e acabar... dormindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-7470439736369009313?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/7470439736369009313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=7470439736369009313' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7470439736369009313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7470439736369009313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/08/o-ser-e-o-sono.html' title='O ser e o sono'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-2404559206290993758</id><published>2009-08-14T20:52:00.001-03:00</published><updated>2009-08-14T21:41:38.247-03:00</updated><title type='text'>Não-agir é agora mesmo</title><content type='html'>Na filosofia hinduísta, a dualidade do agir e do não-agir é compreendida como algo inicial em nós. O agir é representado pelo nome Prakriti. A característica do não-agir é chamada de Purusha, que no mundo Ocidental é compreendida como alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Habitualmente estamos voltados para fora, fazendo atividades que focalizam os outros. Ficamos preocupados com o que pensam de nós: ou porque queremos agradar, ou porque simplesmente não queremos que nos percebam. O fato é que, em todas essas situações, a nossa atenção está voltada para o exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem exerce essa atenção é o nosso sujeito das ações. Mas há um sujeito ainda mais anterior, que nem sujeito está a nada: o eu interior, que observa a nós mesmos, que não é o sujeito dos verbos. Podemos dizer que é o sujeito da não-ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da vida, atuamos, trabalhamos e labutamos. Mas também temos a possibilidade de não-agir, que nada tem a ver com a preguiça. Trata-se de uma disposição de compreender, de não-interferir. Existe aí uma decisão envolvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A não-ação significa abrir um pouco mão da nossa onipotência, da nossa capacidade de controlar tudo, e deixar a vida acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, somos vários “eus”, várias personalidades atuando o tempo todo e também um ator ou atriz fundamental, que sequer nome tem e nem precisa ter. Simplesmente é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cultivamos a não-ação quando meditamos ou focalizamos a atenção em algo sem ficar julgando, avaliando. Quando isso acontece, somos beneficiados de várias formas. O fato de focalizarmos, de reduzirmos o leque de atenções para um único foco, só isso já exerce um efeito apaziguador e mais ainda, reforçador do sistema imunológico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio Patanjali sugere como principal opção de meditação que cultivemos o bom humor. Sorrir, lembrar de coisas boas, perceber o que está a nossa disposição. Muitas vezes agimos como aquele que diz: “eu era feliz e não sabia”. Isso acontece demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, ao cultivarmos o foco de nossa atenção, podemos sorrir, fazendo de nós mesmos a razão de nossa alegria. Isso, socialmente também é muito benéfico. Afinal, quando estamos bem conosco mesmo, é impressionante como todos se aproximam. As pessoas são naturalmente atraídas pelo bom astral. Quem vai querer chegar perto de uma pessoa carrancuda, que trata a todos com patadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há bem material, status, dinheiro, loteria, nada melhor do que estar bem consigo mesmo, do que estar... normal. Nada é melhor do que estar saudável o tempo todo e cultivar toda potencialidade de felicidade que temos sempre, em vez de ficar adiando a possibilidade de ser feliz para um dia mais especial que hoje (...sobre cuja chegada não temos nenhum controle).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-2404559206290993758?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/2404559206290993758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=2404559206290993758' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2404559206290993758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2404559206290993758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/08/nao-agir-e-agora-mesmo.html' title='Não-agir é agora mesmo'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-2132857731625447823</id><published>2009-05-28T20:04:00.001-03:00</published><updated>2009-05-28T20:06:12.143-03:00</updated><title type='text'>Agir ou não agir, eis a questão</title><content type='html'>O nosso ego deve ser encarado como algo prejudicial à nossa evolução? Vale recordar o que aponta a escritora Hannah Arendt, em A Condição Humana. Segundo ela, há três modos de agir na sociedade: labutar, trabalhar e atuar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Labutar é o que mais fazemos: comemos, dormimos, cuidamos da nossa sobrevivência: o que é absolutamente fundamental. A segunda atividade é o trabalho, quando transformamos algo material em utilidade, um objeto que não existia. A terceira, a atuação, é o que fazemos o tempo todo, ouvindo uns aos outros, falando, articulando pensamentos, cada um com a sua história de vida pessoal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas três atividades exigem o ego, o eu que faz, o sujeito que age, que atua. Esse sujeito de todos os verbos é imprescindível na vida social. Sem ele, nada se concretiza socialmente, nem individualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, além do ego da ação, existe alguma outra possibilidade? Sim, para a não-ação, que talvez seja tão importante quanto a ação. No estado de não-ação, o ego não tem espaço, não tem oportunidade de interferir na vida; fica em paz (ou poderia ficar). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só no mundo da não-ação conseguimos ficar fora do espaço-tempo, desse mundo da produção social, e podemos ter in-sights. Se apenas a ação for vista como necessária, estaremos o tempo todo voltados para o lado de fora, e assim não teremos oportunidade de captar quem somos e o que estamos fazendo aqui. Na perspectiva da não-ação, não-interferência, deixa-se a vida seguir por si, abre-se mão da onipotência, do controle sobre tudo e todos, permite-se a receptividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando praticamos Yoga e meditação, quando também estamos atentos à vida interior, conseguimos perceber as nossas oportunidades de atuação, de trabalho, de labor com outras perspectivas, por exemplo: a da não-ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver é passar por essas quatro oportunidades, em alguma ordem, conforme as circunstâncias e as nossas percepções de realidade, de tal modo que possamos ter uma vida plena, em que nos sintamos felizes. Mas é importante, por um lado, ter clareza de que se ficarmos apenas no estado de não-ação, não teremos condições materiais de não-agir por muito tempo. Por outro lado, fixar-se em apenas uma dessas oportunidades é desprezar as outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ego, então, é fundamental! Dessas quatro dimensões, ele atua em três. Só não atua no estado de não-ação. Podemos até, na nossa possibilidade de não-ação, dirigir esse ego para ele não ficar fixado apenas no trabalhar, no laborar ou no atuar, para aproveitarmos a grande amplitude de possibilidades, dentro das quais nos realizemos plenamente. Mas cultivar o ego virtuoso é tão importante quanto dirigir automóvel conforme os princípios de “direção defensiva”, pois é ele (o ego) que está “na rua”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum ego nasce virtuoso, dizem há tempos os filósofos; ele tem que ser educado para tornar-se virtuoso. Além das circunstâncias e dos nossos muitos educadores, cada um de nós pode cultivar em si o ego virtuoso, quando se percebe na perspectiva da não-ação, aquela que se pode distanciar das pressões e exigências das ações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma boa oportunidade para praticar a não-ação é no momento em que as condições são favoráveis, com menos pressões, como por exemplo, na hora de dormir. Em Yoga, praticamos o agir para desenvolver o não-agir, por exemplo, finalizamos os exercícios com meditação e relaxamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o nosso ímpeto de agir é muito forte. Então, pelo menos na hora de dormir, vale à pena fazer o condicionamento da não-ação. Vamos criando o hábito de fazer o ego relaxar-se, entregar-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se fôssemos mais de um. Na compreensão hinduísta, que adotamos, nós já temos a dualidade básica da ação e da não-ação presente desde o início. Logo, é de se esperar uma possibilidade muito grande de colaboração entre ambas e de caminharmos em direção à não-ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que vamos conhecendo nossos vários egos, chegamos ao ponto da consciência do nosso eu próprio, o si mesmo, o self, apaziguado, que está em paz, que não tem que tomar atitudes de interferência. Esse não age, mas é “respeitado”, é a referência que permanece, é sem ter que agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contraponto ao excesso de ação é o que nos permite, em última instância, estarmos em paz. Podemos, no meio do caminho, perceber como é bom e importante abrir mão desse exagero da ação. Parece muito simples: nos livrarmos de alguns condicionamentos e fazer as coisas no cotidiano de uma forma diferente, mais agradável, melhor, dando uma reduzida na nossa onipotência. Mas não é simples assim! Porque somos formados por hábitos que impedem mudanças. O melhor modo de mudar é iniciar e cultivar um novo hábito na direção e sentido que se pretender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciar e cultivar a “prática” da não-ação pode ser um bom caminho, se aceitarmos a possibilidade de paz, que a não-ação proporciona, e diariamente, antes de dormir, nos imbuirmos dessa paz, sentirmos essa paz no próprio corpo, deixarmo-nos dormir assim... e, quem sabe, irmos descobrindo outras oportunidades de praticar essa paz interior a cada novo dia, enquanto o nosso ego vai agindo virtuosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-2132857731625447823?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/2132857731625447823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=2132857731625447823' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2132857731625447823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2132857731625447823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/05/agir-ou-nao-agir-eis-questao.html' title='Agir ou não agir, eis a questão'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-8571939959598087903</id><published>2009-04-21T18:42:00.003-03:00</published><updated>2009-04-21T19:44:06.709-03:00</updated><title type='text'>No ritmo da respiração</title><content type='html'>No livro Yoga Sutra, Patanjali não fala em exercícios ou qualquer atividade física. O que ele sugere mesmo é prestarmos atenção na vida, termos um comportamento social adequado, de modo a sermos incluídos. Se ficarmos à margem, se formos excluídos por alguma razão, enfrentaremos as maiores dificuldades, pois estaremos sozinhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali nos chama atenção que o nosso comportamento social deve ser adequado para que gastemos o mínimo de energia possível. Assim, seremos aceitos e poderemos nos realizar. Se você não tiver um comportamento social adequado, não terá paz, a sua mente não terá sossego, ficará o tempo todo tendo que resolver conflitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas resolver-se externamente não basta, é preciso se resolver socialmente do lado de dentro, na maneira como lidamos com nossas emoções. Sentimentos negativos, como inveja e cobiça, são absolutamente nefastos do ponto de vista social. Mas só quem pode controlar esses sentimentos é cada um de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra atenção importante é a nossa dedicação ao que é necessário, justo, válido. Nós mesmos é que decidimos o quanto e como nos dedicamos ao cultivo da nossa essência, do nosso ser, de relações sociais agradáveis, do bom astral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses são os ensinamentos básicos de Patanjali, de ordem bastante comportamental. O propósito é acalmar a mente. Conforme afirma o lendário sábio indiano, “Yoga é a cessação dos turbilhões da mente”. Ou seja, é aprender a lidar com esses muitos turbilhões. O foco é a mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele explica também que nem só da mente vive o homem. Ele fala sobre a importância do controle da energia. O que fazemos socialmente deve estar baseado nesse controle. Externamente, damos atenção ao modo como atuamos no cotidiano e internamente, ao modo como respiramos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali dá um salto do social para a energia, destacando que a atenção deve ir além da economia na comida e na atividade. Afinal, o alimento mais importante para o ser humano é o oxigênio, sem o qual não sobrevivemos além de alguns minutos. Patanjali afirma que o ritmo da nossa respiração é o ritmo da nossa atividade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dica é prestar atenção na respiração; respirar de modo silencioso, tranqüilo, adequado à atividade que fazemos; perceber a inspiração, a expiração e adequar a respiração ao ritmo do que estamos fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos também controlar o nosso corpo para permitir essa situação de calma, de mente tranqüila. A única postura que Patanjali ensinou é esta: fique de modo estável e confortável. E com que propósito? Controlar a mente. Esse é o quarto controle, que vem depois dos controles social, energético (respiração) e do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como podemos adquirir esses controles? Por meio da prática, do convencimento de que é importante para a nossa vida a tal ponto de fazermos disso uma estratégia de vida. Muitos artifícios foram criados com esse propósito, entre eles, os exercícios de Hatha Yoga: aquelas posturas, em que sentimos estabilidade, firmeza, conforto; nos quais percebemos nossa respiração tranqüila e a mente calma. Também os exercícios de meditação, em que concentramos a atenção em algo (ou em nós mesmos) e assim permanecemos por algum tempo, apenas atentos e respirando, sem julgar ou analisar os fatos, as coisas, os sentimentos... cada vez mais tranqüilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode seguir essas dicas e “inventar” seus próprios exercícios. O principal critério é “sentir-se bem, sem fazer mal a ninguém”: simples assim. Também pode seguir a orientação de um instrutor que lhe transmita confiança, e continuar seguindo o mesmo critério do bem-estar consigo e com os outros. Como se você fosse uma terceira pessoa que se observa em cada ação ou não-ação, em cada situação da vida, e vai sugerindo a si mesma a melhor opção para: a sua alma, sua mente, sua energia, o seu corpo, os seus relacionamentos, os outros mais próximos, e até os mais distantes... A vida vira um jogo bem mais interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-8571939959598087903?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/8571939959598087903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=8571939959598087903' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8571939959598087903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8571939959598087903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/04/no-ritmo-da-respiracao.html' title='No ritmo da respiração'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-4574133843841297036</id><published>2009-04-01T18:58:00.001-03:00</published><updated>2009-04-01T18:58:51.000-03:00</updated><title type='text'>Meditação e nossos cinco corpos</title><content type='html'>Os modelos explicativos da realidade, como o Yoga, nos trazem paz e segurança. Na medida em que compreendemos um certo ordenamento, conseguimos nos localizar. Essa é uma característica humana desde muito tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo todo nós usamos modelos explicativos da realidade. Em Yoga, adotamos o modelo hinduísta, segundo o qual somos constituídos por cinco corpos: de matéria, de emoções, de significados, de supra-significados e um corpo divino, que está além dos significados. Trata-se de uma compreensão não propriamente de um corpo determinado, mas de um campo que é indeterminado visualmente, como é, por exemplo, o campo gravitacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa forma de visualização, de compreensão de como nos comportamos, que mistura matéria propriamente dita e aquilo que não é matéria, faz parte de uma antiga discussão da humanidade. Até hoje, de certo modo, procuram-se as substâncias primárias, as partículas fundamentais. Quanto mais se aprofunda a procura dessas partículas, mais se percebe que elas se desdobram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modelo explicativo de que temos vários corpos, desde o mais denso até o mais sutil, nos ajuda muito a compreender o exercício de meditação. E como, de certo modo, praticar Yoga é praticar meditação, o modelo acaba sendo muito útil. Mas como é mesmo o processo de meditação? A meditação se realiza em três etapas: concentração, contemplação e transcendência em relação àquilo em que nos concentramos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O propósito de concentrar-se é desenvolver a dupla capacidade de focalizar algo e simultaneamente testemunhar a si mesmo, de estar pleno na realidade, estar presente, no espaço e no tempo. Pela natureza humana, ao nos concentrarmos em algo, nós desenvolvemos uma identificação com o objeto de nossa concentração. Os físicos também ajudaram a mostrar que não há independência do observado em relação ao observador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que continuamos nos concentrando, a identificação com a realidade continua, mas depois de certo tempo, ela desaparece. Essa é a chave da meditação, quando nem precisamos mais nos esforçar para concentrar ou contemplar, não há mais dualidade entre nós mesmos e o objeto de observação. O observador e o objeto passam a formar uma coisa só. Percebemos a mudança em nós mesmos. É o chamado estado de Samadhi, de transcendência da dualidade. Claro que estou falando de um modo bastante alegórico para cada um transformar isso na sua própria percepção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E qual é a relação dos cinco corpos com a meditação? Vamos antes lá para o Livro Tibetano dos Mortos. Pois o processo de meditar tem suas semelhanças com o de morrer. Segundo esse livro, ao morrermos, passamos por cinco estágios: negamos a realidade, percebemos que é real, começamos a nos adaptar à realidade, aceitamos e prosseguimos com ela. Há, inclusive, inúmeros relatos de pessoas que passaram por experiências de quase-morte que correspondem aos cinco estágios do Livro Tibetano dos Mortos. Primeiramente, passa-se um filme mental, em alta velocidade, com cada etapa da nossa vida, que é uma forma de transição para uma próxima etapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí entram os cinco campos, os cinco corpos. No primeiro momento do morrer, assim como no primeiro momento da meditação, vamos nos afastando do corpo-matéria, do corpo feito de comida. O emocional continua acontecendo durante algum tempo após a morte, segundo os tibetanos. Sentimos emoções, sentimentos confusos, segundo relatos. Apaziguados os sentimentos, permanece a compreensão daquilo que está acontecendo, da transição. Estamos no corpo/campo dos significados. Quando saímos da dimensão espaço-tempo, o acesso aos significados torna-se completamente diferente. Já não faz mais sentido o tempo, a compreensão linear do universo, da vida. Passamos aos supra-significados, das imagens ancestrais e arquétipos, que formam a nossa cultura. E o que acontece depois? Aí nem mais identidade há. Desaguamos num campo absolutamente espiritual, indeterminado, do supra-sutil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente chegamos a esse campo, passamos a compreender os significados, os meta-significados, os códigos e o princípio divino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cinco corpo/campos e a técnica de meditação fazem parte de um modelo explicativo que indica a possibilidade de nos descolarmos um pouco de condicionamentos muito fortes para passarmos a ver a realidade de uma forma menos restritiva, na qual até mesmo o espaço-tempo seja percebido de uma forma relativista. Assim, cada um de nós vai desenvolvendo a habilidade de transcender à dimensão do espaço-tempo, de lidar com o mundo que não é determinado por relações sociais para ir mais perto da essência que não se modifica, a qual os hinduístas chamam de Purusha e que está em todos nós. Não precisamos esperar morrer para nos libertarmos, como a alma que se liberta da cidade (na compreensão original dos gregos antigos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meditar é cultivar a possibilidade expressa pela palavra indiana: Moksha. Significa libertação em Sânscrito. É libertação, agora em vida, desta teia de conceitos culturais que tornam a vida muito limitada. Não há por que se fixar em circunstâncias, preocupar-se demais com algo, por muito tempo, pois tudo é transitório, tudo passa; em geral com velocidades distintas para cada um, em função da sua história pessoal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A possibilidade de aproveitar a idéia de praticar meditação e o exercício de identificar-se com cada um dos cinco corpos, por meio de objetos (materiais, ou representativos de emoções, ou de conceitos atuais, ou de conceitos antigos, ou de inspiração espiritual) pode trazer uma nova e mais agradável maneira de cultivar a felicidade. Isso nem depende de muito poder aquisitivo ou de tecnologias complicadas, mas, em algum momento, vale começar... e prosseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-4574133843841297036?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/4574133843841297036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=4574133843841297036' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4574133843841297036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4574133843841297036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/04/meditacao-e-nossos-cinco-corpos.html' title='Meditação e nossos cinco corpos'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-6889895752001789070</id><published>2009-01-23T10:03:00.001-03:00</published><updated>2009-01-23T21:34:56.376-03:00</updated><title type='text'>De mente numa boa</title><content type='html'>Yoga é uma estratégia de vida, um modo de viver. É uma compreensão de que nós somos mentais, de uma forma acentuada; interpretamos a vida e a própria realidade; a nossa vida é mentalizada, é intermediada por um modelo mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, a proposta do Yoga, e de outras práticas indianas, é de compreensão dessa explicação da vida e do ato de viver, de tal modo que possamos apreender a realidade – mesmo que seja por intermédio da mente, já que para nós não há outra possibilidade -, mas compreendendo melhor, até para saber que estamos diante de uma vida intermediada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos afirmar que há um objetivo de compreensão da vida, tendo por princípio que somos mentais, e que esta nossa mente tanto pode nos propiciar grandes armadilhas quanto a grande clareza de saber que vemos tudo por intermédio dessa mente e que, portanto, deveríamos ter mais cuidado nessa compreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao nos aprofundarmos nos sutras de Patanjali, vamos percebendo que ele sai dessa constatação da intermediação da mente e dos modelos ilusórios, para uma possibilidade de aproximação muito grande da realidade com o mínimo de intermediação. Isso se dará com a mente, em estado de serenidade, que se percebe como intermediadora, quase transparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para exemplificar, é como se, na realidade em que vivemos, pela educação circunstancial que o ambiente no qual fomos criados nos deu, fôssemos formando lentes para perceber a realidade. Com o tempo e alguma dedicação, podemos ir polindo essas lentes grosseiras a ponto de elas se transformarem em quase transparentes, cristalinas. Assim, teremos uma visão da realidade como  ela (quase) é para vivê-la como ela (quase) é, em sua plenitude. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o sábio Patanjali afirma que Yoga é controle mental, é a cessação dos turbilhões da mente, ele está indicando uma possibilidade de escolher-se a quantidade de atenção que se quer dar, seja para a “realidade” social, seja para a percepção “plena” da realidade. Ele sugere um modo de viver que considera a condição humana de escolher o modo de dedicar-se às circunstâncias e evitar ser apenas levado pelas circunstâncias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esclarece, portanto, a possibilidade de liberdade máxima nesta vida, liberação, “moksha”, por intermédio da nossa mente, em relação às infindáveis, incessantes, solicitações sociais; mesmo aquelas que brotam por si mesmas dentro de nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gregos contemporâneos de Platão conceberam a alma como aquela que se liberta da cidade, das pressões sociais. Mas não precisamos esperar até a morte para curtir essa possibilidade. A nossa alma já está presente conosco agora. A nossa mente pode ajudar muito a lidar positivamente com a realidade social, de modo que todo mundo nos ache normais, mas com algo mais de tranqüilidade, firmeza, bom astral, presença íntegra, sentindo e transmitindo plenitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-6889895752001789070?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/6889895752001789070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=6889895752001789070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6889895752001789070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6889895752001789070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/01/de-mente-numa-boa.html' title='De mente numa boa'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-2136166839288059332</id><published>2009-01-16T10:46:00.002-03:00</published><updated>2009-01-18T11:00:25.459-03:00</updated><title type='text'>Simplesmente Yoga</title><content type='html'>O Hatha Yoga surge ali pelo século XIV, por um texto que lhe tem por título (Hatha Yoga Pradipika) e um presumido autor, Svatmarana. Propõe um caminho de desenvolvimento espiritual e prática integradora de posturas, controles de energia e respiração, que seriam propiciadores da realização espiritual pelo esforço físico acentuado: tem raízes tântricas (como quase toda a espiritualidade hinduísta). Veio a tornar-se bem popular, talvez pela ênfase corpórea, menos reflexiva, menos cognitiva, mais acessível em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com exceção das linhas de Yoga devocional (Hare Krishna, Sida Yoga...) quase todas as "escolas" de Yoga atuais ensinam alguma forma simplificada de Hatha Yoga (pois as práticas originais são tão exigentes, que raríssimos conseguiriam realizá-las). Essas escolas vão acrescentando algumas características próprias, seja pela tradição que as originou, seja pela inserção cultural ou mercadológica em que se instalam, ou por outras possibilidades de diferenciação mais eventuais. Mas a ênfase é, de modo geral, o esforço físico, disciplinado, com intenção de alcance de condições superiores de saúde física (e eventualmente em termos espirituais, com a amplitude que essa palavra pode contemplar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Yoga Clássico seria mais originalmente referido apenas como Yoga. Surge em torno do início da era cristã (entre os séculos IV a.C. e IV d.C.), o chamado período axial da humanidade (diria o historiador Toynbee). O texto que lhe marca a origem é o Yoga Sutra, do legendário (porque também se marca pela indeterminação histórica) Patanjali (se diz patânjali), que o escreve em aforismos, 195 deles, e expressa o que, à sua época, era tido como "o conhecimento de Yoga". Portanto, mesmo sem ser originário, marca um início que resume a tradição e assim passa a ser denominado "clássico". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não traz nenhuma ênfase física, trata da compreensão da mente e suas manifestações, do lidar com ela para viver plenamente, do lidar com o mundo social para libertar-se dele, nele vivendo. Portanto, trata da alma ("aquela que se liberta da cidade", diria Platão, potencial contemporâneo de Patanjali).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indica para "exercício", um código de comportamento, atitudes e posturas que acentuam a atenção e consciência, controles de energia (por via da respiração) que acentuam a atenção e consciência, introspecção, concentração, contemplação e transcendência das dualidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A transmissão do Yoga, na forma clássica, veio a incluir textos de comentaristas tão legendários como o autor citado, e que acrescentaram interpretações facilitadoras e ampliadoras para a compreensão do texto original. Eles foram fazendo uma síntese das seis principais escolas ortodoxas hinduístas (Yoga sendo uma delas), de modo a referenciar cada aforismo de Patanjali ao conhecimento tradicional, e viabilizar sua aceitação, prática e inserção cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez parte dessa inserção a inclusão de "exercícios físicos", cujo surgimento foi cronológico e em parte se confunde com a prática simplificada dos exercícios de Hatha Yoga, porém, com ênfase na estabilidade, no conforto, na aceitação gradual dos próprios limites dos praticantes, de modo que os exercícios propiciem: desenvolvimento de atitudes, plena atenção, consciência no viver no mundo com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem prefira, na mesma Índia, denominar isso tudo como Raja Yoga (raja querendo dizer real, transformador, superior, verdadeiro). As iniciais denominações: Raja Yoga, Bakti Yoga, Karma Yoga, Jñaña Yoga (a real, a devocional, a da ação, a do conhecimento). Essas vêm ganhando inúmeras co-denominações, entre elas a generalizadora Yoga Clássica. Mas talvez já se esteja passando da saturação nominativa. Melhor talvez seria dizer como o Marcos Shultz (de Florianópolis): "simplesmente Yoga".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo dizer que a tradição, à qual tive acesso inicialmente, do The Yoga Institute, do saudosamente respeitado em toda a Índia Shri Yogendra, de Mumbay, enfatizava o estudo e a prática do Raja Yoga, bem como a aplicação simplificada do Hatha Yoga. O que bem caracteriza a atualidade do Yoga Clássico. A fundação do The Yoga Institute em 1918, marca o que se chamou na Índia de o renascimento do Yoga, em completa inserção com o movimento de recuperação cultural, que veio a resultar na independência e no reconhecimento internacional indiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, foi uma grande sorte ter conhecido aquele sábio e o PhD. Jayadeva Yogendra, filho caçula do velho mestre, prosseguidor de seu trabalho fundador e que me orientou no Yoga Clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-2136166839288059332?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/2136166839288059332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=2136166839288059332' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2136166839288059332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2136166839288059332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/01/simplesmente-yoga.html' title='Simplesmente Yoga'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-2033829217936018219</id><published>2009-01-15T07:54:00.000-03:00</published><updated>2009-01-15T07:55:14.232-03:00</updated><title type='text'>O som primordial</title><content type='html'>Na tradição hinduísta, OM significa literalmente o nome de Deus. Mas há uma enorme diferença na concepção do que é divino ou humano entre o hinduísmo e as tradições ocidentais. Nestas últimas, há uma separação entre a divindade e os seres humanos. No hinduísmo, não há essa separação entre o divino e qualquer outro entendimento que se tenha daquilo que existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na compreensão hinduísta, tudo o que existe é divino, a existência é um atributo da divindade. Isso cria uma diferença extraordinária no modo de perceber a vida. Não há, por exemplo, pecado original; se existe algum paraíso, a Terra Prometida, o Jardim do Éden, ele está dentro de nós mesmos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para representar o som primordial, a divindade que há em nós, os hinduístas conceberam o OM. Som que condensa todos os sons, desde o emitido com a boca mais aberta, “A”, àquele com a boca fechada, “M”. O todo que é tudo e tudo determina, que é a divindade, é assim representado com um som que abrange todo o espectro sonoro. A modularização do som aberto para o fechado é feita com a letra “U”. A emissão desses sons ao mesmo tempo, resulta “AUM”, que soa como “OM”, em que o som vai-se nasalando, ao sair apenas pelo nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A origem dessa compreensão se dá na Índia milenar, na região do extinto rio Sarasvati, quando se estabelecem os primeiros registros de textos mais famosos, considerados sagrados no hinduísmo, os Vedas, considerados a expressão dos deuses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o OM está associado a uma linguagem, a um sistema de valores, de compreensão do mundo, da vida e de tudo. Nessa compreensão, há um princípio divino (Purusha), que tudo determina e está presente em tudo. Não há separação entre manifestação e não-manifestação. Tudo tem natureza divina, que não é personificada – embora a natureza humana personifique tudo, inclusive na Índia (mas não há representação da totalidade divina).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente, OM é divindade e uma forma de mantra, pois é um som repetido de modo regular para criar uma sintonia, uma harmonização. É um mantra primordial, o primeiro de todos, pois com ele se busca a harmonização de você com o você essencial. O propósito é a sua harmonização, você estar em si. Quanto mais você se torna autêntico, mais vive a sua vida com autenticidade, muito mais terá a dar, mais será original a sua contribuição ao viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o OM é um dos exercícios de aproximação de nós conosco mesmos, de prestar-se atenção em si, no corpo, nos sentimentos e até no que é anterior aos sentimentos. Enquanto o OM estiver vibrando dentro de nós, no nosso íntimo, estaremos com a atenção próxima da divindade, desse algo tão sutil que nem precisa materializar-se para ser percebido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa compreensão do hinduísmo tornou-se bastante complexa. Os hinduístas e mais tarde os taoístas perceberam que há vários caminhos sutis, dentro de nós, pelos quais a energia flui e se manifesta. São chamados de Nadis. A tradição ocidental, desde os gregos, refere-se ao sistema nervoso. A medicina chinesa, por sua vez, compreende pelo menos 14 caminhos (meridianos) de circulação de energia. Os precursores perceberam também que dentro de nós existem locais onde essas energias se concentram para se espalharem. São como anéis rodoviários, anéis circulares, os Chakras (círculos) dos indianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perceberam-se pelo menos sete Chakras. O primeiro distribui energia para o sistema estrutural (ósseo), fica na base da coluna (região do períneo); o segundo está associado à capacidade de concepção, das funções sexuais (fica abaixo dos rins), o terceiro é relativo às funções digestivas (na altura do umbigo). Esses três Chakras estão associados a uma manifestação mais substantiva, mais densa, da energia, à matéria propriamente dita. O quarto Chakra é de transformação do material no sutil, que é o Chakra do coração, que é considerado a sede da emoção com significado. O quinto está associado à garganta, à expressão desse sentimento com significado. O sexto Chakra fica localizado na região do cérebro (altura das sobrancelhas), sede dos significados e dos supra-significados. Já o sétimo Chakra estaria além do corpo, logo acima, é o corpo divino, o sutil, o espiritual. É chamado de Chakra das Mil Pétalas. Está na transição do mental para o espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de emitir o mantra OM por sete vezes, um OM para cada um desses sete Chakras, tem o propósito de nos manter íntegros, numa sintonia plena, numa totalidade para nos harmonizarmos e assim nos prepararmos para atuar na vida social. Vibramos com o som primordial OM para provocar uma dança interna e deixar os bilhões de células em harmonia divina. Passamos a perceber a realidade em uma dimensão mais apropriada. Em que tudo é bem mais simplesmente extraordinário e transitório... como deve mesmo ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-2033829217936018219?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/2033829217936018219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=2033829217936018219' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2033829217936018219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2033829217936018219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2009/01/o-som-primordial.html' title='O som primordial'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-7181540722337725658</id><published>2008-12-09T08:10:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T08:10:50.257-03:00</updated><title type='text'>Memória e estresse</title><content type='html'>No nosso cotidiano, vamos disfarçando o estresse, porque somos muito educados socialmente. Mas o estresse continua, numa camada muito profunda. Nós trazemos o acúmulo de estresse desde a infância e mesmo de períodos anteriores, da era das cavernas. Quando à noite ficamos acordados, resolvendo os problemas do mundo, o que fazemos é reavivar memórias muito antigas, cuja mensagem para o nosso corpo é de ameaça. Diante das ameaças, o nosso organismo se estressa, é levado a limites para os quais teria que tomar uma atitude e agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ficarmos acordados à noite, assistindo pela TV às desgraças do dia, nosso corpo é levado a reagir. Mas nós não saímos para combater os incêndios do mundo. Em vez disso, vamos para cama, depois de nos submetermos a todas as mensagens de ação. O resultado é que não conseguimos dormir, pois a mensagem acumulada, há milhares de anos de existência, é que temos que agir diante das situações de ameaça (ou pelo menos ficar bem preocupados).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do dia, podemos passar por várias situações desse tipo. Somos ou nos percebemos ameaçados, mas a condição educacional que temos – que é um privilégio, pois nos permite conviver socialmente – cobra de nós um preço alto, que são os acúmulos internos de tensão, com os quais de algum modo vamos ter que lidar. A dica é trabalharmos essa emoção, perceber que situações são essas, que chamam a nossa atenção profunda de forma tão exigente, para passarmos a evitar esses tipos de situação no cotidiano. Assim, não nos sentiremos tão ameaçados, estressados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na compreensão da prática de Yoga, o sábio Patanjali afirma que o nosso modo de ser, a nossa memória, tem um processo muito prático de se constituir. Temos alguma ação ou reação que provocam um resultado. Este é percebido, compreendido e traduzido num significado, com uma emoção associada, que fica registrada na memória e vira registro. No cotidiano, acontecem as manifestações involuntárias das memórias. Os hinduístas dão o nome para essas manifestações da memória de Sanskaras. Vêm então os pensamentos e nós tomamos decisões, em função de uma memória que ressurgiu. A ação provoca um resultado e novamente vivenciamos o resultado, com significado e emoção, e registramos uma nova memória. Então, esse processo não tem fim, é permanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de formação de memória se dá nestas quatro etapas: ação, resultado, percepção do resultado e memória. E assim prossegue o tempo todo. Então, nós temos esses impulsos, memórias recorrentes: estímulos que brotam sem sabermos bem por quê. De repente, começam a vir lembranças de algo, e em função disso somos envolvidos por essa lembrança, positiva ou negativa e, daí a pouco, ficamos eufóricos ou raivosos, sem nem saber bem por quê. A origem foi alguma coisa ou fato que nem existe mais, cujo registro é da memória de alguns anos passados; ou quem sabe até uma memória ancestral, que nem nos pertence verdadeiramente, mas que vem porque está no nosso repositório inicial, no banco de dados que herdamos de nossos ancestrais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao praticarmos Yoga, uma das intenções é deixar tudo passar como é. Evitamos julgar ou analisar os pensamentos, imagens ou sensações que passam. Assim vamos nos habituando a desligar o formador de memórias e a não darmos muita atenção às reminiscências que a memória fica mandando. Para resumir Yoga numa frase bem simples: é a cessação das manifestações da mente; essas manifestações que não têm uma conexão direta com a realidade presente. Claro que quando estamos lidando com a realidade objetiva, não faz sentido ignorarmos a nossa mente. Mas se não estamos nessa situação, tudo o mais que brota na mente é reminiscência, não tem nada a ver com o presente; ou é projeção de futuro ou é passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, praticar Yoga é lidarmos com a realidade estando aqui, em vez de não estar nem aí, perdidos nas armadilhas das memórias mal resolvidas. A memória talvez seja a mais difícil de lidar, dentre as manifestações da mente, que deveríamos controlar na prática de Yoga e da vida. Ela talvez seja a fonte mais abundante das cinco causas principais para o sofrimento mental: a ignorância, o egotismo exagerado, a aversão ao que não gostamos, o apego ao prazer e o medo da morte. Esses fatores poderiam ser reduzidos, se ficássemos mais atentos com a formação e o tratamento das nossas memórias de vida, as quais se associam ao estresse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, enquanto a gente ainda vai engatinhando no lidar com a memória, que tal programar a televisão para gravar o seu noticiário noturno, e se habituar a dormir mais cedo e em paz? Essa seria uma das várias pequenas mudanças possíveis que diminuiriam a exposição a situações estressantes. Experimente fazer uma listinha dessas possíveis melhorias na sua vida. Escolha algumas das mais fáceis para começar novos hábitos favoráveis a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-7181540722337725658?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/7181540722337725658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=7181540722337725658' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7181540722337725658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7181540722337725658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/12/memria-e-estresse.html' title='Memória e estresse'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-4141174569200884812</id><published>2008-12-03T22:10:00.001-03:00</published><updated>2008-12-03T22:10:51.441-03:00</updated><title type='text'>Yoga no café da manhã</title><content type='html'>Nós somos muito educados socialmente, para respeitarmos as regras e podermos conviver de forma pacífica. Mas justamente por sermos muito educados, criamos camadas de estresse, de tensão, que nem percebemos. Quando chegamos ao ponto de ter consciência que o estresse aconteceu, ele já criou situações muito negativas para nós, como dores e doenças que surgem como conseqüência de algo que já está no nosso íntimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se ao deitar ou acordar, lembrarmos de alguns dos exercícios de alongamento – como movimentar vagarosamente a cabeça em várias direções –, já teremos a oportunidade de soltar a região da musculatura que mais guarda tensões durante o dia. Do mesmo modo, podemos andar ao banheiro prestando atenção aos nossos movimentos, colocando primeiro os calcanhares no chão e sentindo a planta do pé, até o dedão, pisando corretamente, para aumentarmos a nossa consciência corporal .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No banho, podemos aproveitar para massagear, com movimentos circulares, as articulações e, com descida e subida, as partes longilíneas das pernas e dos braços, vindo das extremidades na direção do coração. Assim, trabalhamos a nossa circulação e orientamos o nosso sistema muscular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do banho, é um bom momento para fazermos o exercício de Saudação ao Sol, que serve para alongar as costas e aumentar o fluxo de sangue na cabeça e no rosto. Ao escovar os dentes, podemos fazer posturas verticais, colocando os pés bem paralelos, flexionando um pouco as pernas. Essa é uma forma de irmos praticando alguns exercícios, antes que o dia exija demais de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento matinal é a hora de nos ligarmos ao nosso corpo. Vamos chamando atenção para nós mesmos. De uma forma simples, exercitamos a presença, a autenticidade, para sermos quem somos antes que o mundo exterior solicite a nossa atuação social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem prefira exercitar-se à noite, ao voltar do trabalho. O cuidado é para não forçar demais a musculatura nem tracionar os tendões, pois à noite ficamos mais flexíveis, e há o perigo de exagerar nos alongamentos e movimentos. No período noturno, é preferível fazer exercícios mais meditativos e evitar grandes esforços e alongamentos. O exercício surte efeito com o tempo, com a habitualidade, com a repetição cotidiana. Assim, o efeito é cumulativo e gradual, sem exageros. Vamos aos poucos, aumentando a percepção da nossa presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yoga trata basicamente disso, de ser autêntico, ter uma vida plena, integral, feliz, capaz de estabelecer prioridades para lidar com os inúmeros problemas que sempre irão surgir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom lembrar que, em Yoga, os exercícios são alegorias; servem para treinarmos atitudes, para com isso percebermos como o nosso corpo participa dessas atitudes. Basicamente são quatro atitudes: perceber o contexto, meditar, entregar-se e cultivar a autoconfiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer Yoga é estar atento a si mesmo e ao contexto. A segunda atitude diz respeito ao saber onde estamos. Na atitude meditativa, levamos a atenção para dentro de nós, abrindo mão do mundo social; vamos ao limiar do espaço-tempo, no qual surgem os “insights” e temos acesso a respostas que estão no inconsciente coletivo. A atitude da entrega, do desapego, da aceitação, é o contrário do esforço. Em Yoga, não nos esforçamos; percebemos o limite e o aceitamos. Já a atitude de autoconfiança está associada aos exercícios em que abrimos os braços, inflamos os pulmões e envergamos o corpo para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, durante os exercícios de Yoga, o mais importante é nos concentrarmos nas atitudes, no que estamos fazendo, deixando que o organismo vá só até aonde pode ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-4141174569200884812?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/4141174569200884812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=4141174569200884812' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4141174569200884812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4141174569200884812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/12/yoga-no-caf-da-manh.html' title='Yoga no café da manhã'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-6859031174037624601</id><published>2008-11-18T08:30:00.001-03:00</published><updated>2008-11-18T08:30:42.145-03:00</updated><title type='text'>Yogue-se</title><content type='html'>Yoga é uma estratégia de vida. Por isso, praticar Yoga só tem sentido se fizermos com habitualidade, de preferência todos os dias. Os exercícios são alegorias, artifícios para criarmos uma disciplina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um bom hábito, por exemplo, aproveitarmos a hora do banho para praticarmos os exercícios de Yoga. Vamos nos alongando, praticando o que é possível fazer. Escovar os dentes é uma ótima oportunidade para praticar as posturas verticais, perceber as musculaturas, encaixar o abdômen, alinhar-se. Já é o início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No trabalho, alinhe a coluna vertebral ao sentar-se, mantendo-se sobre os ossos ísquios (aqueles internos às nádegas), para criar uma situação de estabilidade. Respire com a musculatura abdominal expandindo o diafragma, deixando o ar entrar nos pulmões; apóie os cotovelos e os antebraços nos braços da cadeira, sentando-se o mais confortável possível. De vez em quando, alongue o punho e os dedos, levante-se e ande, vá beber um pouco de água. Pisque bastante enquanto lê ou escreve. O ideal é alternar, de vez em quando, o olhar para longe, uma paisagem ou mesmo um espelho. Coloque as mãos em concha sobre os olhos, para relaxar a musculatura ocular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de dormir, acrescente também a prática de meditação. Feche os olhos e fique ouvindo os sons à sua volta, evitando julgar ou analisar o que está ouvindo. Assim, você vai acentuando o seu sentido de direção e equilíbrio. Perceba a sua respiração tranqüila e vá prosseguindo, lembrando ou criando situações agradáveis em sua mente. Uma das formas de meditar é cultivar um estado positivo da mente; com isso, neutralizamos uma certa tendência à negatividade que desenvolvemos em situações sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, vá inserindo, ao longo do dia, oportunidades de praticar Yoga, de se sentir presente, consciente. Vá praticando a capacidade de desapego do mundo social, que é uma das atitudes que se estimula em Yoga, e deixe o mundo prosseguir sem a sua interferência pessoal (pelo menos por algum tempo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na compreensão do Yoga, viver é incluir quatro atitudes básicas. A primeira é dispor-se a compreender o “Dharma”, a ordem, como as coisas acontecem, onde estamos. Essa ordem pode ser tão macro quanto a ordem universal, ou tão micro quanto a situação objetiva na qual estivermos inseridos num determinado momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda atitude está associada ao posicionamento, à tomada de consciência, de perceber onde estamos nessa ordem (Dharma). Em determinadas situações, estamos em tal posição que não dá para nos desapegarmos de nada. Tendo em vista o todo e a posição de cada um nesse todo, é que passamos ao segundo estágio de compreensão, que não é apenas a compreensão do &lt;em&gt;Logos&lt;/em&gt; – pelo estudo, pela pergunta e pela resposta – mas passa para &lt;em&gt;Phisis&lt;/em&gt; – em que cada um de nós e o todo nos tornamos uma coisa só. É o estágio meditativo, sem dualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira atitude é render-se à realidade, fazer aquilo que é adequado àquela realidade; perceber que não somos onipotentes, embora sejamos capazes de fazer algo. Ficamos atentos e percebemos a ordem, nós nos posicionamos nessa ordem e nos entregamos ao que é possível, adequado. Com isso, vamos desenvolvendo a condição da quarta atitude, que é a autoconfiança, aquela que nos permite ser o que somos em qualquer situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-6859031174037624601?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/6859031174037624601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=6859031174037624601' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6859031174037624601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6859031174037624601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/11/yogue-se.html' title='Yogue-se'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-4010860714406542708</id><published>2008-10-22T17:59:00.001-03:00</published><updated>2008-10-22T17:59:41.493-03:00</updated><title type='text'>Mestres de nós mesmos</title><content type='html'>O Yoga Sutra de Patanjali, em seus 195 verbetes, faz uma verdadeira síntese de algo que já vinha sendo construído há pelo menos uns quatro mil anos antes dele. A cultura hinduísta surge praticamente junto com a descoberta da agricultura, há pelo menos dez mil anos a.C. Os registros dessa cultura vieram sendo transmitidos oralmente, em formato poético, como o foram os ensinamentos de Yoga e vários outros, pois assim eram mais facilmente decorados e passados para as pessoas. Seu idioma, o Sânscrito, é visto como origem de muitos dos idiomas conhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As escolas hinduístas do pensamento são surpreendentes. Produziram uma concepção ampla do que é a vida e o universo, integrados ao cotidiano, à produção social: agricultura, comércio, relações políticas, etc. Todo esse conhecimento foi transmitido em versos, até tornarem-se textos de formatos atuais. O maior poema escrito em todos os tempos é o Mahabharata (a grande Índia), com uns cem mil versos! Nele há um capítulo chamado “O canto do ser divino”, o Bhagavad Gita, uma história muito ilustrativa dos conflitos do ser humano diante da vida. Chama atenção para estarmos presentes e assumirmos mesmo a nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio Patanjali surge numa data indeterminada (entre os séc. V a.C. e V d.C.). Ele é o responsável por sintetizar todo esse conhecimento e colocá-lo de uma maneira didática. O Yoga Sutra (cordão do Yoga) inclui até um código de comportamento. Fundamentalmente, fala de atitudes que reforçamos em nós mesmos para conduzirmos a nossa vida de modo que seja bom para nós e para os outros. Também dá as dicas para lidarmos com aqueles momentos em que nos fazemos perguntas essenciais, do tipo “o que estou fazendo aqui?”, "para que eu nasci?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali reforça que cada um de nós tem todo o instrumental, todas as condições para perceber as respostas aos nossos questionamentos mais profundos. Claro que podemos conversar e pedir ajuda a amigos e especialistas, afinal, nós interagimos o tempo todo. E é bom que seja assim, pois, na maior parte das vezes, é por meio do outro que cada um de nós passa a se conhecer. A presença do outro é fundamental. Mas temos, dentro de nós, todas as respostas que precisamos. Elas surgirão na medida em que as busquemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encontrá-las, vale tudo: conversar, meditar, ler, etc. Patanjali sugere a prática da humildade, do bom humor e do esforço orientado. A humildade é essencial para percebermos que todo mundo pode ser um grande mestre para nós. Todas as pessoas têm muito a ensinar, a explicar e a dizer, desde que tenhamos a disposição de percebê-las como mestres. Se estivermos dispostos a aprender e perseverarmos nisso, faremos com que a nossa vida seja uma contínua oportunidade de desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior fonte de prazer do ser humano é a curiosidade. A descoberta de algo, no mínimo de uma nova possibilidade, é o que nos encanta. Então, quando nos entregamos e nos aprofundamos no estudo, na descoberta, já estamos cultivando essa característica da felicidade humana tão preciosa que é a satisfação da curiosidade. Como o brotar de desejos é infindável, podemos criar uma espécie de "moto contínuo" de autêntica felicidade. O melhor é que nem precisamos comprar isso em lugar nenhum, pois já está disponível em cada um de nós. Custa só um pouco mais caro que sorrir à toa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-4010860714406542708?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/4010860714406542708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=4010860714406542708' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4010860714406542708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4010860714406542708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/10/mestres-de-ns-mesmos.html' title='Mestres de nós mesmos'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-1832767179957740843</id><published>2008-10-02T10:29:00.002-03:00</published><updated>2008-10-22T15:17:47.446-03:00</updated><title type='text'>No caminho de Samadhi</title><content type='html'>Em Yoga, há uma ênfase de caráter social, em que desenvolvemos um comportamento tão tranqüilo que conseguimos diminuir bastante as perturbações que o mundo social traz ou que levamos para ele. Ficamos em paz com as pessoas e elas em paz conosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio Patanjali, sistematizador do Yoga, afirma que o início do caminho em Yoga se faz com atitudes e ações correspondentes a um código de comportamento social, que prossegue no modo como lidamos com nosso próprio corpo, nossa mente e nosso espírito. Assim, fazemos um reforço: o corpo e a mente, por meio das atitudes e dos exercícios, vão estabelecendo um comportamento de liberdade (Moksha). Estimulamos e preservamos a liberdade nos outros e em nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os exercícios são chamados de ásanas, posturas (que dão firmeza, estabilidade e conforto) e pranayamas, exercícios respiratórios, de controle da energia. Como a nossa atividade está diretamente associada ao nosso ritmo de respiração, o controle desta traz o controle da energia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho do Yoga passa, então, pelo comportamento - controles e estímulos - e pelos exercícios - posturas e respiração. Além desses, há outros quatro passos, mais voltados para o nosso interior. O primeiro é o exercício em que dirigimos os sentidos para dentro de nós mesmos. Esse é um dos principais exercícios para recuperarmos o nosso ritmo natural e para o nosso organismo se libertar dos condicionamentos negativos que cada um de nós cria (ninguém está isento disso). É o que os hinduístas chamam de Pratyahara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse exercício, cobrimos superficialmente os lábios, as narinas, os cílios (cuidado para não machucar os olhos), tampamos os ouvidos e tentamos ouvir o nosso som interior. O objetivo é permitir que o organismo se recupere no seu próprio ritmo, independentemente dos condicionamentos mentais, que até então lhe ficamos impondo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros três passos formam um conjunto destacado: a meditação. Na compreensão hinduísta, sistematizada na escola do Yoga, a meditação é constituída de três estágios. O primeiro deles é o de concentração (Dharana), em que nos concentramos num objeto ou numa idéia ou num ponto dentro de nós ou na graça divina. No segundo estágio, quando essa concentração é continuada e já não fazemos esforço, atingimos a contemplação (Dhiana). Essa palavra, inclusive, é mais adequada quando nos referimos à meditação, no sentido que se dá em Yoga. A contemplação é um estado de concentração sem esforço; o observador e o objeto começam a ficar em tal harmonia que de repente acontece o terceiro estágio, em que não há mais separação entre ambos. Dá-se, então, um estado de transe, de superação da dualidade, chamado de Samadhi. É uma meta para todo praticante de Yoga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, em Yoga, buscamos desenvolver a habilidade de cultivo da liberdade (Moksha) de tal forma que socialmente sejamos bem aceitos, possamos lidar bem com os outros, estar em paz com o nosso próprio corpo – cuidamos dele de modo a que seja um aliado e não um atrapalhador, que está sempre pedindo atenção exagerada – e no qual nos permitimos ir além da dualidade das coisas, das relações de identificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver nesse estado zen, de Samadhi, é o ideal de quem pratica Yoga. Claro, não se chega lá de uma hora para outra. Vamos praticando, fazendo tudo com entusiasmo, com respeito a nós mesmos e ao que estamos fazendo, percebendo o caminho de cultivo, de aperfeiçoamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinteticamente, Patanjali chama atenção para comportamentos social e individual adequados e entusiasmo em tudo o que fazemos, com conforto e respiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a prática de Yoga, que vai muito além de uma coleção de exercícios. O que mais importa é a atitude, a habitualidade, a intenção do que fazemos com a nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-1832767179957740843?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/1832767179957740843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=1832767179957740843' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/1832767179957740843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/1832767179957740843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/10/no-caminho-de-samadhi.html' title='No caminho de Samadhi'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-8075417489379986315</id><published>2008-09-24T20:37:00.000-03:00</published><updated>2008-09-24T20:39:17.885-03:00</updated><title type='text'>Livre para ser</title><content type='html'>Uma das palavras mais importantes, na escola Yoga, é Moksha, que significa literalmente libertação, mas num sentido bastante amplo. Talvez o principal foco dessa liberdade seja percebermos o quanto podemos nos desapegar de amarras, convenções, complicações, que não são tão importantes assim, mas que se transformam numa rede que nos prende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira percepção dessa liberdade é diferenciar aquilo que é mutável e aquilo que é permanente na nossa vida. As circunstâncias em que vivemos, mesmo alguns valores, vão mudando ao longo da nossa existência, enquanto mantemos a mesma identidade e compreensão de nós mesmos como uma mesma pessoa. Além das convenções sociais, também vamos percebendo que a nossa compreensão da vida é dada por uma certa construção mental, que fazemos e que está associada também à nossa formação. Esse modelo mental muda o significado da realidade, a nossa própria apreensão da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que percebemos como realidade é absolutamente mutável. Então, não haveria por que nos apegarmos com tanta intensidade, se tudo é passageiro. Perceber essas nossas amarras talvez seja o principal foco do conceito de Moksha. É a libertação, liberação deste mundo ilusório, ao qual na maior parte das vezes estamos demasiadamente apegados, mas que é apenas uma forma de percepção, mesmo que compartilhada por muitas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa compreensão de liberdade, na prática de Yoga, é bastante radical, porque vai se contrapor à origem das noções, muito arraigadas em nós, do que é real, concreto, permanente. Mas, se por um lado a filosofia Yoga faz essa contestação radical, por outro ela nos oferece uma compreensão prática de como lidar com a realidade percebida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela propõe que cada um de nós adote limites e assim os perceba. Esses limites, obviamente, restringirão nossos movimentos, mas liberdade, em Yoga, não significa falta de comprometimento em relação a tudo. Os limites que são sugeridos, pela compreensão do Yoga, têm o objetivo de nos ajudar a lidar com a ilusão social. Na verdade, são bem menos limites e bem mais orientadores para lidar com o mundo fantasioso, de tal modo que não sejamos atrapalhados pelas armadilhas de comportamentos socialmente negativos, e possamos ter condições mais favoráveis de cultivar a nossa liberdade e bem-estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali, o guru histórico das escolas de Yoga, enfatiza um código básico de comportamento, conjuntos de restrições e de estímulos. São cinco restrições e cinco estímulos de direcionamento da liberdade. O sentido não é de proibição, mas de atenção e controle. Em Yoga, a sugestão é que, conscientes do nosso movimento, das nossas potencialidades, da nossa liberdade, possamos controlar punções, impulsos, movimentos para os quais, socialmente, somos empurrados e aos quais vale à pena dar atenção para não ofender os outros e nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As restrições básicas em Yoga são as seguintes: controle/atenção à ofensa (violência), à mentira, ao roubo, à prática exagerada do sexo (que anula o “ser”) e o respeito às condições objetivas dos outros (cobiça ou inveja).&lt;br /&gt;Essas restrições têm por propósito o cultivo da liberdade. Importante frisar que não se trata de “pecados”, crimes ou punições. Trata-se de temas sociais que afetam a todos nós, humanos. Em nossa formação, temos inúmeras ocasiões de lidar com esses cinco aspectos da vida social, e elas poderiam se dar de modo tranqüilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por um lado em Yoga, há um foco no controle, por outro há os estímulos, que, no ambiente social, aparecem de forma meio velada; percebemos pelos exemplos de pessoas próximas (pai, tio, professor, amigo etc), mas nem sempre são estimulados explicitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais estímulos também são cinco: pureza, contentamento, esforço (perseverança), estudo (hermenêutico e auto-estudo) e aceitação do princípio divino da vida. Esses cinco estímulos nos levam a um comportamento positivo. Como os sistemas sociais de controle são muito presentes, em geral, talvez seja mais efetivo cultivarmos com ênfase os cinco estímulos, pois assim, não daremos muita oportunidade para situações em que os controles tenham que ser exercidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pessoa que segue esses estímulos, que vive desse modo, provavelmente vai se envolver muito pouco em situações que lhe exijam o exercício de controles. Não estamos falando de um comportamento ingênuo, bobinho, de não ver o que existe de esquisito na vida, no mundo. Ao contrário, só somos capazes de cultivar a alegria porque percebemos a tristeza, de estudarmos porque percebemos a ignorância, e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses, digamos, “10 mandamentos”, são lembranças, pontos de atenção que formam uma base simples, mas muito densa, para a prática da liberdade (Moksha), que em Yoga tanto cultivamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos dizer que Yoga é Moksha, libertação – e não “salvação”. Em Yoga, não faz sentido “salvar” alguém, não se trata de um resgate! Trata-se de um modo preventivo de viver bem, e não de livrar alguém de culpas ou pecados já cometidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Yoga, como na natureza, não há pecado nem perdão. Moksha é o comportamento de escolha de atitudes e conseqüências que evitam o aprisionamento cultural, que nos ameaça, a cada vez, em que nos permitimos ou nos submetemos, de um modo aparentemente natural, a maltratarmos os outros e a nós mesmos, mesmo que a pretexto de sermos incluídos e podermos continuar vivendo na sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-8075417489379986315?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/8075417489379986315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=8075417489379986315' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8075417489379986315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8075417489379986315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/09/livre-para-ser.html' title='Livre para ser'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-4066423615253057750</id><published>2008-08-28T15:23:00.015-03:00</published><updated>2008-09-04T10:53:24.098-03:00</updated><title type='text'>Palestra: liderança essencial</title><content type='html'>&lt;em&gt;O tema que será tratado hoje é o modo como nós exercemos algum papel de liderança (seja em casa, na família, no trabalho, ou até conosco mesmos, quando estamos sozinhos ou acompanhados). Nós podemos olhar para certas questões relacionadas ao exercício da liderança e criar um modo de pensar que esteja presente durante o trabalho de planejamento que se vai fazer.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.yogaclassico.com/lider_essencial.pdf" target="_blank"&gt;&lt;strong&gt;Leia a íntegra da palestra ministrada no Serpro&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-4066423615253057750?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/4066423615253057750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=4066423615253057750' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4066423615253057750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4066423615253057750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/08/palestra-liderana-essencial.html' title='Palestra: liderança essencial'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-8001446991475950844</id><published>2008-08-26T14:27:00.005-03:00</published><updated>2008-08-29T19:00:20.094-03:00</updated><title type='text'>Sintonize em Samadhi e curta até insônia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nós tomamos decisões emocionalmente. Fazendo um paralelo com o Yoga, grande parte da prática yogue está focalizada nas emoções. Já que somos tão emocionais, é interessante haver um método que focalize as emoções de modo bastante atento, criando pré-condições ou condições para que cada um de nós vivencie as suas emoções, ao mesmo tempo em que se habitue a distanciar-se delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é fundamental para não ficarmos o tempo todo sintonizados numa só “freqüência emocional”, como quando ouvimos um mantra. Aliás, o mantra tem o efeito inverso: esvazia as emoções. Nós nos colocamos numa única freqüência e vamos nos desligando de quaisquer emoções que possam ficar brotando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época em que o sábio Patanjali escreveu o Yoga Sutra, e antes mesmo dele, com os recursos de compreensão da mente que se tinha até então, já se falava que toda ação implica um resultado que cada um de nós percebe. Ao percebermos o resultado, nós reagimos, pois atribuímos ao resultado um significado, que por sua vez também está associado a uma emoção. Nós seguimos agindo, provocando, percebendo e memorizando os resultados. Esse ciclo vai se repetindo numa freqüência extraordinária ao longo de nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali afirma que algumas dessas lembranças afloram em forma de pensamentos ou como algo, que nem pensamento é, e que essas manifestações provocam em nós ações. Então, vamos criando um verdadeiro filme na mente, em que uma lembrança vai puxando outra e mais outra. Daí a pouco, estamos resolvendo problemas que ainda nem aconteceram, mas que criamos nesse filme que projetamos. Isso acontece o dia todo. Nas mais diversas situações, somos tomados por essas reminiscências e embarcamos nelas. Há pessoas que sofrem muito com isso, pois as lembranças as mobilizam de uma forma negativa; elas entram num surto depressivo, em que ficam com mania de perseguição, pois tudo lembra uma situação em que foram perseguidas, oprimidas, e a emoção vem à tona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num momento de crise, nossa tendência sempre é voltar para um terreno seguro. Vamos até certo ponto e, quando nos sentimos ameaçados, recuamos para as lembranças de segurança. No cotidiano, nós vivemos fazendo isso. Cada vez que aparece uma grande novidade, nós reagimos. Nós somos assim, trazemos em nós esse comportamento que vem desde a era das cavernas, ou antes. O comportamento defensivo é algo natural em nós. Mas o que pode tornar-se desgastante no cotidiano é nos deixarmos perder por esses fluxos de reminiscências, de pensamentos e ficarmos remoendo. Este é o perigo: desperdiça a vida e nos deixa doentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dica de Patanjali é a seguinte: sempre que um desses pensamentos quiser nos pegar, nós até podemos curti-lo um pouco, para não ficar negando o sofrimento, mas antes que ele se torne uma complicação exagerada, o melhor a fazer é mudar de estação. Imediatamente, lembre-se de algo positivo, entre numa sintonia mais leve, agradável (pegue uma revista de fotografias bonitas, de piadas, cante uma canção amorosa). Assim, será possível analisar com distanciamento o problema: é algo para se trabalhar ou é apenas uma dispersão? Se for algo que já foi superado, o melhor é sair da sintonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali enfatiza que um dos caminhos para se meditar, para se entrar no estado mental que os indianos chamam de Samadhi, que é um estado de não-identificação, é cultivar lembranças agradáveis, pensamentos positivos, ficar em paz. Então, antes de dormir, em vez de assistir ao noticiário, cultive o bom astral e crie um clima agradável. Entregue-se, relaxe, ouça uma música suave, feche os olhos e apenas aproveite. Se barulhos aparecerem, incorpore-os aos outros sons ambientes, sinta a que distância eles estão de você, sem se preocupar em julgá-los. Você já estará num estado próximo ao Samadhi, principalmente se você se mantiver consciente. Os yogues acreditam que melhor do que dormir profundamente é dormir profundamente de modo consciente. Eis um grande desafio, saber que está sonhando e monitorar os sonhos, como se estivesse dentro de um cinema. Para conseguir esse estado, diga antes de deitar-se, ou enquanto vai relaxando os músculos do seu corpo, respirando numa cadência tranqüila: “vou ficar consciente durante o meu sonho”. E vá praticando todas as noites; é uma boa forma de ir fazendo Yoga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um segredo é usar a capacidade imaginativa para criar situações positivas. Lembre-se que qualquer emoção que temos é reforçada, de modo físico, pelo nosso cérebro. O hipotálamo cria neuropeptídeos, que são energia em forma eletroquímica e que são disparados para todo o organismo, reforçando a emoção na qual estamos envolvidos. Todas as células de nosso corpo são atingidas pelos neuropeptídeos. Assim, de modo inconsciente, nós reforçamos as emoções negativas, como fazíamos antes de sermos racionais, há milhares de anos. Mas, com a evolução humana (lembra do &lt;em&gt;homo sapiens&lt;/em&gt;?), formamos um cérebro intelectual, que se acrescentou ao antigo cérebro réptil - onde o hipotálamo reforça as emoções. Isso nos permite sair das armadilhas. Para tanto, valem todos os artifícios, principalmente o bom humor, que é um poderoso antídoto para curar os problemas no cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos mudar a programação do hipotálamo, trocar de sintonia. Um problema como a insônia passa a ser uma oportunidade de ficar consciente e relaxar os músculos, para observar o fluir dos pensamentos, ou das imagens positivas que se podem inventar ou recuperar. Daí vira uma curtição e prosseguimos, num estado de absoluta paz, até o dia amanhecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-8001446991475950844?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/8001446991475950844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=8001446991475950844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8001446991475950844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8001446991475950844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/08/sintonize-em-samadhi-e-curta-uma-boa.html' title='Sintonize em Samadhi e curta até insônia'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-1172621181588178188</id><published>2008-06-24T09:57:00.000-03:00</published><updated>2008-06-24T09:58:29.151-03:00</updated><title type='text'>Viva a sua plenitude</title><content type='html'>Meditar é concentrar-se em algo até sair do estado de concentração para entrar no estado de contemplação. Nós nos mantemos fixados em algo e daí a pouco, naturalmente, nos esquecemos que estamos fixados naquilo e prosseguimos contemplando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No estado de contemplação, permanecemos atentos, mas não mais “tensos”,                         concentrados. O próximo passo, então, é distanciar-se da identificação que surgiu entre nós e o objeto da concentração anterior. Como isso se dá mesmo, ninguém sabe ao certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência que vem a seguir da contemplação, o Samadhi, é individual. Cada um vai experimentar de uma forma diferente. Mas todos os relatos apenas dizem que, de repente, vai-se. Alguns passam longo tempo meditando, contemplando, sem que nada ocorra. Até que um dia, de repente, acontece. Com a prática, sentado ou deitado, vai ficando cada vez mais fácil. De início, pode ser melhor meditar deitado, para não sentir desconforto físico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de relaxarmos, nos concentrarmos, deixarmos os pensamentos, imagens e sensações passarem, chegamos a um estado no qual ficamos abertos a experiências extra-sensoriais, fora da dimensão espaço-tempo. Mas o sábio Patanjali chama atenção, no Yoga Sutra, para não nos encantarmos, nem tentarmos operacionalizar essa experiência, que parece meio mágica. O que ele sugere é que cada um de nós se entregue, consolide as suas experiências, para perceber qual é o seu propósito, o seu caminho; que cada um se entregue às suas experiências meditativas com habitualidade, deixando brotar respostas para as silenciosas perguntas que estão dentro de nós, as quais as palavras não ajudam a dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, começaremos a ver o mundo de forma bem diferente. Começará a fazer sentido o que dizem os hinduístas: que a vida é muito mais do que se apresenta; que vivemos relações convencionais; que não é preciso sofrer nem se empolgar tanto. Com essa compreensão, a vida passa a ser muito mais tranqüila. Os aborrecimentos passam a ser vistos como algo insignificante, perto do que a vida é. Passamos a lidar melhor com o cotidiano, e vamos ficando cada vez mais disponíveis para ver a essência das coisas, dos relacionamentos, da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um modo de começar a praticar poderia ser o que os yoguis chamam de Yoga Nidrá, a prática do sono/sonho dos yoguis, quando, na hora de dormir, se faz um relaxamento profundo e se tem experiências oníricas, conscientes. Durante o relaxamento, ficamos mentalizando o desejo de ficarmos conscientes durante o sono que virá. Desse modo, quando permanecermos presentes em nossos sonhos, ficaremos nos observando “em ação”, e já estaremos praticando uma forma bem efetiva de meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse hábito vai-se consolidando, e vamos incorporando à vida, do mundo material, a dimensão onírica, que é tão ou mais interessante que o videogame ao qual estamos acostumados. Será a continuidade que nos vai possibilitar o aperfeiçoamento. À medida que formos praticando e compreendendo as nossas experiências, estaremos cultivando um estado mais amplo de consciência, aprendendo a lidar mais tranqüilamente com o cotidiano e experimentando um viver cada vez mais próximo da plenitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-1172621181588178188?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/1172621181588178188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=1172621181588178188' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/1172621181588178188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/1172621181588178188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/06/viva-sua-plenitude.html' title='Viva a sua plenitude'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-5026684421198431510</id><published>2008-06-20T21:45:00.004-03:00</published><updated>2008-08-19T00:50:17.331-03:00</updated><title type='text'>Viagem ao centro de si</title><content type='html'>&lt;p&gt;Os estilos de meditação em Yoga são basicamente dois: Samprajanata Samadhi, aquele em que a identificação está presente, em que procuramos compreender algo com o que nos identificamos; e o Asamprajanata Samadhi, aquele em que não há identificação alguma.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No primeiro tipo, nós estabelecemos uma identificação de tal ordem que chegamos a criar um vínculo com o objeto. No segundo, não há um foco, não há substância, não há nem um objeto totalmente abstrato.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As pessoas que sentem necessidade de meditar sobre algo concreto, podem criar alguns mecanismos, como fazer registros, anotar ou mesmo modelar o objeto. São artifícios cognitivos de identificação. Assim poderá ser mais fácil compreender a identificação com o objeto da atenção. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pode-se, então, deixar os pensamentos fluírem; não qualquer pensamento, mas sim aqueles que se relacionam com o objeto escolhido. Um pensamento vai puxando o outro, com o foco em uma determinada situação, evitando-se a dispersão. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Podemos meditar de forma despretensiosa, como um exercício para sair um pouco das pressões sociais; ou de forma densa, meditando sobre a compreensão da vida, do modo de ser, dos padrões individuais e sobre as relações sociais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Também é possível meditar sem concretude. Os objetos, nesse caso, podem ser imagens, conceitos ou emoções - qualquer uma que se queira: injustiça, indignação, alegria, êxtase ou variações entre esses pólos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pode-se criar uma materialização para ajudar, com desenhos ou mini-esculturas, aquelas com massinhas ou miolo de pão, por exemplo, para perceber melhor os sentimentos recorrentes e fazer referências a eles: quando esses sentimentos aparecem? Com quem eles brotam? Com que propósito? Como lidar com eles? Se há um padrão, fica mais fácil identificar-se, porque é o padrão de cada um. Nesses modos, o meditante poderá utilizar recursos de anotação, para facilitar o seu exercício. Afinal, nem só sentado ou deitado se medita.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Até agora falamos do primeiro movimento, que é a identificação. Escolhemos, decidimos, criamos os nossos artifícios, do mais concreto até o mais sutil. Nós nos transformamos no objeto em questão, reconhecemos dentro de nós aquilo que representamos, o sentimento do ser.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aí vem o outro movimento, o contraponto, a essência da meditação, aquilo que faz acontecer o Samadhi, a partir do desapego da identificação. É a plena meditação, que ultrapassa a concentração e a contemplação, e que é de total não-ação. O objeto e o observador se fundem. Primeiro nos identificamos com o objeto, que é usado como apoio, e depois nos abstraímos completamente dele.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando há o apoio de um objeto concreto ou sutil, é o caso do Samprajanata Samadhi; se a meditação é de não-ação completa, nem identificação há, trata-se do Asamprajanata Samadhi. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;No primeiro, o pensamento está presente, focalizamos a atenção, verificamos nossa identificação com o foco da atenção, para em seguida abrirmos mão da identificação e nos permitirmos ficar num estado contemplativo, de não-ação, de liberdade em relação àquela identificação percebida. A sensação de liberdade se expande em nós, mesmo que sua origem tenha sido um objeto determinado. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;No segundo, em geral mais raro, mais “avançado”, o estado de não-ação é obtido, alcançado, acontece, sem o artifício direcionador do pensamento dirigido a um alvo. Os místicos, os de muita fé, os simples e sábios o realizam pela cessação da atividade mental, intelectual, cognitiva. Eles se colocam, cada um ao seu estilo, em um estado de consciência plena, e distantes de toda apelação existencial, provavelmente experimentam uma extraordinária e indescritível liberdade. Talvez, o silêncio primordial.&lt;/p&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-5026684421198431510?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/5026684421198431510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=5026684421198431510' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5026684421198431510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5026684421198431510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/06/viagem-ao-centro-do-eu.html' title='Viagem ao centro de si'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-5903622065976998915</id><published>2008-06-13T10:39:00.000-03:00</published><updated>2008-06-13T10:40:02.996-03:00</updated><title type='text'>Testemunhas de nossa atenção e respiração</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em Yoga Clássico, os exercícios físicos só fazem sentido se nos estimularem a praticar algumas atitudes de vida. O exercício é muito bom sob vários aspectos, mas será ainda melhor se, ao fazermos, nos concentrarmos na atitude que este propicia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São quatro as atitudes que cultivamos em Yoga: desapego, autoconfiança, tomada de posição e tomada de consciência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cada atitude está associada a um tipo de movimento. Por exemplo, a atitude de desapego, de entrega, está associada aos exercícios em que nos curvamos para frente. Já quando nos curvamos para trás, abrimos o peito, cultivamos a autoconfiança. Nas posições, em que nos colocamos aprumados na vertical, estimulamos a atitude de tomada de posição, percebendo tudo o que está à nossa volta, a ordem na qual estamos inseridos (e verificar se não estamos sendo alguém estranho no ninho).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A tomada de consciência está relacionada às posições que propiciam a meditação, a contemplação; ficamos muito mais focados na não-ação, quando não precisamos agir. Percebemos que quem de fato vê e percebe é alguém muito anterior em nós. É o ser consciente que nos constitui de origem, embora nos dispersemos dele cada vez que assumimos uma personalidade, uma máscara ou personagem, para atuarmos num contexto circunstancial qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então, essas quatro atitudes é que são o foco de exercício da prática de Yoga. Fazemos isso de corpo presente, plenamente, com toda a nossa consciência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas várias posições (ásanas), nós nos concentramos na respiração: quando nos alongamos, na vertical, vamos inspirando e voltamos expirando; quando nos curvamos para a frente, vamos expirando e voltamos inspirando. O foco na respiração facilita a concentração na atitude correspondente ao exercício.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando respiramos, nos sincronizamos com o principal ritmo da nossa vida. O ritmo da nossa energia, da nossa atividade, é o ritmo da nossa respiração. Daí a importância de respirar bem, profundamente. Ao nos concentrarmos na nossa respiração, deixamos de dar atenção exagerada ao mundo exterior e nos voltamos para nós mesmos, para o nosso processo consciente mais vital.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Yoga e em várias tradições, energia e respiração são absolutamente associadas, há uma congruência entre as duas. Vamos respirando conforme o ritmo da nossa atividade e a principal ênfase é em deixar o ar fluir. Não há preocupação em respirar muito, até porque é mais funcional expirar do que inspirar. O ar entra, o difícil é sair. O ideal é caprichar em expirar, encolhendo o abdômen; e para inspirar, basta liberá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vamos percebendo a nossa respiração de acordo com o que estamos fazendo, de modo a nos sentirmos bem. Quanto mais profunda, silenciosa e contínua for a nossa respiração, melhor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao prestarmos atenção na inspiração e na expiração, conseguimos ficar em dois lugares ao mesmo tempo. No que estamos fazendo, e em nós mesmos. Seremos testemunhas de nossa atitude e do que estamos fazendo. Essa é a situação ideal, porque estaremos em plena consciência; tão conscientes que seremos capazes de perceber o ritmo da nossa respiração. A nossa tranqüilidade será muito maior. Haverá plenitude. Passamos a lidar com as situações das mais desafiadoras de um modo extraordinário: ao mesmo tempo com proximidade e distanciamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-5903622065976998915?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/5903622065976998915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=5903622065976998915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5903622065976998915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5903622065976998915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/06/testemunhas-de-nossa-ateno-e-respirao.html' title='Testemunhas de nossa atenção e respiração'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-9222676893545307598</id><published>2008-05-19T12:57:00.000-03:00</published><updated>2008-05-19T12:59:13.033-03:00</updated><title type='text'>Atitudes fazem a diferença</title><content type='html'>Na prática de Yoga, você deverá ficar bem consigo mesmo. Ao se sentir bem, completo, você terá algo de bom para dar, que é o seu bom astral. Quando em Yoga se diz que uma pessoa está iluminada, significa que ela está nesse estado de espírito, de completude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os exercícios de Yoga têm o propósito de levar a esse estado de felicidade. E tudo começa com as nossas atitudes diante da realidade, do mundo social. Basicamente, são quatro as atitudes. Em primeiro lugar, devemos saber onde estamos, ter um sentido de orientação, de ordenamento. Procuramos perceber onde estamos para nos posicionarmos. Essa atitude está associada a todos os exercícios em que nos alongamos na vertical ou deitados; nós alinhamos a coluna vertebral, os ossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda atitude é a de tomada de consciência. Está associada aos exercícios preparatórios para a meditação, em que nos voltamos para dentro de nós mesmos, tomamos consciência da unidade que somos, cultivamos essa compreensão interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira é a atitude de desapego (abrir mão de algo). Essa é das mais difíceis, até em termos físicos (do próprio corpo). Em cada movimento, usamos, no mínimo, dois conjuntos de músculos: aqueles que provocam o movimento e os que se antepõem. Por exemplo, quando levamos o corpo para frente, os músculos dianteiros puxam o corpo para nos flexionarmos, e os músculos das costas fazem um esforço de compensação. A musculatura vai cedendo, à medida que deixamos o corpo ir. Não será numa vez só, que fizermos os exercícios, que a musculatura vai-se alongar, mas sim, por se praticar algumas vezes, com paciência, e durante “a vida toda”. A cada vez que fizermos, a musculatura irá adequar-se um pouco mais às nossas intenções de flexibilidade e tonicidade. Se o praticante agir com desapego ao rápido resultado, e entregar-se para aceitar os seus limites momentâneos, o seu corpo terá oportunidade de perceber a mudança de atitude para colaborar em sua realização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Yoga, o cuidado é sempre no sentido de evitar o exagero (que podem levar a lesões). Nós já temos a musculatura adequada para o que precisamos, que é carregar o nosso próprio peso. Então, com essa atitude, buscamos soltar tudo o que não precisamos reter. No caso do nosso corpo, são principalmente as costas e toda a musculatura posterior que se habituaram a contrair-se demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quarta atitude é de autoconfiança, algo que devemos praticar na vida social para poder lidar com a rejeição e a realização do que se precisa fazer. Para isso, precisamos ainda mais estar bem conosco mesmo. Os movimentos de autoconfiança são aqueles em que abrimos o peito. Nas posturas de autoconfiança, alongamos a musculatura frontal ou nos envergamos para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São essas as quatro atitudes que, de fato, devemos fazer presentes nos exercícios. Yoga não é coreografia ou dança. O que fazemos nos exercícios, que até podem parecer coreografias para quem está vendo de fora, é praticarmos diferentes atitudes, que podem fazer toda a diferença na nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-9222676893545307598?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/9222676893545307598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=9222676893545307598' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/9222676893545307598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/9222676893545307598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/05/atitudes-fazem-diferena.html' title='Atitudes fazem a diferença'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-7672011857481147706</id><published>2008-05-02T11:29:00.002-03:00</published><updated>2008-05-02T11:34:02.712-03:00</updated><title type='text'>Yoga em síntese</title><content type='html'>&lt;p&gt;Yoga, basicamente, é uma das linhas filosóficas hinduístas, sendo que as principais são seis. Essas escolas remontam há milhares de anos e propõem a compreensão da vida de um modo que permanece contemporâneo. Elas espalharam-se pela Índia inteira e fora dela; são bastante parecidas entre si e com o Budismo também (este constitui uma escola não-ortodoxa do Hinduísmo). São mais complementares que antagônicas. Assim como o Budismo, o Yoga, acabou chegando ao Ocidente, mas sem conotação religiosa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A maneira prática como a tradição hinduísta espalhou-se é muito semelhante à da literatura de cordel. Surgiram e espalharam-se textos cantados e recitados, que iam sendo incorporados às regiões que alcançavam. O principal texto-poema indiano é o Mahabharata (incluindo o famoso Bhagavad Gita, que aqui ganhou música de Raul Seixas e Paulo Coelho).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O principal texto sobre Yoga é o Yoga Sutra (pequenos textos em cordão), escrito pelo lendário sábio Patanjali (no período entre 500 A.C. e 300 D.C.), que reúne apenas 195 versos. Esses versos, ou sutras, estabelecem um roteiro filosófico, que é um modo de viver e de orientar a vida. Essa estratégia de vida tem a seguinte síntese: acalme, domine os seus pensamentos, apazigúe as variações da sua mente e esteja presente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;À medida que ficamos conscientes do que pensamos, que nos mantemos presentes o tempo todo, testemunhas de nós mesmos, enquanto fazemos algo, deixamos de ser apenas a pessoa que faz e passamos a ser também a pessoa que não faz, mas observa, e observa principalmente essa pessoa que faz. Isso ajuda muito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Patanjali inicia o Yoga Sutra definindo Yoga como a cessação dos turbilhões da mente. Ele praticamente desenvolveu os fundamentos da psicologia, dois mil anos antes de Freud, ao propor as bases da compreensão da mente: como a mente funciona, como podemos interagir com ela e como podemos fazer com que ela seja uma aliada e não um fator de perturbação e ansiedade. O que Patanjali propõe é o viver para a felicidade. Na seqüência, ele nos chama a atenção de estarmos no mundo real. Embora tenhamos um mundo interior muito rico de possibilidades, temos de desenvolver a habilidade de lidarmos simultaneamente com o mundo social e exterior a nós. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo o pensamento hinduísta, nós já surgimos como uma unidade, somos todos uma unidade. Neste mundo material, temos a oportunidade da experiência individualizada, em que ganhamos um nome. Essa variedade de experiências nós as vivenciamos porque abrimos mão da unidade e passamos a viver a dualidade: a unidade em confronto com outras percepções da mesma unidade. Daí surge o mundo social, que é superinteressante por ser propiciador de experiências. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Portanto, na compreensão hinduísta, o sentido da vida é viver por viver. Vivendo, por conseqüência, temos a oportunidade da experiência e da realização da consciência.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rigorosamente, nós somos unidade. Nós nos materializarmos neste modo em que aqui estamos e podemos viver o mundo dual, no qual a nossa cultura se especializou. Embora a filosofia hinduísta parta desse princípio da unidade, ela de imediato chama atenção para a realidade dual, na qual as aparências se antepõem. Surge então uma complexidade social extraordinária, a ponto de a unidade parecer perder-se. Daí a necessidade de recuperação do sentido da unidade. É como se o viver fosse um pêndulo, em que vamos ora num sentido, ora noutro. Assim vamos percebendo que podemos, simultaneamente, vivenciar a unidade e a multiplicidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aí vem a questão cultural. Desde pequenos, vamos sendo educados, pressionados, estimulados a nos relacionar com os outros. Isso vai ficando cada vez mais acentuado a ponto de nos especializarmos no mundo social. Pode acontecer de essa dimensão social ser tão entusiasmante que não realizamos o sentido da unidade em uma única vida; a nossa consciência pode perder-se nos muitos apelos do mundo social. Na filosofia hinduísta, não há nenhum problema em se perder, pois nela morremos e nascemos de novo, e aí começa tudo outra vez...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um propósito de viver, portanto, é também o de se libertar dessas múltiplas experiências recursivas. Todas as escolas filosóficas hinduístas afirmam que essa multiplicidade é uma ilusão. Tudo o que está à nossa frente é uma ilusão, uma convenção; nós aprendemos a ver a vida do jeito que vemos. Mas, na realidade, nós vivemos videogames, que são orientados pelo tipo de formação, de referencial, de modelos explicativos que nós tivemos e adotamos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ora, à medida que escolhemos os nossos modelos explicativos e percebemos que tudo aquilo que vivenciamos é interpretado por nós segundo esses modelos, tudo pode ficar diferente, pois nós podemos optar por experimentar outros modelos ou abrir mão dos modelos e nos entregarmos à realidade. Nessa entrega, surge a diferença filosófica entre Oriente e Ocidente, logos versus phisis, processo analítico versus processo integrativo da realidade. No segundo caso, temos a percepção direta da realidade como unidade, sem modelo explicativo algum. O fato é, porém, que tanto podemos estar na ilusão desses modelos, quanto na ilusão da percepção direta sem auxílio algum. E então temos um desafio que persiste para os filósofos de todas as tradições.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não por acaso, a palavra que os indianos mais prezam é liberdade, Moksha. Mas que liberdade é essa? Não é nenhuma liberdade “sem limites”, mas sim de podermos escolher o nosso modelo explicativo, ou ter acesso direto à realidade, ou ainda ver por dentro como a vida é. Segundo os hinduístas, a grande liberdade é a libertação da ignorância de não saber que nós experimentamos o mundo por meio de modelos explicativos; a maior ignorância é esquecer que originalmente nós somos uma unidade, que não temos carência alguma do ponto de vista essencial. As carências que surgem são decorrentes da interação social, que cria uma realidade adicional e que se superpõe à unidade essencial.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma das grandes sabedorias dos hinduístas é estimular a realização dessa liberdade maravilhosa que é perceber a unidade divina que constitui cada um de nós, e agir em conformidade com essa compreensão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-7672011857481147706?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/7672011857481147706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=7672011857481147706' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7672011857481147706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7672011857481147706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/05/yoga-em-sntese.html' title='Yoga em síntese'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-433860712747397431</id><published>2008-04-22T21:23:00.002-03:00</published><updated>2008-04-22T21:27:45.125-03:00</updated><title type='text'>Universo de possibilidades</title><content type='html'>O Yoga e outras filosofias, bem como as ciências, de modo geral, oferecem modelos explicativos da realidade. O compartilhamento desses modelos nos permitiu comunicar e assim evoluir como espécie. Os modelos serão tão bons quanto quisermos que sejam, conforme a capacidade de aplicação que tiverem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A origem remota de quase todos esses modelos é muito semelhante. Eles surgem em uma época muito anterior à escrita, mas na qual as pessoas já conversavam. Das muitas observações que foram feitas por nossos ancestrais, a mais importante talvez tenha sido a que permitiu o surgimento da agricultura, há cerca de dez mil anos. Ela foi viabilizada porque se conseguiu determinar com precisão o movimento relativo do sol, por meio da marcação dos equinócios da primavera e do outono, bem como dos solstícios do inverno e do verão. A marcação era feita com pedras gigantescas, para ninguém as tirar do lugar. Ocorreu, assim, a primeira divisão do tempo nas estações de preparar a plantação, plantar, fazer o cultivo e realizar a colheita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu passou a ser um verdadeiro quadro-negro, cheio de informações. Além do sol e da lua, que determinavam os ciclos do tempo, as estrelas também começaram a ser úteis para se determinar as principais direções. Começamos a fazer conexões de estações não só com o sol e a lua, mas também com as constelações. Fomos usando imagens que nos eram familiares para identificar o céu. Passamos a chamar grupos de estrelas de escorpião, touro, virgem, e assim por diante. Essas figuras foram sendo associadas aos ciclos do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tanto observar os fenômenos agrícolas, fomos nomeando as constelações conforme a sua aparição no ciclo da agricultura. Assim, por exemplo, a colheita foi associada ao signo de Virgem; a semeadura, à previsão do local de plantação, foi relacionada a Capricórnio; a manutenção da colheita associou-se a Touro, que puxava o arado; e assim por diante. Não deve ter demorado muito para se associarem as características das atividades humanas nessas estações às pessoas que estivessem ligadas a elas. E assim fomos criando maneiras de explicar ou tentar compreender a realidade com a qual lidávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos interessa nessa história é o compartilhamento de experiências, que são objeto de conversas e registros, para que se tenha fácil acesso e recuperação. Além do céu, que todos vêem, sempre houve um ambiente no qual compartilhamos, registramos e acessamos experiências, até que elas se tornem cultura. Quanto mais grupos humanos distantes, mais variedade de formas de explicação, de registro, de modelos. Ao longo da história, os grupos vão-se aproximando e compartilhando possibilidades e estabelecimento de comunicação. Isso faz parte do nosso viver cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, tudo parece diferente quando um modelo explicativo da realidade mostra as coisas de outra maneira. Por exemplo, se passarmos a perceber o ser humano como uma unidade divina, a nossa visão de mundo será muito diferente daquela que pressupõe uma separação entre um ser divino e um humano. A compreensão dependerá do modelo que escolhermos para direcionar a nossa visão da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as muitas possibilidades, o modelo filosófico hinduísta tem como conceito primordial a unidade de um princípio divino de inúmeras possibilidades de manifestação e também de não-manifestação. Dessa unidade decorre a dupla disposição de manifestar-se ou não. Surge toda uma cultura que incorpora o divino em si, em que o mundo da não-ação material e o mundo denso das ações têm a mesma legitimidade; são igualmente verdadeiros; vive-se em ambos os modos o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto em um modelo como em outro, surgem mediadores para propiciar as relações entre o divino e o humano. No de separação, para intermediar as relações. No de unidade, para desenvolver as relações. Os resultados que se observam podem ser muito diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no modelo “ocidental”, no qual fomos criados, a atenção está mais voltada para que possamos lidar com a produção material e suas conseqüências nas relações sociais. Ele estabelece as relações que são exteriores a nós e que também nos afastam da nossa convivência interior. Mas a vida não é bem assim, pois o mundo que podemos vivenciar internamente tem uma realidade extraordinária. Para percebermos isso, temos que superar o envolvimento social, para deixarmos brotar o que está dentro de nós (des-envolver a alma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente de qual seja o melhor modelo, o importante é que tenhamos clareza de que não estamos falando da realidade, mas sim de modelos explicativos da realidade. Conforme o modelo que adotarmos e praticarmos, a realidade pode se tornar muito diferente. O modelo do Yoga, que estamos aqui acrescentando, privilegia a divindade com a mesma intensidade com que se privilegia a matéria densa, percebe divindade em tudo. A premissa é a não-separação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você, nos exercícios de total não-ação (meditativos, por exemplo), de alguma ação (respiratórios) ou de bastante ação (ásanas), em qualquer dessas situações, estiver ligado que você é um todo (divino e humano), a sua vida pode se tornar muito diferente... e talvez melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-433860712747397431?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/433860712747397431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=433860712747397431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/433860712747397431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/433860712747397431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/04/universo-de-possibilidades.html' title='Universo de possibilidades'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-839510894839234543</id><published>2008-04-10T00:02:00.002-03:00</published><updated>2008-04-13T10:04:21.560-03:00</updated><title type='text'>Yogues urbanos</title><content type='html'>&lt;p&gt;Hoje quero comentar um pouco o filme “Samsara”. Aliás, dá para conversar bastante sobre esse belo filme! Vou me concentrar no aspecto que considero essencial, que é o desafio de viver o nosso tempo. Os hinduístas sugerem que podemos desenvolver a sabedoria se passarmos por quatro estágios da vida: o tempo de estudante, o de realização material, o de retiro e o de retribuição com a sabedoria adquirida; se vivermos integralmente tudo isso, sem pular etapas. Vamos aprendendo com a própria experiência e, em algumas vezes, também aprendemos, antes de errar, por observar e aprender com os erros dos outros. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nós todos somos deuses anônimos, todos temos esta realidade extraordinária que é a vida conosco e temos a oportunidade, se quisermos, de viver com essa intensidade entusiamada. No entanto, por mais “iluminado” que alguém possa ser, continuamos no mundo social e vivenciamos isso. A questão é o grau de importância que damos ao viver social na circunstância em que estamos. Esse é o ponto. Haverá circunstâncias em que daremos prioridade máxima a essa dimensão, mas haverá muitas outras em que teremos oportunidade de olhar a vida social com uma prioridade muito menor. Entre a muita ou nenhuma atenção, estaremos presentes. Cada um de nós é quem estará lá (na situação objetiva), e é isso que pode mudar tudo, quando se considera que é “você” quem dá prioridade, quem dá atenção, e não o seu personagem de plantão ou o que está envolvido na situação. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O desafio do yogue urbano, ao adotar o caminho filosófico dessa escola hinduísta, é conciliar o que o Yoga adiciona de compreensão da vida a toda uma cultura que já está impregnada em nós (que não crescemos na Índia). Haverá acréscimos e diferenças em algo muito forte, muito enraizado e estabelecido em comportamentos e atitudes habituais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não por acaso, acho muito melhor viver Yoga no Ocidente, ser um yogue urbano, do que praticar Yoga no Tibet, ou na Índia do citado “Samsara”. O filme acentua que os monges lá não têm muita escolha, já crescem num contexto que elimina inúmeras condições dos desafios de viver. E, volta e meia, as coisas se complicam mais do que se aprendeu no monastério. Creio, por um lado, que é muito mais desafiador ser um yogue em uma cidade normal, do que ser yogue em Rishikeshi (a “capital” do Yoga), por exemplo; por outro lado, as virtudes que se desenvolvem aqui poderão ficar mais consistentes, porque serão mais colocadas em teste. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Claro que aqui no Ocidente, para praticarmos Yoga, temos que fazer uma redução cultural muito grande. Há uma mudança de conceitos do que significa a vida. Portanto, vamos praticar Yoga com a nossa formação: cristã, espírita, umbandista, judaica, evangélica, e todas mais que fazem parte da nossa cultura. Vamos adaptar o hinduísmo à nossa compreensão, para fazer esse essencial que é a realização da consciência, estar presente, perceber-se, tornar a vida algo agradável, consciente, bonito, e feliz.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Curioso que, para os gregos antigos, a felicidade seria algo impossível, pois estaríamos sempre desejando algo que não temos (conforme Platão). Seria a contínua insatisfação, o reino infernal para o marketing eterno. Eles não sacaram que se pode desejar o que se tem, o que é real, o que está aqui e agora. No filme “Samsara”, e em seu contexto, um monge escreve para outro e pergunta: “entre satisfazer mil desejos e dominar apenas um, o que será mais importante?” Ora, jamais satisfaremos os infinitos e brotantes desejos. Viver inclui desejar. Não há nenhum problema em ser uma criatura desejante. Essa é uma condição essencial. Mas se vivemos como meros realizadores de desejos, operacionalizamos a consciência e perdemos essa pré-condição do ser.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O desejar não tem fim. Portanto, desenvolve-se a técnica do domínio de pelo menos um desejo, aquele que será a nossa fonte de segurança, a nossa afirmação da consciência. Vamos perceber os nossos desejos; nos entregaremos a alguns; seremos arrastados por outros; satisfaremos outros ainda e, ao mesmo tempo, estaremos praticando o domínio do desejo. É como se percebêssemos assim: estou desejando, e agora? Entrego-me ou não? Vou ou não vou? Decido! A partir daí entra a prática da vontade. Estaremos íntegros, atuando conscientes na vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nosso tempo de vida nos oferece as circunstâncias de aprendizado, realização, desapego e aplicação da sabedoria. Já valeria viver só por isso, e seria um desperdício abandonar a consciência nos turbilhões dos desejos ou condená-la na negação deles. Cada circunstância, de cada estágio da vida (aprendizagem, experiência, renúncia e sabedoria), é determinada com a perspectiva pela qual participamos em nossa época e lugar,e vivenciamos nossos desejos e seus desafios de satisfação ou domínio. Tudo será passageiro, mas o percurso fará toda a diferença. &lt;/p&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-839510894839234543?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/839510894839234543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=839510894839234543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/839510894839234543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/839510894839234543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/04/yogues-urbanos.html' title='Yogues urbanos'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-6950860483880878137</id><published>2008-03-13T09:06:00.003-03:00</published><updated>2008-03-17T14:30:37.385-03:00</updated><title type='text'>Emoções sem perder de vista</title><content type='html'>Hoje quero comentar um pouco sobre a questão da perda e do desapego na perspectiva do Yoga. Inicialmente, o que me ocorre é que quando vamos a um velório de alguém conhecido, em geral o que fazemos mesmo é tentar consolar os amigos. Esse exercício de apoiar o outro, de consolar, podemos trazer cada vez mais para perto de cada um de nós, até a situação em que o outro a apoiar é a própria pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No referencial do Yoga, temos a grande vantagem de podermos nos ver também como o outro, pois se acredita haver em tudo e todos uma dualidade básica: uma de natureza não-manifestada e outra que se manifesta. Essas duas entidades formam uma dualidade essencial: Purusha e Prákriti. Nessa concepção filosófica, o material e o não-material surgem simultaneamente, e embora não faça sentido uma separação, podemos vê-los como “um” e “outro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira manifestação de Prákriti é a mental, o código. Nós surgimos a partir de uma definição codificada, o DNA, que dá a conformação que cada um de nós tem. Esse código é imaterial, está mais perto de Purusha do que de Prákriti – embora, no fundo, tudo seja uma coisa só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa seqüência do código mental, a primeira manifestação é de natureza intuitiva, Mahat; sente-se mesmo sem pensar. As reações intuitivas que temos são absolutamente emocionais, não passam por nenhum processo de racionalidade. Já a manifestação seguinte é intelectual, Budhi, e tem por base a racionalidade. A terceira manifestação mental é Ahankara, o ego. São os personagens que adotamos, que exercemos, o eu que atua. Esse eu é antecedido por dois condicionantes mentais: um de racionalidade e outro de intuição/emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando observamos a nós mesmos, verificamos que assumimos vários personagens. Passamos a ser “outros”, mesmo que personagens de nós mesmos. Um dos propósitos da prática de Yoga e meditação é nos observarmos, nos aproximarmos do eu profundo que observa os vários “eus-personagens”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos aproveitar esse referencial para usarmos na alegoria, no caso, o velório de um amigo ou uma amiga. Todos que estão lá atuam tentando consolar outras pessoas. Há um ritual de apoio, de sustentação aos outros que ali ficaram, sentido a perda de alguém muito próximo. Nessa situação, atuamos também como um personagem: o eu que perdeu alguém. Podemos observar esse personagem, que somos nós e outro ao mesmo tempo. Assim fica mais fácil. É claro que esse outro vai se emocionar. A perda de alguém querido mexe com valores enraizados em nós. É uma dor muito forte, não há quem não se emocione. Não há como lidar com uma emoção muito grande, a não ser emocionando-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ao mesmo tempo em que vivenciamos essa forte emoção, somos obrigados a tomar várias decisões, a realizar várias ações de natureza prática e que nos serão cobradas. Dependendo de quanto conseguimos nos manter inteiros, vamos fazer essas ações. No mínimo, vamos ter que providenciar o ritual de despedida daquela pessoa. Enfim, vamos ter que dedicar energia a isso. Então, mesmo quando estamos tomados pela emoção de uma grande dor, temos que divergir dessa emoção concentrada para dedicarmos atenção aos outros personagens que nos são exigidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos vários personagens, que estão sempre lidando com aspectos diferentes da realidade, sob diferentes pontos de vista. Também somos o observador privilegiado, que está dentro de nós, que antecede a nossa racionalidade e a nossa emoção (o Purusha), e que é capaz de nos ver em cada um desses “eus” que assumimos em situações que nos exigem envolvimento e dedicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que buscamos em Yoga é nos habituarmos a nos observar em ação, a perceber os vários personagens que assumimos no dia-a-dia. O olhar é de compreensão para nós mesmos, não de condenação, até para apoiarmos o eu que observamos, para deixarmos a emoção abrir espaço e assim sairmos de uma eventual sintonia negativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um aspecto importante: precisamos ter cuidado para não deixarmos o eu entregue à própria sorte. A maneira mais fácil de abandonarmos o eu que está numa situação complicada é ficarmos totalmente dedicados a ele. Por exemplo, se nos deixarmos levar pela tristeza, acabamos por sucumbir, ficamos doentes. Aí vamos precisar da ajuda de alguém para sairmos dessa sintonia. O ser humano passa o dia inteiro sintonizando em várias situações. Isso acontece o tempo todo. A nossa emoção é distribuída nessas várias possibilidades que temos. Quando nos abandonamos, deixamos a nossa emoção concentrar-se em apenas uma determinada sintonia, e assim não conseguimos recuperar sozinhos o distanciamento, necessário para sair daquela sintonia emocional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais nos habituarmos a nos distanciar para nos observarmos, mais esse hábito vai se afirmar, mesmo nos momentos mais difíceis. Daí a importância da formação desse hábito. Só conseguimos tomar uma ação para sair de um estado emocional intenso se tivermos o hábito de nos observar. Até mesmo num estado alterado de consciência, esse hábito se afirmará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu cotidiano, adquira esse hábito, porque até nas situações de perdas terríveis (inclusive de você mesmo!) será de grande valia. Medite um pouco todos os dias. Lembre-se do que você fez, do seu comportamento, das suas atitudes. Avalie-se nessas situações ocorridas. Habitue-se a rever o seu dia. Os seus encontros com outras pessoas. Você teria agido de modo diferente? Como você acha que as situações poderiam ter sido melhores, se você tivesse agido de outra maneira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe dentro de você o ser inabalável, que é a sua essência divina. Você não precisa esperar uma grande perda para se colocar nesse ponto de vista. Você pode (talvez devesse) praticar todos os dias, olhar para o seu “eu circunstancial” com o propósito de ajudá-lo a lidar positivamente com as suas emoções e desapegar-se delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-6950860483880878137?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/6950860483880878137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=6950860483880878137' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6950860483880878137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6950860483880878137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/03/emoes-sem-perder-de-vista.html' title='Emoções sem perder de vista'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-7466781605491927723</id><published>2008-02-07T23:50:00.001-03:00</published><updated>2008-03-14T08:28:55.683-03:00</updated><title type='text'>Graças ao eu!</title><content type='html'>Na concepção da escola hinduísta Sânkya, a vida se dá a partir de uma dualidade básica: matéria (Prakriti) e o referencial para o qual esta se manifesta (Purusha). Isso simplesmente surge, segundo o Sânkya. Não há, portanto, um princípio criador ou um tempo anterior a essa dualidade. Isso é o tempo em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o Sânkya, não existe um ser divino, criador de tudo. As coisas são e acontecem. Não há um propósito. Já no Yoga, que surge simultaneamente com o Sânkya, o sábio Patanjali acrescenta uma entidade: Ishvara, um ser especial que representa a divindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um exercício na prática de Yoga em que nos entregamos, nos desapegamos. É justamente o Ishvara Pranidhana, render-se ao ser divino, a Deus. Mas que Deus é esse Ishvara? É um ser que representa o máximo da perfeição, aquele que não se corrompe, não se deixa levar pelo mundo, que não se abala pelas emoções. É uma referência da divindade. Claro, portanto, que não há, em Yoga, qualquer restrição à prática religiosa ou à concepção que você tem ou quiser ter do que é divino. Vivencie a sua fé, a sua crença com toda a intensidade que ela merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali afirma que uma das melhores maneiras de se meditar é pela fé. Ele adotou todo o conhecimento filosófico do Sânkya e incorporou esta nossa natureza bem humana, que se relaciona, que estabelece relações de promessas e dívidas. Uma das maneiras de se meditar é rezar. Para quem rezar? Para quem você quiser; depende da sua convicção pessoal. Mas reze com fé!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos depreender que a vida é algo divino. A vida é o máximo! Tudo é lucro. Talvez o sentido da vida seja perceber o valor de estar vivo e prosseguir vivendo. A vida é um processo bastante complexo, que funciona de modo extraordinário e que vai muito além do que conseguimos imaginar; nenhum de nós tem controle algum sobre ela, pois não controlamos nem o respectivo DNA, por exemplo. Temos é sorte (muita sorte) de poder vivenciar esta experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós compreendemos a vida usando o instrumental que ganhamos, aprendemos e desenvolvemos. Cada um vai percebendo o valor da vida do seu próprio jeito, conforme a sua história pessoal. Alguns têm a sorte extraordinária de dispor de muitos recursos para perceber a beleza que a vida é e se entregar. Outros só aprenderam a sofrer. Infelizmente o ser humano tem uma grande tendência ao sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para algumas pessoas, o sofrimento decorre de um vazio existencial, mesmo quando elas dispõem de recursos de toda ordem. Para quem não está no lugar de quem sofre, fica fácil falar. Mas, já que estamos (neste momento) do lado de fora, podemos compreender melhor. A vida já é plena, mas provavelmente quem está sofrendo deve ter vivenciado uma confusão entre ter e ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter capacidade, ter bens, ter família, fazer coisas, isso tudo é conseqüência. O importante é viver. Do mesmo modo, sofre quem está o tempo todo em busca de alegrias, fugindo das tristezas, e não percebendo que essas emoções são passageiras. Nós viveremos melhor se percebermos os sentimentos negativos ou positivos e seguirmos adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, em Yoga, praticamos a auto-observação, de modo que possamos nos ver enquanto estamos fazendo algo. Dessa forma, o viver passa a ser um estado permanente de testemunho e decisão: estamos o tempo todo observando a vida e a nós mesmos vivendo conforme as nossas decisões diante do que “vemos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O propósito em Yoga é nos aproximarmos, cada vez mais, do nosso eu interior de modo que possamos ver a vida como ela é para “ele” (o eu interior... talvez o Ishvara). Assim, as coisas perdem a importância exagerada que lhe atribuímos. O importante mesmo está lá dentro do que percebermos, observarmos. Assim, passamos a ter a consciência de que tudo é passageiro, mutável. Só o que não passa é esse nosso eu interior, esse ser especial, Ishvara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso saudamos uns aos outros dizendo Namastê: o eu que está aqui dentro cumprimenta o eu que está aí dentro, a divindade que há em mim saúda a divindade que há em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos todos iguais: divinos e eternos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-7466781605491927723?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/7466781605491927723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=7466781605491927723' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7466781605491927723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7466781605491927723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/02/graas-ao-eu.html' title='Graças ao eu!'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-599148011438293456</id><published>2008-01-24T17:37:00.000-03:00</published><updated>2008-01-24T17:39:39.249-03:00</updated><title type='text'>A vida como ela é</title><content type='html'>Segundo a filosofia Yoga, há cinco modificações da mente que devem ser controladas: o conhecimento correto, o conhecimento errado, a imaginação, o sonho/sono e a memória. O conhecimento correto é quando apreendemos a realidade do jeito que ela é. Isso se dá pela apreensão direta, pela dedução lógica ou pela transmissão por alguém que tenha autoridade. O conhecimento incorreto é quando tomamos o real por aquilo que não é. Ou seja, é o conhecimento cujo fundamento não é real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imaginação é aquilo que não tem sequer referência na realidade. Quando falamos em conhecimento, nos referimos à uma iniciativa de apreender algo. Na imaginação, não apreendemos nada. Nós “criamos” realidade e percepção. Nesse caso, não se trata de apreensão da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao sonho (nidrá) em Yoga, há um estímulo para que esse não se torne dispersivo. Em Yoga, procuramos cultivar uma atitude de consciência mesmo durante o sono/sonho. Então, ao dormir, devemos ter a intenção de nos mantermos conscientes. A mente vai transitando do estado de agitação para um estado mais sereno. Vamos, assim, nos acalmando. Ficamos no limiar da vigília e do sono, acordados e dormindo. Com a prática, esse estado de transição começa a acontecer. Se permanecermos conscientes e começarmos uma viagem onírica, passamos a ter a sensação de estar em outras dimensões, fora do espaço-tempo. Com o hábito, isso passa a ser normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os yoguis sugerem que isso seja praticado mesmo, para que nos mantenhamos nesse estado em que somos observadores. Não ficamos no sonho querendo atuar, apenas observamos. Nesse estado em que nos mantemos como observadores diante do mundo onírico, não há modificação da mente. Claro, como estamos conscientes, depois seremos capazes de verbalizar a experiência. Os lingüistas e os filósofos enfatizam que a palavra é o nosso veículo de humanidade, pois nos permite a compreensão e ter acesso ao “lago da memória”, que fica além da dimensão espaço-tempo e onde estão os significados, as emoções com significados que foram produzidos por todos que vivem, viveram ou ainda viverão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa não-linearidade é difícil de compreender, pois fomos educados, desde pequenos, a perceber a realidade como seqüencial. Assimilamos isso como verdade tão absoluta que, no auge da física, na época de Isaac Newton, estabeleceu-se como lei a causalidade: uma coisa provoca outra. Nós acreditamos piamente nisso! Vivenciamos isso e nos surpreendemos profundamente cada vez que não acontece. Mas, rigorosamente, o nosso olhar funciona como a marca do Zorro, faz um “Z”. Temos acesso a um gigantesco volume de informações, mas o nosso cérebro só capta uma ínfima parte. Somos seres seletivos, ainda bem! Precisamos de limites, pois assim conseguimos nos livrar de muitas confusões. Então, fomos educados, por uma questão de eficiência humana, a colocar uma coisa depois da outra. Isso foi um recurso que adotamos, pois temos a tendência a fazer várias coisas ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a localidade e a causalidade não têm tanto valor, em um novo referencial como o da Física Quântica, porque o que se acha que é causa não leva necessariamente ao que se acha que é um efeito. As “causas” e os “efeitos” se co-relacionam, mas um não implica o outro. Há vários exemplos disso, principalmente no que diz respeito ao raciocínio indutivo. A nossa percepção do mundo de forma seqüencial e hierarquizada é civilizatória, cultural, ela não é tão natural como nos habituamos a compreendê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por termos sido tão educados, nesse processo civilizatório de 200 mil anos, em vez de lidar com a realidade, lidamos com a &lt;strong&gt;nossa&lt;/strong&gt; realidade. A nossa percepção da realidade é intermediada o tempo todo pelos nossos sentimentos e pelos significados que atribuímos à realidade e aos sentimentos. O real para cada um de nós não é o real propriamente dito, é aquele que cada um atribui com os seus valores, sentimentos e a cultura que nos antecedeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desafio no caminho do Yoga é buscarmos nos reeducar na percepção da realidade, privilegiando a apreensão direta, a dedução, reconhecendo o conhecimento verdadeiro que alguém produziu para eliminarmos o que for possível dos nossos significados e emoções. Dessa forma, a realidade pode ser vista por nós de modo mais parecido com o que de fato é, em sua plenitude e multiplicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-599148011438293456?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/599148011438293456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=599148011438293456' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/599148011438293456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/599148011438293456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2008/01/vida-como-ela.html' title='A vida como ela é'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-6115087061643499730</id><published>2007-12-21T12:15:00.000-03:00</published><updated>2007-12-21T12:16:44.217-03:00</updated><title type='text'>Yoga e a “vidagame”</title><content type='html'>Ao longo das nossas conversas, temos chamado atenção para o fato de que tudo aquilo que percebemos e vivenciamos está sempre filtrado por muitas lentes, pelo sistema nosso, físico, que tem o papel de traduzir e reunir percepções. Essas se transformam em significados e emoções que passamos a chamar de realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a nossa realidade é um videogame constante, em que ficamos, o tempo todo, no jogo da percepção e da realidade. No fundo, nós lidamos mesmo é com as nossas percepções, não com a realidade. O que sabemos da realidade é o que nos chega pela percepção, pelo nosso videogame. Isso faz a vida ficar muito interessante, até porque cada um tem o seu próprio videogame. Os nossos videogames têm muito em comum. Nós vamos compartilhando as nossas compreensões conforme a época em que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, vem algo essencial, para o qual o hinduísmo e outras tradições filosóficas chamam a atenção: o viver dá muitas oportunidades para o sofrimento, porque o tempo todo nós vivemos emoções associadas aos significados daquilo com o que estamos nos relacionando. Esses significados provocam emoções e essas podem ser muito desagradáveis. O ser humano tem uma forte tendência a dar mais importância ao que é desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nós temos geneticamente a pré-disposição de dar mais atenção às notícias ruins. A marca do ser humano é essa propensão ao sofrimento. Por isso, Patanjali e outros sábios nos orientam a prestar atenção às nossas movimentações mentais para que, no momento em que nos enveredarmos pelo caminho da notícia ruim, possamos interromper esse processo autodestrutivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um objetivo da prática de Yoga: termos o domínio dos nossos pensamentos; porque a mente é apenas uma das nossas manifestações. As primeiras são Purusha e Prakriti, alma e matéria; ambas formam a consciência. Depois vêm a percepção das emoções e a percepção dos significados (Budhi). Em seguida, vêm as três qualidades da matéria: a dureza, a leveza e o movimento, que transforma a matéria em leveza e vice-versa. Somente depois desses é que vem a percepção dos sentidos. Se nos deixarmos, sem consciência, levar pelos sentidos, a tendência será de ficarmos presos às percepções dos sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como geneticamente fomos preparados para lidar com mais atenção com tudo o que é negativo e ameaçador, facilmente entramos no caminho da negatividade. É freqüente nos lembramos de fatos ou sensações ruins. Patanjali dá a dica: quando você perceber que está indo nesse caminho dos sentimentos ruins, imediatamente mude o videogame, saia da cena que está lhe fazendo sofrer e vá para outra, na qual você se sinta mais leve e melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, essa mudança não é fácil, pois estamos acostumados com o jogo do sofrimento. Nós nos habituamos a jogá-lo. Mas basta começar um outro jogo, para propiciar a mudança positiva. A vida nos dá uma vantagem: a nossa flexibilidade emocional. Conseguimos passar, num estalar de dedos, do choro para o riso. É até surpreendente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A principal dica, então, é estarmos conscientes dos nossos pensamentos. Se você estiver convencido(a) de que vive um videogame, que a sua relação com a realidade está sempre marcada pelo jeito como você a encara, tudo muda. Você passa a ter a escolha de se apegar ou não à desgraçeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós somos seres afetivos. Na hora em que ocorre a tragédia, nós vamos nos envolver e sofrer, vamos vivenciar com profundidade. Depois que a emoção se resolve, o momento também passa. Tudo passa e essa é uma grande vantagem! Já que passa, não há por que ficar esticando o sofrimento, ficar trazendo do passado as sensações negativas, uma vez que os fatos que as provocaram não existem mais. As fatalidades havidas são fatos passados (pois!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, nós vivenciamos o momento, deixamo-nos passar pela emoção até que essa passe. Seguimos em frente. Se a situação ficar voltando, saia dessa sintonia. Avalie a situação, anote as providências que devem ser tomadas para que não fiquem voltando, ou determine-se a perdoar e siga adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mantenha-se no domínio da situação, com distanciamento para olhar a realidade com outras emoções, mais positivas para a vida, e poder perceber a beleza de privilégio que é viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-6115087061643499730?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/6115087061643499730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=6115087061643499730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6115087061643499730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6115087061643499730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/12/yoga-e-vidagame.html' title='Yoga e a “vidagame”'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-5082605868737223887</id><published>2007-12-16T10:56:00.000-03:00</published><updated>2007-12-16T10:57:47.034-03:00</updated><title type='text'>Com olhos de ver</title><content type='html'>A prática de Yoga é bastante intensa, pois despertamos a nossa atenção para focalizar no fenômeno da consciência. Isso cria uma mobilização diferente da habitual, na medida em que desde pequenos somos levados à produção. É claro que, antes do estímulo social, temos muitas experiências emotivas, pois recebemos grande atenção dos adultos. Há duas alimentações muito fortes de início: afetiva e de comida mesmo. Há também um grande estímulo primeiro para que nós correspondamos ao afeto e ao alimento. E após um certo tempo, somos cobrados para nos comportar conforme os adultos gostariam. Até chegar o momento em que somos cobrados a produzir. Vai havendo uma pressão enorme nesse sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, somos levados por essa corrente, esse fluxo. Isso, para cada um de nós, passa a ser a vida. Quando começamos a conversar sobre prestar atenção nos nossos limites, em nós mesmos, em perceber nossos sentimentos e evitar a ação, há um choque inicial. Como assim não agir, se fomos educados desde crianças a agir? Mas vamos aos poucos percebendo que isso faz sentido. A partir daí, as coisas começam a ser percebidas de um modo diferente. À medida que vamos nos habituando com essas diferenças, começamos a perceber muitas coisas que antes não percebíamos. Começamos a nos sintonizar para muitas coisas que antes passavam despercebidas. Aí, começamos a perceber desdobramentos que vão além do físico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ampliarmos a nossa capacidade intuitiva, começamos a sentir e a perceber coisas que são diferentes. Em Yoga, além de trabalharmos a mente, em perceber o que está além do corpo de comida, também mexemos nesse corpo, em memórias musculares ancestrais. O nosso comportamento também é memorizado. Rigorosamente, tudo é o mesmo corpo físico. Esse é um ponto muito importante. A Física Quântica, que estuda o fenômeno da não-localidade, demonstra que não é necessária a causalidade; a conexão não se dá apenas entre matéria e matéria. Já na época de Einstein, era aceito que partículas extraordinariamente distanciadas estavam conectadas a ponto de interferirem mutuamente em suas polarizações, mesmo não havendo aparente conexão física nenhuma entre essas partículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na compreensão hinduísta, todos nós somos Prakriti. Então, há uma conexão física permanente. Além de sermos Prakriti, também somos Purusha (uma alma). Quando dizemos Namastê para outra pessoa, é a mesma divindade, uma saudando a outra. Para nós é muitas vezes difícil essa compreensão, pois temos uma educação prática da vida, que é muito útil para os nossos referenciais e limites, mas que não percebe essa sutileza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali, no terceiro capítulo do Yoga Sutra, fala dos poderes (siddhis). Ele afirma que se nós desenvolvermos a nossa mente, a ponto de focalizar a nossa atenção totalmente em algo, acabamos percebendo a essência desse algo. Essa essência não é dada pela aparência visual. Vamos penetrar e ter acesso a algo muito diferente daquilo que está demonstrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando aguçamos a nossa percepção, começamos a perceber muito mais do que percebíamos antes. Imagine expandir a sua capacidade olfativa, tátil, visual, perceptiva de modo geral. Imagine ainda a conexão dos seus sentidos se expandindo. Nós estamos falando de pelo menos cinco possibilidades, cinco campos de existência, de manifestação da vida, que são: matéria, sentimento/emoção, conhecimento, pré-conhecimento e a divindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Patanjali orienta é o seguinte: aprofunde-se, mas se mantenha íntegro, caso contrário pode ficar encantado com essa novidade de ter os sentidos apurados. O cuidado é para evitar a dispersão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dica é praticar Yoga com atenção. Medite antes de dormir e na hora em que acorda. Esses são momentos especiais. Mantenha a atenção nos seus sentimentos, projete pensamentos positivos, tente fazer o seu dia ficar maravilhoso antes mesmo de surgir, crie positividade. A idéia maior é abrir-se para a vida e ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-5082605868737223887?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/5082605868737223887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=5082605868737223887' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5082605868737223887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5082605868737223887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/12/com-olhos-de-ver.html' title='Com olhos de ver'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-6891999311779838882</id><published>2007-12-07T18:54:00.000-03:00</published><updated>2007-12-07T18:59:31.710-03:00</updated><title type='text'>Distanciamento para “cair em si”</title><content type='html'>Nos últimos encontros, temos conversado sobre algo essencial na prática de Yoga: a compreensão de que cada um de nós é real, o mundo é real, mas as relações que estabelecemos com os outros e com o mundo é ilusória. Não é ilusória no sentido de que não exista, mas porque essa relação é intermediada pelos sentimentos e pelos significados que nós percebemos ou atribuímos a nós, aos outros e à realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se cada um de nós, no lidar consigo próprio, com os outros e com o mundo, fosse criando um videogame. Vivemos uma realidade aproximada. Cada um de nós percebe a realidade de forma diferente e essas percepções são aproximadamente parecidas, não são rigorosamente iguais. É esse perceber de modo diferente que torna esta vida diversificada. A questão-chave é a importância que nós damos às coisas. A partir da importância que damos a um determinado fato, haverá níveis diferentes de envolvimento emocional. Ou seja, cada um de nós é afetado pela sua própria percepção da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que importa é o que percebemos, o que sentimos quando vivenciamos os nossos papéis sociais. E o que vivenciamos é intermediado, o tempo todo, pelos sentimentos e pelos significados. Então, é preciso manter o foco nos significados e sentimentos. Podemos nos perguntar: será que essa situação exige um sentimento tão profundo? Muitas vezes nós supervalorizamos uma situação que nem merece tanto. Daí a expressão: “fulano está fora de si”. Que “si” é esse? Deve ser alguém muito anterior dentro de nós, que não se abalaria diante dessas situações factuais que não são tão importantes assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podemos então continuar em nós mesmos e, ao mesmo tempo, vivenciarmos a realidade? É uma grande mudança. Como toda grande mudança, temos dificuldade em realizá-la se não tivermos método, propósito, ajuda ou fé. Na prática de Yoga, há um estímulo para que tenhamos essa compreensão, de que tudo é real, mas a relação entre nós e tudo é ilusória e de que existe um “si” interior que pode não se abalar diante dessa interação com a realidade. Assim, é sugerido que seja praticado com freqüência, de modo a se tornar um hábito, o distanciamento para observar a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós vivenciamos o cotidiano, atribuímos significados aos fatos e às coisas com os quais convivemos. Mas, assim que a situação se dá, vamos refletir um pouco sobre essa situação; vamos nos habituando a cair em nós mesmos, vamos nos distanciando dos significados, dos sentimentos que atribuímos às coisas ou aos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia, que está no pano de fundo, é que podemos promover mudanças paulatinamente, pois é complicado mudarmos bruscamente. É preciso a formação de um hábito diário. Assim vamos criando um novo condicionamento, que vai nos ajudar a descondicionar o achar que todas as interações que temos com a realidade são a coisa mais importante no mundo. Elas são relativas. Podemos perceber a relatividade delas se pararmos um pouco para nos afastarmos da situação e olhá-la com outros olhos, que são do “si”, do eu interior, daquele que vê sem a intermediação dos sentimentos, das emoções e dos significados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse eu interior é muito citado no Yoga Sutra do sábio Patanjali. É o Ser, a alma, Purusha, Atman. É o eu primordial, inabalável, que antecede o eu sujeito das ações no cotidiano. Então, quando cultivamos a prática de meditação, a tranqüilidade, o relaxamento, quando olhamos as coisas e fatos esvaziando-os de significados e emoções, nós nos aproximamos do eu interior. Claro que vamos deixar o eu das ações prosseguir agindo, pois afinal vivemos nesta realidade para realizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do eu primordial e do eu das ações, temos o eu dos significados e o eu das emoções. Esses dois últimos fazem a intermediação entre os dois primeiros “eus”. O eu das emoções é aquele que leva susto, que sente as coisas; o eu dos significados é o que racionaliza, que entende as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que isso tem a ver com os exercícios de Hatha Yoga que nós praticamos? Originalmente, os exercícios indicados por Patanjali buscavam, além da compreensão do comportamento, uma postura firme e confortável que possibilitasse atenção com a energia vital, com a consciência. Para isso, era preciso concentrar-se na respiração, pois esta segue o ritmo de nossa energia. Ele também propunha os exercícios de meditação. As posturas, associadas à atenção com a respiração, acabaram originando dezenas de exercícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante um determinado período de tempo, a vida das pessoas era de tal modo exigente de atividades que ninguém tinha vida sedentária. O corpo não era objeto de atenção. Foi então ocorrendo uma mudança cultural, em que o corpo passou a ser visto como ou um aliado ou um sabotador desse propósito de estar atento. Quando ficou evidente que o corpo poderia ser uma fonte de enorme dificuldade de ficarmos atentos à vida, passou-se a dar ênfase à saúde do corpo. A saúde corporal passa então a ser vista como um meio para se poder estar atento à vida. Afinal, é com o nosso corpo que temos a possibilidade da experiência física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, os exercícios basicamente trabalham com quatro atitudes: (1) o sentido de ordem, de dever em relação à vida no mundo com os outros, propiciado pelas posições meditativas; (2) a tomada da consciência na realidade, que o nosso corpo propicia quando fazemos os alongamentos verticais ou laterais, quando percebemos nossos limites, quando aguçamos a consciência interior, a partir de exercícios respiratórios (Pranayamas) e meditativos; (3) a entrega, o desapego, que nos permitem o distanciamento da realidade, associados ao movimento respiratório de expirar e de se entregar (por exemplo na posição do Yoga Mudrá), em que abrimos mão do controle e “deixamos a vida rolar”; e (4) a autoconfiança, que se dá com o atendimento das outras três. Realizado o ordenamento, a compreensão e o desapego, vamos nos sentir autoconfiantes. A confiança é cultivada pelos exercícios em que se arqueiam as costas (para trás).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que exercitamos o corpo, permitindo que todos os nossos sentidos participem dessas quatro atitudes, vamos para a nossa memória profunda, descondicionando e recondicionando, no sentido de reforçar a autoconfiança, o desapego, a compreensão e o ordenamento na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os exercícios passam a ganhar maior importância nesse contexto. Eles não são um fim em si mesmos. O propósito é viver com a compreensão de estar em si, de lidar com a realidade, sabendo que é real, mas que a nossa compreensão é ilusória, pois está misturada com os sentimentos e os significados que atribuímos a tudo. Assim, vamos cultivando essas pré-condições, de modo que nos sintamos confiantes diante da vida, desapegados, com capacidade de compreender o que nos cerca, para podermos nos distanciar ou nos aproximar, conforme as circunstâncias e, ao mesmo tempo, com capacidade de viver esta ordem (da natureza da vida).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-6891999311779838882?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/6891999311779838882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=6891999311779838882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6891999311779838882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6891999311779838882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/12/distanciamento-para-cair-em-si.html' title='Distanciamento para “cair em si”'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-6128318535943532252</id><published>2007-11-16T19:39:00.000-03:00</published><updated>2007-11-16T19:41:25.675-03:00</updated><title type='text'>Eu profundis</title><content type='html'>Todos nós temos basicamente quatro “eus”. Há uma inteligência profunda ao qual raramente temos acesso, se é que temos acesso, mas que está presente. Exemplos disso são o DNA e o sistema nervoso autônomo, que funcionam sem que nós atrapalhemos. É uma inteligência absolutamente evidente, embora não possamos pegá-la ou dialogar com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro extremo, há a inteligência do eu que realiza as ações, que vive o cotidiano, que é sujeito das ações. Ao contrário do eu primordial, sutil, este é material, porque só existe na relação com os objetos; é o eu que faz as coisas. Um é inacessível e o outro é totalmente acessível. Outro eu, que está próximo do primeiro, é o eu que leva susto, que antes mesmo da possibilidade de raciocinar, percebe a realidade e é capaz de emocionar-se com ela, independentemente de qualquer racionalização. O último eu, mais próximo do eu das ações, é o eu que racionaliza. É o eu que pensa, que usa o intelecto, que cria compreensão e significados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais nos afastamos do eu inacessível, do eu mais profundo, mais nos aproximamos do eu mundano, que é o que lida com a realidade, com os outros, com o mundo. Essa distância é intermediada, o tempo todo, pela emoção e pelo significado que a realidade nos proporciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na abordagem budista, o eu é o “não-eu”, ou seja, não há um eu. Já para o Vedanta, ramo da filosofia hinduísta, o eu existe, mas o mundo não, portanto o mundo é uma ilusão. Na escola do Yoga, o eu existe, o mundo existe, mas a relação entre o eu e o mundo é ilusória. A justificativa dessa ilusão é justamente o fato de haver essa intermediação dos “eus”, o emocional e o racional, entre o eu primordial e o eu realizador das ações. A ação desse eu realizador é vista com significados, provoca emoções e é a percepção dos resultados das ações que vai gerar memória. Quando lidamos com a realidade, essa resulta, percebemos a realidade resultante e a percepção transforma-se em memória. E assim a vida prossegue, com esse processo acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A emoção que sentimos e os significados, que atribuímos aos resultados e à própria realidade, vão conformando dentro de nós um panorama, que não é propriamente a realidade, mas apenas a nossa interpretação dela. É como se cada um de nós vivesse um videogame particular, conforme o conjunto das memórias que estabeleceu e a forma como recupera essa memória e lida com ela; basicamente lidamos com estes dois aspectos: emocional e de significados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos acrescentar um complicador ou fator de beleza, que é o seguinte: o conjunto de significados e memória, quando compartilhado por muitos indivíduos, forma cultura e a partir do momento em que esses indivíduos vão convivendo entre si, e assim formando civilizações, vai sendo criado um supra-significado, que alguns chamam de arquétipos. São os significados culturais. Esse campo de significados e de emoções não só está referenciado a cada um de nós como indivíduos, mas também são referenciados à geração na qual nascemos, àquela que nos antecedeu, à que vai nos suceder e a um determinado momento na história. Quanto maior esse momento, maior vai ser o campo de significados que estarão se referindo a nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando embarcamos nesse desafio, de querer compreender a vida, nós nos deparamos com alguns significados que reconhecemos com muita facilidade, porque nós mesmos os incorporamos à nossa vida. Mas, de vez em quando, esbarramos com alguns significados que nos surpreendem totalmente, que não temos idéia de onde surgiram. São justamente os supra-significados, os significados culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na psicologia, encontramos o conceito de inconsciente coletivo e de inconsciente, que basicamente se referem a esse conjunto de significados que estão além do indivíduo (ou antes dele). A palavra inconsciente aí está bem no limiar, é inconsciente e consciente, ou seja, manifesta-se e não se manifesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um processo de estabelecimento de memória a partir da nossa experiência de vida. Essa memória pode manifestar-se, seja por impulsos, por reminiscências, ou por outra denominação para essas manifestações; elas vão brotar disso que é fruto da nossa vida, das vidas que nos antecederam e daquelas com as quais nós convivemos (e quem sabe, das que projetamos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo do Yoga e da meditação é incluir, em nossa vida, a sintonia com a inteligência primordial. Para isso, precisamos tirar os envolvimentos que foram criados pela emoção, pelos significados e pelas ações. Esse desenvolver-se propiciado pelo estado da meditação é o propósito da prática de Yoga. Uma vez que nós somos condicionados pela cultura e pelo ambiente no qual vivemos, pelo corpo, pela forma de respirar. Portanto, incluímos, na prática de Yoga, cuidados com o relacionamento social, com a saúde, com o nosso próprio comportamento, de tal modo que: tanto a vida social, como o nosso corpo e a nossa mente, nada disso atrapalhe esse des-envolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, podemos manter a nossa mente serena, como a superfície de um lago, capaz de refletir a inteligência primordial, à qual não temos acesso (...conscientemente...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-6128318535943532252?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/6128318535943532252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=6128318535943532252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6128318535943532252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6128318535943532252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/11/eu-profundis.html' title='Eu profundis'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-5929221551453567399</id><published>2007-11-16T19:36:00.000-03:00</published><updated>2007-11-16T19:39:42.039-03:00</updated><title type='text'>O eu que lembra</title><content type='html'>Todos nós temos uma pré-disposição ao aprendizado e à medida que vamos convivendo com os outros, com o mundo, essa pré-disposição vai se concretizando e nos tornamos aquilo que somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse processo de aprendizado humano vai se dando com o registro de memória. Não sabemos ao certo como o registro ocorre, nem como se recupera esse registro. O fato é que a memória vai se estabelecendo. A manifestação dessa memória é justamente o grande desafio de controle. Em várias tradições, como em Yoga, trabalha-se o isolamento dessas reminiscências que conseguimos perceber para olharmos com distanciamento as lembranças, compreendê-las e tentarmos incorporá-las ou neutralizá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O propósito em Yoga é a criação de um novo condicionamento em relação a essas reminiscências, quando elas aparecem. Basicamente é um exercício de apaziguamento, de distanciamento, em que observamos o pensamento e a emoção. Nesse exercício, nós nos perguntamos: por que isso está surgindo? Alguma compreensão acabará surgindo. Vamos então convivendo com a compreensão da resposta à pergunta para abrir mão e, assim, prosseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se observa, tanto na compreensão milenar do Yoga, quanto em tradições mais recentes, como a psicologia, é que esse exercício faz com que consigamos superar, sublimar e até anular essas reminiscências, que são muito fortes. Além do exercício de meditação, que leva a essa capacidade de nos observarmos, há recursos do tipo lápis e papel na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sugestão é a seguinte: durante a meditação, ao observar o fluxo dos pensamentos e quando surgir um pensamento com o qual você tenha interesse em lidar, tente compreendê-lo, perceba qual é a emoção, veja quando surge novamente. Então, anote no papel, descreva o pensamento e as emoções envolvidas. A idéia é aumentar o distanciamento em relação a esses sentimentos e a compreensão intelectual deles. Depois de escrever, rasgue e jogue fora o papel. O fato de saber de antemão que a anotação será destruída já o libera de uma crítica, que estaria presente pela ameaça disso ser revelado, pois é algo que só diz respeito a você. Esse é um método bastante eficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao refletir sobre o pensamento e as emoções em questão, você pode também se perguntar sobre a seguinte dicotomia: a situação exige ação ou perdão? Se há alguma ação que se justifica a ser realizada, você registra: há algo a ser feito em relação a essa situação. Caso não haja nada mais a ser feito, você também registra: nada mais há a fazer, só o perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse exercício nos permite o distanciamento, porque na situação de conflito, por exemplo, ficamos envolvidos pelas circunstâncias. Passado o momento, é que temos a facilidade de racionalizar. Olhando com distanciamento podemos até rir daquela situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, vamos nos habituando a ficarmos tranqüilos diante dos pensamentos, da realidade e das emoções para podermos lidar com os fatos, da forma menos deturpada possível pela herança de memórias, de experiências, pela fantasia que criamos na nossa relação com a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-5929221551453567399?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/5929221551453567399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=5929221551453567399' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5929221551453567399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5929221551453567399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/11/o-eu-que-lembra.html' title='O eu que lembra'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-6734835132644907171</id><published>2007-11-08T22:45:00.001-03:00</published><updated>2007-11-09T07:18:05.972-03:00</updated><title type='text'>Consciente com o coração presente</title><content type='html'>Nos fundamentos da compreensão de como é o nosso eu, há sempre a menção a uma inteligência essencial, primitiva, que antecede a esta inteligência lógica, racional com a qual estamos acostumados a lidar na realidade social. Podemos dizer que existe um eu primeiro, uma consciência tão primordial que nem temos acesso a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fazer uma analogia, basta lembrar do genoma humano, o qual até conseguimos mapear, vemos o efeito, mas não temos acesso à inteligência que o concebe. Essa codificação é de uma inteligência extraordinária a ponto de determinar pré-condições físicas em todos os seres. Nossos cientistas até conseguem mapear o DNA, mas não podem saber, por exemplo, por que a mosca tem 10 mil genes e o homem 30 mil ou por que os genes se agrupam de uma determinada forma. Embora seja bem evidente a existência dessa consciência absolutamente primordial, não a percebermos diretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro extremo, há esta inteligência realizadora da vida social, relacionada aos objetos da nossa ação, com os quais interagimos. De um lado, temos uma consciência, um eu ao qual não temos acesso; de outro lado, temos um eu totalmente referenciado aos objetos da ação. Mas temos também alguns “eus” intermediários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, quando levamos um susto, não temos tempo nem de pensar, mas tomamos consciência do susto. Damos um pulo, um grito. Não precisamos de uma consciência lógica para tomar susto. Temos também uma outra consciência que irá racionalizar o susto: por que me assustei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos falando então de quatro consciências: a inacessível, a referida aos objetos, a afetiva (pré-raciona) e a intelectual. Na compreensão hinduísta, esses quatro “eus” têm nomes. O primeiro é “Purusha”, “Atma”, o princípio divino da vida. É “a” consciência. O segundo é “Ahankara”, o ego, referenciado aos objetos, à densidade (“Thamas”). O terceiro é “Mahat”, o pré-racional, relacionado às emoções, e o último é “Budhi”, o intelecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos, portanto, um modelo, uma alegoria, que nos ajuda a compreender o que somos afinal. E analisando esse modelo, percebemos que as emoções (“Mahat”) estão próximas do princípio divino (“Purusha”). Quem atrapalha (e às vezes ajuda) ou intermedeia é a racionalização (“Budhi”). O ego (“Ahankara”) atua na realidade filtrada pelas emoções e racionalizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos nos deter nessa relação conflituosa entre o agir (Ahankara), o sentir (Mahat) e o pensar (Budhi). Os três são geradores de percepções, de impressões dos resultados de suas respectivas atuações. Vamos memorizando esses resultados, sob formas que irão manifestar-se ou como reminiscências ou como tendências ou impulsos para ação - as quais surgem, em geral, fora do nosso controle. Quanto mais nos deixamos levar pelas manifestações mentais que brotam dessas reminiscências, tendências ou impulsos de nossa memória, mais embarcamos num mundo fantasioso, num fluxo social que aparenta ser a realidade. Saímos, assim, de nós mesmos para um mundo virtual, a ponto de viver uma vida totalmente dedicada ao que não é, sem perceber isto: que nos deixamos levar; perdemos o controle da situação; ficamos entregues a chuvas e tempestades; assim, os sustos serão sucessivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Yoga, somos estimulados a cultivar o nosso próprio ritmo por meio do cultivo da consciência, da compreensão das origens das reminiscências e dos impulsos da memória, com ênfase nessa relação entre o sentimento e o intelecto, para lidar com a realidade. O sábio Patanjali focaliza a nossa atenção para lidarmos simultaneamente com o mundo, com as pessoas e com os “eus” de nós mesmos. Segundo ele, devemos exercer plenamente os nossos papéis sociais, mas o mais importante é harmonizarmos a emoção e a razão, de modo a perceber que todos os fatos, com que lidamos, são circunstanciais. Eles também podem ser vistos, ou sentidos, com distanciamento. De que forma? Esvaziando as emoções de conteúdos que nos são prejudiciais, compreendendo o significado da aparente realidade ou das emoções. Assim, podemos nos apaziguar a ponto de ficarmos bem próximos da nossa consciência essencial (“Purusha”), que não é passageira como os fatos, e podemos lidar com a realidade de modo menos distorcido pelas nossas interpretações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, desenvolver a consciência nada mais é do que tirar o envolvimento que o susto, o intelecto e a ação acrescentam à consciência original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De início, precisamos manter o hábito de estarmos atentos, harmonizados. Um exercício prático é começarmos a analisar nossas próprias emoções. Feche os olhos e perceba o pulsar do seu coração. Você já está se abstraindo do mundo social, deixando o ego sossegado, a partir do momento em que a sua mente intelectual está voltada para a mente afetiva. Você está colocando em sintonia o coração e a mente, o cérebro da cabeça e o cérebro do coração. Você pode aumentar a sua atenção. Sabendo que o coração tem um ritmo, uma atividade, uma energia, a energia da respiração, leve agora a atenção simultaneamente para o coração e para o pulsar da sua respiração. Perceba que quando você respira, há uma certa quantidade de pulsos, de batimentos cardíacos. À medida que você vai respirando, o seu batimento cardíaco altera-se levemente. Prossiga nessa atenção consciente por alguns minutos, percebendo agora o ritmo da sua mente. Imagens, pensamentos e lembranças vão surgir, mas agora você estará no controle. Quando sentir que algum pensamento ou imagem está levando você, volte a observar a pulsação do coração e o ritmo da sua respiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim você vai se distanciando das reminiscências mentais. O objetivo é cultivar esse hábito de estar no controle, de se observar diariamente. Por que não começar agora mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-6734835132644907171?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/6734835132644907171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=6734835132644907171' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6734835132644907171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/6734835132644907171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/11/consciente-com-o-corao-presente.html' title='Consciente com o coração presente'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-3012331136419903717</id><published>2007-10-26T09:07:00.000-03:00</published><updated>2007-10-26T09:13:45.019-03:00</updated><title type='text'>Flores em você</title><content type='html'>Em Yoga, o Mulabanda (banda, fecho; mula, de Muladhara, centro de distribuição de energia da base da coluna; contração da musculatura da região anal e uretral) e todos os outros “bandas”, selos, têm por propósito o controle de energia. Eles têm dupla função: orgânica e energética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na concepção hinduísta, há milhares de canais de distribuição de energia no nosso corpo. São os nadis. Desses canais, os mais importantes são três (ida, píngala e sushuma) que ficam ao longo da coluna vertebral. São canais sutis de energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nós desses nadis são os chakras, que em sânscrito significam círculo. Há pelo menos sete desses centros de irradiação de energia. Cada um deles está associado a uma determinada região do nosso tronco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como na percepção hinduísta a nossa manifestação tem três qualidades, que são a densidade (tamas), a sutileza (sattva) e o movimento transformador (raja), podemos dizer que o sistema nervoso é a parte densa, tamásica da distribuição de energia dentro de nós. A energia em si é sutil (sattva) e seu movimento é ígneo (fogoso), raja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os chakras são representados pelos hinduístas como flores. Para cada chakra é associada uma flor com um determinado número de pétalas. O chakra que fica acima da cabeça, por exemplo, é chamado de Chakra das Mil Pétalas. Está associado à Budhi, que é Mercúrio, Hermes Trimegistro, é a inteligência. Curiosamente, o desenho desse chakra é muito semelhante ao da órbita de Mercúrio em torno do Sol, se visto da Terra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Budhi também é chamado de Mahat, mas esse está no limiar da consciência inconsciente. Os hinduístas afirmam que no início da nossa existência, quando não havia nada, surgem Purusha e Prakriti, ambos sendo uma coisa só. Didaticamente, um é o aspecto que não se manifesta e o outro se manifesta. Purusha é o princípio da consciência não-manifestada. Prakriti, o aspecto que ao começar a se manifestar, apresenta Mahat, o pré-consciente, que é uma consciência não-discriminadora, anterior ao raciocínio. É pré-intelectual, mas é consciência. O início da consciência com inteligência discriminativa já é Budhi, que poderia ser representado por um cocheiro que orienta três cavalos unidos entre si, ou seja, as três qualidades da matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, na imagem hinduísta de como a energia manifesta-se em nós, há sete círculos ou chakras, aos quais podem ser feitas várias associações. O primeiro chakra é o da base da coluna, associado à energia terrena. O segundo está na região das supra-renais (ou na base do baço), relacionado à água, às emoções, à criação da vida. O terceiro está na região do umbigo, do “fogo” da digestão. Os três são chakras de matéria. Já o quarto chakra está associado ao ar, que simboliza a transição para do material para o sutil e fica na região do coração. É a mistura de ar e fogo. O coração faz a transição dos chakras-matéria para os chakras-sutis, que são o da voz (da expressão), da região intelectual (que articula o significado das emoções) e o Chakra das Mil Pétalas, que é supra-racional, no limiar do espiritual (alma, Atman, individualização de Purusha).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meditarmos, podemos levar a atenção, por exemplo, a cada um desses chakras; ir percebendo a transição de nossa atenção indo de um chakra para outro. Podemos sincronizar isso com o ritmo da nossa respiração, fazendo por exemplo a emissão do mantra OM, enquanto expiramos, sentindo “vibrar” cada um dos chakras ao som prolongado do OOOOMMMMM...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas havíamos começado a nossa conversa com a expressão mulabanda, apenas para chamar a atenção para outro hábito, muito mais simples, de fazer uma breve contração da região muscular do períneo, ao concluirmos uma respiração, tanto depois de expirar, quanto depois de inspirar. O propósito básico seria levar a atenção para a base muscular de onde se mobiliza toda a musculatura que dá sustentação à coluna vertebral. Assim, estaremos cultivando outro importante hábito: o de associar a respiração à tonificação muscular que nos permite ficar em pé ou bem sentados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por meio da atenção aplicada durante a respiração, tanto à sutileza dos chakras, como à materialidade muscular, vamos, no mínimo, nos apaziguando, nos desligando um pouco do mundo das mil e uma solicitações, prestando atenção ao nosso jardim interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-3012331136419903717?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/3012331136419903717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=3012331136419903717' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/3012331136419903717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/3012331136419903717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/10/flores-em-voc.html' title='Flores em você'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-9141576818239828206</id><published>2007-09-28T16:47:00.000-03:00</published><updated>2007-10-18T16:55:10.720-03:00</updated><title type='text'>A divina consciência de cada dia</title><content type='html'>Na origem de toda a articulação filosófica hinduísta estão os Vedas e a partir deles, o Sâmkya, o Yoga, o Vedanta (final dos Vedas) e mais outras escolas de pensamento. O Vedanta e o Sâmkya vieram sendo transmitidos por escrito, bem do princípio, enquanto o Yoga, na sua maior parte, foi transmitido oralmente e associado à prática. Há um aparente ateísmo no Sâmkya e de certo modo no Vedanta e um aparente teísmo no Yoga. Mas, no fundo, tudo está meio misturado: há uma compreensão da consciência como princípio divino como algo que não é personificado e há também, culturalmente, uma tentativa, em todas as escolas de pensamento, de personificar a consciência, a divindade primordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As escolas do pensamento hinduísta propõem um caminho filosófico. Algumas delas afirmam que o espírito individualizado, permanece dessa forma; a consciência originária de tudo se desdobraria nas várias espiritualidades individuais e esse desdobramento sempre permaneceria. Para outras escolas, essa individualização é pura imaginação nossa, a partir da experiência terrena de sermos indivíduos, num todo que é coletivo; tudo seria uma grande ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante observar como as tradições do pensamento vão-se alternando nesses pontos de vista. Mas, independentemente do indivíduo se integrar ou não ao todo, há em todas as escolas a compreensão dos princípios da consciência e da ilusão. Na medida em que a experiência da percepção é muito marcante, experimentamos e tomamos o experimentado como verdade. Porém, o perceber estará sempre referenciado ao percebedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Yoga e no Sâmkya, a compreensão de tudo é a partir de uma derivação original de uma unidade que é simultaneamente duas: Purusha e Prakriti, consciência e natureza que se manifesta para a consciência. Purusha é a pura consciência, percebe-se Prakriti pelo reflexo de Purusha. Nós, que somos ambas, temos a compreensão do todo pela manifestação; compreendemos aquilo que se manifesta e não temos a experiência daquilo que não se manifesta, porque não podemos experimentá-lo. Isso está na base de todo o pensamento hinduísta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Purusha é a consciência que de nada precisa, que não se ilude. A primeira manifestação de Prakriti é Mahat ou Budhi (ou Mercúrio dos romanos, Hermes dos gregos, Trimegistro dos alquimistas), aquele que no indivíduo permite o acesso à compreensão. É o gestor da mente, que de uns trezentos anos para cá acabou virando sinônimo de consciência. Mas no hinduísmo, mente é Chitta, complexo mental; a consciência vem antes, é a consciência que viabiliza tudo o que se manifesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, felizmente, se observa uma convergência do pensamento científico (física quântica) e do pensamento místico, em que se coloca de novo a interferência da consciência, do princípio divino, na manifestação da natureza observada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cultivando a consciência&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Yoga, estimula-se o cultivo dessa consciência primordial. E como podemos fazer isso? Prestando atenção, percebendo o que estamos fazendo e, principalmente, tentando perceber como é que nós estamos, quando fazemos algo. Isso é o mais difícil. Na maioria das vezes, nós nos envolvemos de tal modo com alguma coisa que nos desligamos. Isso é uma grande perda de oportunidade. E ao fazermos algo de forma atenta, vamos buscar uma condição de conforto. Se o que fazemos não está confortável, o melhor é parar, pois aquilo não será bom para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É surpreendente como coisas simples, desse tipo, mudam uma vida e de forma extraordinária! A vida passa a ser muito mais fácil, mais interessante. Passamos a realizar a consciência o tempo todo. Cada vez que percebemos algo, realizamos uma virtude, compreendemos um novo significado, criamos ou captamos algo, temos acesso ao “lago da memória”, à consciência universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, a sugestão em Yoga é de, no cotidiano, praticarmos a atenção para cada vez mais termos clareza de que tudo o que vivenciamos é aparente, passageiro, é uma manifestação circunstancial, que só tem importância no contexto em que estivermos. Vamos assim nos habituando a perceber esse contexto, dando importância a ele, porém, também cultivamos o afastamento. Vivenciamos o momento e, ao mesmo tempo, cultivamos esse estado de consciência que se afasta da manifestação. Não deixamos de nos manifestar, porque isso é impossível de acontecer, afinal somos matéria. Daí a dualidade Prakriti e Purusha. Não há uma delas separada da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A percepção daquilo que não se manifesta só se dá pela não-ação, que acontece por acaso ou cultivada. A prática de Yoga tem justamente o propósito de cultivar a não-ação. Essa prática foi ganhando acréscimos de toda ordem. Na proposta original do sábio Patanjali, não havia exercícios, mas sim o cultivo da não-ação, da atenção. Ele recomenda o cultivo da atenção à vida social e ao estudo, para reduzir a ignorância. O único exercício físico que Patanjali propõe é o controle da respiração e a meditação. Ao nos habituarmos a controlar a nossa respiração, estamos fazendo o principal exercício propiciador do estado de transe, de insights. Quando serenamos a mente (estado de não-ação) e a tornamos cristalina como a superfície de um lago, refletimos a consciência, a divindade, aquilo que não se manifesta. O caminho para que esse reflexo aconteça é a entrega à vida, algo que podemos cultivar a cada novo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-9141576818239828206?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/9141576818239828206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=9141576818239828206' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/9141576818239828206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/9141576818239828206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/09/divina-conscincia-de-cada-dia.html' title='A divina consciência de cada dia'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-8143109994572090799</id><published>2007-09-14T11:59:00.000-03:00</published><updated>2007-09-14T12:04:09.473-03:00</updated><title type='text'>Consciência além da vivência</title><content type='html'>Na base da compreensão do que é Yoga e do pensamento hinduísta há uma dualidade essencial: a consciência e a natureza, em que a consciência é um referencial não-manifestado (“Purusha”) e a natureza, aquilo que se manifesta (“Prakriti”). Estão sempre juntas, não há separação. Então, tudo aquilo que é manifestado – incluindo os pensamentos, as visões, os sonhos e a matéria, seja ela de que natureza for – é “Prakriti”. Toda essa manifestação se dá em relação a um referencial imanifestado, “Purusha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O físico quântico Amit Goswami (que esteve em Brasília recentemente) chama a atenção, em seus livros e palestras, que a compreensão da Física atualmente só é possível tendo-se em consideração a interferência da consciência. Ora, essa questão da independência do observador em relação àquilo que ele está pesquisando sempre foi uma celeuma, um ponto de antagonismo na visão dos cientistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos cânones da ciência é poder reproduzir as experiências; e que elas se dêem em qualquer situação, independentemente daquele que conduz a experiência. A ciência, portanto, estaria baseada nessa independência do observador, que não influenciaria os resultados da observação. Mas, ao se chegar no limiar da subpartícula da partícula atômica, a constatação é que a simples presença do observador altera o fenômeno. Os físicos quânticos chegaram a pontos de total inconsistência, como se a física se mostrasse contraditória. Mas é claro que a natureza não é contraditória, o que pode ser contraditório é o modelo que se está utilizando para observar a natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa divulgação conceitual começa com o PhD em física Fritjof Capra na década de 70. Ele demonstrou que há um paralelismo extraordinário entre a expressão do misticismo oriental e a linguagem com a qual a física consegue descrever a natureza. E chega próximo à questão da consciência. O Amit Goswami se aprofunda nesse tema. No livro “Universo autoconsciente”, ele explora justamente a consciência que antecede a nossa consciência verbal e que condiciona tudo o que há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso que nós habitualmente chamamos de consciência é, no máximo, uma consciência social, verbal, lingüística que nos ajuda a interagir e compreender isto que está no mundo social aparente e para o qual fomos preparados. Não é essa consciência superficial a que se refere Amit Goswami na física. Ele se refere a um nível de consciência tão essencial que, na tradição habitual, nós chamamos de divindade. Mas na linha filosófica indiana “Samkhya”, focalizada no conhecimento e que dá todo o suporte para o Yoga, não existe referência a Deus em nenhuma acepção que se possa pensar. Não há nenhuma personificação. Quando se fala de vida, da inteligência essencial de vida, está se falando desse nível de consciência que não é personificado, mas que é absolutamente presente e condicionador de tudo o que se manifesta. Os humanos atribuímos a esse princípio essencial características humanas para facilitar a nossa comunicação. O símbolo é que é poderoso, enquanto a alegoria é apenas a representação do símbolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amit Goswami fala desse nível de consciência, que em Yoga se cultiva o acesso pela prática de meditação. Só temos acesso à consciência pela não-ação. Quando agimos “conscientemente”, agimos na inteligência social, nos limites do nosso espaço-tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que os hinduístas sugerem e os físicos quânticos estão chegando lá, é que temos manifestações aparentes, que ao observador parecem ser desta ou daquela maneira, mas que rigorosamente é apenas aparência. Em outros referenciais aquilo poderia parecer outra coisa. Quando praticamos meditação, nós serenamos essa nossa capacidade extraordinária de interpretar as aparências, cessamos de dar atenção às aparências, deixamos de ficar percebendo aquilo que se oferece neste contexto de espaço-tempo. Os pensamentos ficarão serenos a tal ponto que poderemos ter “insights” além do espaço-tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós estamos muito mais habituados a exercer a inteligência social. A forma de reduzirmos um pouco isso é usar as mesmas ferramentas culturais que temos, é criar um novo hábito; e só criamos um novo hábito fazendo, praticando um outro rumo. Podemos praticar Yoga, meditação, relaxamento e repouso com habitualidade, para abrir essa possibilidade de viver também o não-espaço-tempo, o que não é social, aquilo que é essencial. Cada um vai descobrir na medida em que se permitir fazer isso, porque é uma vivência intransferível. Vivencie, pois!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-8143109994572090799?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/8143109994572090799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=8143109994572090799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8143109994572090799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/8143109994572090799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/09/conscincia-alm-da-vivncia.html' title='Consciência além da vivência'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-4791077551753885907</id><published>2007-08-28T08:44:00.000-03:00</published><updated>2007-08-29T08:07:25.372-03:00</updated><title type='text'>PhD em você</title><content type='html'>Um dos tópicos que o sábio Patanjali mais acentua em seus textos é o autoconhecimento. Quando trata do código de comportamento, logo no início do Yoga Sutra, primeiro ele afirma que Yoga é a cessação dos turbilhões mentais, depois comenta sobre as modificações da mente, que são basicamente o conhecimento (certo ou errado), a fantasia, o sonho e a memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas modificações estão sempre acontecendo e o apaziguamento delas nos ajuda a ficarmos mais serenos. Não se trata exatamente de apaziguamento, mas sim da “desidentificação” com as manifestações mentais. Nós nos vemos como indivíduos e assim agimos. Isso é próprio da natureza humana, a oposição entre o indivíduo e o coletivo. Há contextos sociais em que somos muito mais estimulados ao coletivo, mas mesmo assim a individualidade está bastante presente. Mesmo nas sociedades muito coletivistas acaba havendo um culto à personalidade deste ou daquele que, por alguma razão, se sobressai. É como se todo ser humano tivesse uma certa compulsão pela individualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito de individualização se aproxima da idéia de identificação. É esse identificar-se com isto ou com aquilo que nos subtrai das outras oportunidades de vivência que temos e acentua a opção escolhida. Há vezes em que isso se acentua demais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali comenta que essas manifestações mentais trazem de algum modo sofrimento: quando nos identificamos com elas, ou seja, quando permanecemos nelas. A origem desse sofrimento é ignorar o todo que está acontecendo e que tornaria relativa e circunstancial aquela identificação. É a ignorância, num sentido bem amplo, de tomar a realidade por uma identificação circunstancial que temos dela. Na medida em que conseguimos nos distanciar da circunstância, tudo se torna relativo, pois deixamos de nos fixar nisto ou naquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que nós temos uma vivência circunstancial, sempre. Nós nos emocionamos bastante, somos tomados pelas situações, vivemos nos identificando com situações, com pensamentos ou ideologias. Então é como se o nosso viver fosse um vai-e-volta, nós nos identificamos e deixamos de nos identificar. A humanidade registra os vários ciclos tradicionais de grandes perdas de identificação, como as crises dos 28 anos e dos 40 anos ou da meia-idade. São momentos em que a maioria das pessoas vivencia fortes crises de identidade, de identificação com valores, crenças, comportamentos, relacionamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que forma podemos manter o distanciamento desse exagero da identificação? Alguns comportamentos são sugeridos pelo sábio Patanjali, entre eles o conhecer-se. Na medida em que cada um de nós tenta se conhecer, também está se distanciando, porque se torna uma terceira pessoa. Rigorosamente estamos falando de estudo e auto-estudo. Em sânscrito chama-se “svádhyáya”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudamos a cultura e nós mesmos, o ambiente e as circunstâncias onde estamos - a história da nossa vida, da nossa família e do nosso país. O objetivo é compreendermos o contexto, tomarmos conhecimento do que foi produzido pelas gerações que nos antecederam e nos situarmos de modo prático. Isso é algo bastante amplo, ao qual somos estimulados desde cedo. Já o autoconhecimento não é tão estimulado. Mas nós temos várias oportunidades de fazer isso; como, por exemplo, buscar a opinião dos outros sobre nós mesmos. Essa opinião pode ser tanto de um especialista em comportamento humano, quanto de nós mesmos. Afinal, nós somos os maiores especialistas de nós mesmos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho sugerido no Yoga Sutra é de prestarmos atenção, ao fazermos os exercícios físicos e mentais de Yoga, os intermediários entre ambos (respiração sincronizada), bem como em nossa conduta na vida social. Ou seja, a sugestão é de nos mantermos atentos em cada um desses momentos, tanto ao que fazemos quanto a nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tentativa de captar o que Patanjali quer dizer, creio que a chave de tudo é o sentimento. Se eu começo a prestar atenção nos meus sentimentos, a percebê-los e a registrá-los, passo a aumentar as possibilidades de me conhecer. Prestar atenção nas emoções, me parece o melhor artifício do autoconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que precisamos sistematizar isso. Cada um usa o seu próprio método. Algumas pessoas, por exemplo, registram as emoções em um bloco de anotações, outros em voz alta. Alguns sentimentos são recorrentes e, sempre que eles surgem, devemos nos perguntar: por que aparecem com tanta freqüência e mexem tanto conosco? É bom fazer esse estudo dos nossos sentimentos em um determinado horário. Isso nos ajudar a desenvolver essa disciplina. Um exercício importante é tentar lembrar o que fizemos ou fazemos ao longo do dia e registrar as situações e os sentimentos que tivemos nessas situações. O propósito é criar o hábito de nos observarmos, tendo como foco a lembrança e, principalmente, o registro afetivo. A primeira habilidade a desenvolver é perceber os nossos sentimentos e depois, como qualquer observador, estudá-los e explorá-los, para que assim possam surgir os “insights”, o que eles nos querem dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentir é talvez a nossa principal conexão com a realidade. Nós decidimos quase tudo de forma emocional. O sentimento é a base. Portanto, é fundamental cuidarmos bem dos nossos sentimentos. O caminho indicado por Patanjali é observarmos os sentimentos, percebê-los e nos distanciarmos deles como se fôssemos uma terceira pessoa que estamos observando. A partir daí podemos criar um método pessoal de auto-investigação. Crie o seu e depois me conte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-4791077551753885907?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/4791077551753885907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=4791077551753885907' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4791077551753885907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4791077551753885907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/08/phd-em-voc.html' title='PhD em você'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-444059580938889957</id><published>2007-08-13T22:40:00.000-03:00</published><updated>2007-08-14T15:55:53.979-03:00</updated><title type='text'>Yoga para todos</title><content type='html'>São vários os caminhos do Yoga. Segundo o sábio Patanjali, há uma prática de Yoga adequada a cada tipo humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Bhagavad Gita (talvez o mais famoso texto hinduísta), em seus dezoito capítulos, são feitas referências aos vários tipos de Yoga. Então, por exemplo, para as pessoas ativas, bastante trabalhadoras, o mais adequado é o Karma Yoga. É o Yoga da ação, mas desinteressado dos resultados dessa ação. Faz-se algo porque é preciso que seja feito. Já a pessoa de natureza devocional vai ter mais afinidade com o Bhakti Yoga. Essas pessoas dedicam-se a trabalhos religiosos, à divindade. Os devotos Hare Krishna são exemplos desse grupo de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também aqueles que buscam o caminho do conhecimento, do discernimento. Trata-se do Jñaña Yoga, o Yoga do Discernimento. Há quem chame de Yoga Real, ou Radja Yoga. A diferença é que no Yoga do Discernimento, o praticante usa a capacidade mental – a lógica, a dedução e a inferência; no Radja Yoga, por outro lado, vai-se além do conhecimento que se obtém pela saturação da informação para chegar ao estágio de “insight”. Por meio da meditação e do “insight”, o praticante pode ir além do conhecimento escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Índia, os praticantes do Yoga do Discernimento dedicam-se ao estudo do Vedanta, última parte dos Vedas. São os principais textos sagrados, que tratam dos grandes temas filosóficos, transmitidos ao longo dos anos, desde a tradição oral pelos brâmanes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Hatha Yoga é uma expressão bem mais recente. Surgiu por volta do século XIV da era cristã. Coincide com uma época de redescoberta do corpo como território sagrado a ser cultivado, a ser tratado e não como no período anterior, em que o corpo era visto como um fardo. No Hatha Yoga há um grande respeito pelo corpo. “Hatha”, literalmente Sol e Lua, é uma alusão à junção dos poderes solar e lunar, uma alegoria das energias de natureza masculina e feminina presentes em todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto tradicional do Hatha Yoga, o Hatha Yoga Pradípika – que inclusive foi traduzido recentemente pelo yogui Pedro Kupfer – faz referência direta ao conhecimento transmitido pelo sábio Patanjali de que o propósito em Yoga é serenar a mente, compreender a realidade e ter uma atitude de plena atenção na vida. Então, o objetivo é cultivarmos o nosso corpo para que este não nos exija atenção além do habitual, porque senão ficaremos apenas cuidando dele e não realizaremos a plenitude da nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Hatha Yoga Pradípika também são ensinadas algumas posturas. As posturas básicas têm o propósito de permitir que o praticante possa ficar sentado em posição ereta durante horas, para se dedicar ao Jnaña Yoga ou ao Radja Yoga. Algo muito desafiador para qualquer pessoa, mesmo para um indiano tradicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali também afirma, conforme a escola filosófica Samkhya, que nós somos variações de três qualidades básicas: a densidade (“Tamas”), a sutileza (“Sattva”) e a transformação de um para o outro (“Rajas”). Como todos nós somos um movimento constante dessas três qualidades, ora pode haver a predominância de uma, ora de outra. Então, a cada circunstância do dia podemos estar mais propensos a uma prática devocional, de ação, de estudo ou de meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é cada um de nós ficar atento e fazer aquilo que é mais adequado a si mesmo, conforme as circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-444059580938889957?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/444059580938889957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=444059580938889957' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/444059580938889957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/444059580938889957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/08/yoga-para-todos.html' title='Yoga para todos'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-2287751437687556900</id><published>2007-07-20T15:38:00.000-03:00</published><updated>2007-07-20T15:40:22.200-03:00</updated><title type='text'>Nos passos de Patanjali</title><content type='html'>Na tradição hinduísta, há seis linhas filosóficas ortodoxas. As duas com as quais temos mais proximidade são o Sânkya e o Yoga. Sânkya é a estruturação do conhecimento essencial e Yoga é a compreensão da mente, da alma. Nesse contexto, o meditar é parte fundamental, porque a integração das percepções se dá num estado meditativo, de plena atenção. Desenvolver essa plena atenção é característica de toda a tradição hinduísta. Podemos desenvolver a prática de meditação por vários caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio Patanjali foi quem codificou o Yoga e o caminho da meditação, o “Samadhi Pada” – “Samadhi” é o último estágio da meditação e “Pada” significa caminho. Ele descreveu de forma precisa os fundamentos da meditação. A partir daí, cada linha do pensamento hinduísta acrescentou métodos e artifícios úteis para a prática de meditação. No Budismo, por exemplo, existe um estilo de meditação muito específico. Mas na essência a origem é muito semelhante, porque o Budismo surge no contexto da grande Índia, do “Mahabharata”, da mesma região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meditação budista mais tradicional inclui o estilo “Vipassana”, em que se fica sentado, em absoluto silêncio, desde um mínimo de meia-hora e até dias (com intervalos para o sono e as refeições). Depois de ficar muito tempo assim, o praticante começa a transitar a sua atenção pelo seu corpo. Já os que seguem uma linha do Yoga de devoção, meditam repetindo o nome da divindade. Por isso eles repetem o mantra “Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare” Outro caminho devocional é o “Karma Yoga”, que é a vertente da ação, do agir sem o interesse pelo resultado da ação. Ou seja, é o caminho da ação desapegada, desinteressada. No Yoga do Conhecimento, que alguns chamam de “Raja Yoga” e outros de “Jñaña Yoga”, o caminho da meditação é a prática do discernimento, da compreensão intelectual da realidade para se alcançar o estágio de plenitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa variedade se deve à multiplicidade de personalidades humanas. Há pessoas que são bastante ativas, para as quais ficar concentrada estudando pode ser insuportável, pois elas preferem agir. Há outras que têm tamanha natureza devocional que buscam se entregar a uma causa maior. E por aí seguem os vários tipos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante a observar é que o legado deixado pelo sábio Patanjali é a base para todos esses estilos de Yoga, todos eles se referem a Patanjali. Isso porque a codificação do Yoga e da meditação é dele. Até o “Bagavadgita” se referencia ao Yoga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali comenta sobre os vários tipos de yoguis, as várias personalidades, e como cada um pode identificar-se com este ou aquele método. Ele vai lá na origem do “Sankya”, que diz que a natureza tem basicamente três qualidades: “Thamas”, “Radja” e “Satva” - densidade, movimento transformador e sutileza. A dosagem dessas qualidades nunca é a mesma, porque a matéria é dinâmica, está sempre se alterando. Então podemos estar ora mais tranqüilos, ora mais rápidos, ora mais lentos e assim vamos nos identificando com este ou aquele caminho. O importante é nos mantermos atentos para aproveitar as oportunidades de acordo com o nosso estado de espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda segundo Patanjali, há basicamente duas formas de meditação e a primeira delas tem pelo menos quatro subdivisões, conforme o tipo de objeto escolhido para concentrar-se a atenção. O primeiro desafio é habituar-se a concentrar a atenção, tanto com o olhar quanto com os pensamentos em relação a esse objeto. Pode-se ter como propósito, por exemplo, conhecer o objeto. Abrimos mão de tudo mais para atingirmos esse propósito por meio da observação, do estudo e da pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo tipo de meditação diz respeito ao objeto conceitual. Digamos que o observador se concentre em uma virtude para entender o conceito. Primeiro ele usa o mesmo processo anterior de estudo e pesquisa sobre o objeto até atingir um estado de saturação. Então pode fechar os olhos para meditar sobre esse objeto abstrato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali comenta também sobre os cinco estímulos que devem ser cultivados: pureza, contentamento, perseverança, conhecimento e render-se à vontade divina (“Ishvara Pranidhana”). Quando fala de estudar, ele se refere tanto ao auto-conhecimento socrático como estudar o nosso tempo: a religião, a política, a história do homem, ter pleno conhecimento do que a cultura nos possibilitou. Depois de nos impregnarmos de todo o conhecimento, podemos fazer o que o físico quântico Amit Goswami lembra sobre os quatro estágios da criatividade: estudar, saturar-se, ter o “insight” e colocar em prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estado da meditação é basicamente aquele em que permitimos o “insight”. Se temos como propósito de conhecimento captar algo, estamos nos referindo a esse estágio de captação de “insight” do caminho da criatividade. O estímulo é pela realização das duas primeiras etapas. Ou seja, estudar bastante o tema escolhido, saturar-se do conhecimento possível, que a cultura permita e então abstrair-se disso tudo para entrar no estado meditativo; criar uma alegoria qualquer que simbolize o significado todo, um ícone qualquer e, enfim, entrar no estado da não-ação. Depois de ter agido com tudo aquilo que a nossa cultura nos permite, vamos além da ação, para permitir que o “insight” aconteça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na compreensão hinduísta, só saímos da dimensão espaço-tempo com o não-agir. Enquanto estivermos agindo, estaremos no espaço-tempo. Indo além, podemos captar algo que está no “lago da memória”, que veio a ser chamado, na psicologia ocidental, de inconsciente coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão que o pensamento hinduísta nos propõe e que os físicos quânticos reforçam é: qual é a interferência mínima que eu posso fazer para permitir que a vida se manifeste sem que eu atrapalhe, uma vez que o observador sempre interfere na experiência? Ir além da ação aparente é o nosso desafio, no caminho da meditação, para uma vida mais sutil e plena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-2287751437687556900?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/2287751437687556900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=2287751437687556900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2287751437687556900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/2287751437687556900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/07/nos-passos-de-patanjali.html' title='Nos passos de Patanjali'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-4829031267111425997</id><published>2007-07-03T22:01:00.000-03:00</published><updated>2007-07-04T09:32:25.210-03:00</updated><title type='text'>Serena-mente-consciente</title><content type='html'>Na compreensão hinduísta, tudo o que existe tem dupla natureza: manifestação (“Prakriti”) e não-manifestação (“Purusha”). A intermediação entre uma e outra é feita pela mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo mental de codificação e intermediação da realidade, para uma compreensão, está sempre ocorrendo. Assim vamos lidando com a realidade. A manifestação gera percepções e estas vão-se tornando complexas, vão criando uma trama, um envolvimento. Essa realidade interativa é muito solicitante. O processo mental se deixa tomar por completo, porque é interativo com tudo o que aparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez que agimos ou reagimos, percebemos algo e, a partir daí, criamos memória. A memória cria impressões, “Sanskaras”, as quais provocam o surgimento de pensamentos recorrentes, que vêm sem que tenhamos controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Yoga, buscamos controlar as manifestações mentais, que em síntese são cinco: o conhecimento, o engano, a fantasia, a memória e o sono/sonho. Buscamos educar, controlar a mente, de modo que possamos nos concentrar naquilo que requer a nossa atenção – deveres sociais, intenção espiritual ou até sobrevivência imediata. Vamos além dessa identificação com a realidade com a qual convivemos, para trazer a atenção a uma realidade interior, de modo que possamos desenvolver (tirar o envolvimento) desse intelecto, dessa capacidade mental, e assim perceber a realidade o mais próximo do imanifestado, da consciência espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o físico quântico Amit Goswami, há um estado de consciência especial que provoca o “colapso das possibilidades”, ou seja, que faz a realidade acontecer. Esse estado de consciência, que trazemos em nós e que é precipitador de realidade, é literalmente o padrão de consciência divina, a “consciência absoluta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alcançamos estágios de proximidade dessa consciência especial, podemos ter até o privilégio de sair da dimensão espaço-tempo, na qual as interações ocorrem tanto, e perceber, por exemplo, o que os gregos chamavam “o lago da memória”, que na psicologia moderna veio a se chamar inconsciente coletivo. Além do espaço-tempo, temos acesso a insights, a tudo o que já foi compreendido e percebido, a tudo o que a memória coletiva já criou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente é que possibilita o acesso à divindade, é a nossa preceptora, é ela que possibilita o acesso a tudo. Podemos dizer que a mente é a regente do portal da consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prática de Yoga e de meditação, buscamos colocar a mente a nosso favor. Assim como no cultivo da ética coloca-se o comportamento do ser humano a favor do convívio social, na prática de Yoga usamos a mente em nosso benefício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais serenada a nossa mente, mais próxima ela estará do nível de consciência essencial, não-manifestada, “Purusha”, que não precisa fazer qualquer tipo de intermediação de realidade. Diante de nós então, tudo se torna menos ilusório, mais cristalino, mais próximo do essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-4829031267111425997?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/4829031267111425997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=4829031267111425997' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4829031267111425997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4829031267111425997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/07/serena-mente-consciente.html' title='Serena-mente-consciente'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-5157035682559490131</id><published>2007-06-27T16:30:00.000-03:00</published><updated>2007-06-27T16:32:02.145-03:00</updated><title type='text'>Mergulho no lago da consciência</title><content type='html'>Yoga, em essência, significa prestar atenção. Há algumas sugestões que se dão nesse “prestar atenção”. Algumas são de negação, de alerta; outras são afirmativas, indicativas. A principal mensagem é: cultive o contentamento e seja persistente, principalmente em cultivar a felicidade (a sua e a dos outros).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Yoga, também se tem a compreensão de que somos, simultaneamente, criaturas divinas e terrenas. Somos, ao mesmo tempo, constituídos de uma matéria que se manifesta e de uma outra matéria, que não se manifesta. Essa última, constitui uma essência, que nem precisa se manifestar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O propósito, em Yoga, é nos mantermos verdadeiramente atentos para que essa nossa natureza imanifestada torne-se presente de forma plena, para que a nossa natureza divina não encontre nenhum obstáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento mental e espiritual que se propõe em Yoga é tirar o envolvimento, é tirar os excessos sociais que atrapalham a manifestação da nossa divindade. Quando serenamos a nossa mente, o observador que há em nós de fato vê, aquele que cada um é torna-se presente. Em todas as demais situações, quando a nossa mente não está tranqüila, esse observador essencial está enevoado; ficamos então entregues ao fluxo das emoções, ao fluxo social. Ao serenarmos a nossa mente, o nosso verdadeiro ser se torna “mais” presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa compreensão foi desenvolvida pelos hinduístas há milênios, numa época em que se formaram os Vedas, “o conhecimento revelado pelos deuses”. A tradição dos Vedas remonta a cerca de seis mil anos AC. Inicialmente era transmitida de forma oral, depois surge o Vedanta (o “último conhecimento”) em linguagem escrita, o qual prossegue estimulando a sabedoria e a reflexão. As linhas filosóficas hinduístas são convergentes. Basicamente são seis, sempre aos pares. Yoga é uma vertente, ao lado da filosofia Samkhya, que seria uma ancestral estruturalista da epistemologia. Assim como o Yoga é um precursor da psicologia, o Samkhya é o antecedente da gestão de conhecimento. O Samkhya preocupa-se com as questões filosóficas, tais como a origem da vida, a estrutura da matéria e a natureza humana, entre outras. O Yoga lida com o nosso funcionamento mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, Yoga está relacionado à educação física, tanto que há uma lei que obriga os instrutores a se registrarem ao Conselho Federal de Educação Física. Mas, talvez mais propriamente, Yoga deveria ser ensinado por professor de Psicologia ou Filosofia. Em Yoga, o tempo todo se fala da mente. Prestamos atenção ao nosso corpo, mas o foco é a nossa atenção com a mente. O corpo é o nosso território, patrimônio, o que temos de mais pessoal, junto com a mente e a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alma (no Ocidente) foi “descoberta” no séc. V AC, época em que viveram os filósofos gregos, o sábio Patanjali, Buda e Zaratustra. Como diz o célebre historiador inglês Arnold Toynbee, esse foi o período axial da nossa História. Nessa época, os gregos concluíram que existia uma essência individual do habitante da cidade. Quando esse morria, a alma saía da cidade (na visão helenística, a cidade nos constitui). A alma então se libertava da cidade. Esse é o mesmo conceito em Yoga: “Moksha”, a libertação de nossa essência, que vai além do ser social, o ser da cidade. É sabido que os gregos tiveram intenso contato com a Índia, muito antes de Alexandre. Até o modo de incinerar os mortos é semelhante. Na Grécia, quando se preparava o corpo do morto para passar ao reino de Hades, colocava-se uma folhinha, de ouro, prata ou chumbo. Nessa folhinha ficavam gravadas as dicas para a alma, para esse ser essencial. Ao chegar-se no mundo livre do social, Hades perguntaria “quem é você?”. “Eu sou filho da terra e do céu estrelado”, responderia a alma. Hades estão voltaria a perguntar: “o que você quer?”. “Eu quero beber da água fresca do lago da memória”, diria a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, tudo o que aprendemos e compreendemos, toda a nossa consciência, vai para a memória, se agrega lá. Viver é a realização (na experiência material) da consciência, e essa se situa na memória. Então, o que fazemos ao morrer é retornar ao “lago da memória”, que a psicologia mais tarde veio a chamar de “inconsciente coletivo”. Para o filósofo francês André Comte Sponville, o que antecede o espírito é a memória, a qual se constitui a morada do espírito. Para o físico quântico Amit Goswami (autor do livro “A física da alma”), quando temos insights criativos, estamos tendo acesso ao “corpo de significados” que está além do espaço-tempo: um conceito muito semelhante ao “lago da memória”, do inconsciente coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma convergência de várias culturas e pensadores quanto à coexistência “natureza espiritual e ser social” e dessa libertação – da cidade, para os gregos; do mudo do Samsara, das “eternas reencarnações”, para os hinduístas. Há também uma variedade de compreensões religiosas e leigas de como lidar com essa dualidade da nossa natureza. De qualquer modo, temos a nossa mente fazendo a intermediação desses dois aspectos que nos constituem como seres vivos: ela sempre nos leva para passear pelas margens ou em mergulhos fortuitos nas águas do lago da memória. Nossas compreensões das experiências vividas são como pequenos córregos que seguem alimentando de lembranças esse lago extraordinário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-5157035682559490131?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/5157035682559490131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=5157035682559490131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5157035682559490131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5157035682559490131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/06/mergulho-no-lago-da-conscincia.html' title='Mergulho no lago da consciência'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-944621587850285125</id><published>2007-06-19T11:19:00.000-03:00</published><updated>2007-06-19T12:51:03.064-03:00</updated><title type='text'>Manual da mente para iniciantes</title><content type='html'>Toda a prática de Yoga no mundo baseia-se no Yoga Sutra (texto do Yoga em forma de cordel). São cerca de 195 verbetes, escritos numa linguagem poética. O sistematizador do Yoga Sutra foi o sábio indiano Patanjali, há mais de 2000 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele surgiu, o Yoga já existia, pois é uma prática milenar na Índia. Era uma tradição oral, transmitida para os discípulos. O sábio Patanjali tem um surgimento lendário, varia do século cinco antes a depois de Cristo. Isso porque havia o hábito de muitos sábios de atribuírem seus textos a alguém muito admirado, em vez de assumirem a autoria das obras. Era comum, tanto na Índia como na China. Então, há vários Patanjalis na história da Índia! Não se sabe bem quem ele é. Mas podemos dizer que ele foi um precursor de Freud, na medida em que trata da mente humana com muita profundidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Yoga Sutra de Patanjali é voltado para a compreensão do nosso processo mental. Começa afirmando que nós somos envolvidos pela nossa percepção, dada pelos sentidos, da realidade social; mas que existe uma compreensão essencial, permanente, que é o verdadeiro ser interior, da consciência, que está presente em tudo, independentemente das influências sociais que estejam acontecendo. Cabe a nós, quando compreendemos o nosso processo mental, desenvolvermos também a clareza, o discernimento de separarmos a compreensão do que é manifestado daquilo que não se manifesta, de modo que não sejamos um barco à deriva no oceano das emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está na origem do pensamento hinduísta a dualidade da manifestação e do referencial que permite a compreensão de tudo o que se manifesta. Esse referencial é “Purusha”, o imanifestado, tudo o que é permanente; é a essência geral e que está presente em cada um de nós. Não surge vida sem essa dualidade básica. Então, o propósito em Yoga é cultivarmos a presença, a atenção, de modo a vivenciarmos a realidade social com um sentido de prioridade, sabendo que tudo é passageiro, menos esse referencial essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na compreensão do Yoga, o sutil e o físico fazem parte da manifestação. Tudo o que se manifesta é, simultaneamente, sutil, denso e movimento. Ou seja, em tudo o que é manifestado (“Prakriti”) existe a trindade densidade, sutileza e transformação de um no outro. O sutil também é mutável, é dinâmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Yoga Sutra, Patanjali dá uma atenção especial à compreensão da nossa mente. Nós compreendemos tudo com a intermediação mental; sem ela, nós não conseguiríamos nos relacionar. Mas ele chama a atenção que se nós ficarmos apenas no limite da mente operacional, se nos transformarmos apenas em seres sociais, certamente seremos muito úteis socialmente, mas estaremos desprezando o que vai além do social e vamos ter dificuldade, inclusive, para lidar com as surpresas que o mundo social nos traz. O social é algo que construímos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reproduzimos estruturas que as gerações anteriores criaram para podermos sobreviver como espécie, mas isso é apenas um artifício. Afinal, somos seres frágeis e sobrevivemos graças à nossa capacidade mental de nos organizarmos socialmente. Essa capacidade foi sendo supervalorizada, não por acaso, a ponto de nós, cada vez mais, glorificarmos o ser racional, que atua socialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Yoga Sutra é uma espécie de manual da mente, sobre como compreendê-la e colocá-la a nosso favor, de modo que possamos desenvolver hábitos que nos permitam ter desprendimento em relação à realidade, ao mesmo tempo em que vivemos com intensidade a nossa realidade. A essência da mensagem do Yoga Sutra é: viva a sua vida integralmente, exerça os seus papéis com integridade, seja íntegro! Essa integridade pressupõe ir além dos seus papéis. Cultive também o ator que existe dentro de cada um dos seus personagens, de modo que você viva a sua vida plenamente, com a consciência de que ela é passageira. Cultive a sua consciência em tudo o que você faz, de modo que quando este intervalo, este lapso de tempo, em que você tem esta experiência material se concluir, a sua consciência tenha se realizado plenamente e possa prosseguir em dimensões fora do espaço-tempo, que constitui nossa realidade social e material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patanjali fala basicamente dos métodos de meditação e de respiração, porque o controle da respiração é propiciador do controle da mente e este é fundamental na meditação, que nos dá a capacidade de estarmos presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos exercícios de Yoga, praticamos a atenção em nós mesmos, porque cada um de nós está voltado o tempo todo para o mundo exterior, para o social. Os exercícios de Hatha Yoga nos possibilitam olhar para nós mesmos, perceber o nosso corpo, compreender os limites do nosso corpo e respeitá-los, desenvolver a capacidade de concentração, para ficarmos bem, relaxados e tranqüilos. O propósito é ficarmos saudáveis e aproveitarmos plenamente esta experiência imperdível que é viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-944621587850285125?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/944621587850285125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=944621587850285125' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/944621587850285125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/944621587850285125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/06/manual-da-mente-para-iniciantes.html' title='Manual da mente para iniciantes'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-4439364266986032468</id><published>2007-06-06T14:34:00.000-03:00</published><updated>2007-06-06T14:40:50.887-03:00</updated><title type='text'>Ser, escolher e escolher ser</title><content type='html'>A dualidade manifestado - imanifestado é muito preciosa em Yoga, porque pode sugerir uma fonte de prioridades. No cotidiano, priorizamos aquilo que achamos mais importante, que nos solicita mais. De algum modo, somos orientados a tomar decisões e estas são tomadas em função de preceitos sociais de convivência. A ênfase é pela sobrevivência. Como a cultura se sofisticou muito, a nossa orientação vai além da sobrevivência, além do ético e em geral chega a um caráter mais amplo: ideológico, religioso ou espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há algo muito sofisticado na história das civilizações. Provavelmente, as primeiras compreensões dos seres humanos para princípios muito grandes e fortes, e deuses, estão relacionadas com a sobrevivência mesmo. É razoável admitir que a origem das crenças de respeito, de temor e até mesmo de adoração, tiveram como pano de fundo a pressão de sobreviver: o susto diante da vida e da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje temos, além da orientação operacional para lidar com o cotidiano, uma orientação que vai além do comportamento social e que nos estimula a nos percebermos mais, nos conhecermos melhor. Podemos dizer que a maioria dos preceitos é de convivência, muitos são de sobrevivência e alguns são voltados para um ideal supra-social, mais espiritualizado, em geral com uma alegoria de deuses, de religiões, de santos, enfim, de modelos. As relações que são sugeridas entre nós e esse modelo em geral são de respeito, de pedido de ajuda. Vão-se projetando, nesse arcabouço supra-social, as relações pessoais que estabelecemos na vida. Daí o relacionar-se com Deus como um pai ou mãe generosos, ou poderosos ou autoritários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é comum na maioria, senão em todas as civilizações antigas e atuais. Viajando pelo mundo, é possível encontrar muita similaridade desses comportamentos. Em Yoga e seu complemento filosófico, o Samkhya, percebe-se uma ênfase bastante clara no comportamento social e uma ênfase muita maior no comportamento focalizado em algo superior à realidade social. Trata-se de um foco na consciência e de apenas uma indicação de divindade – embora o Yoga tenha surgido num ambiente de grande variedade de deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na filosofia Samkhya, não há nenhuma referência a essas alegorias. Encontramos, no máximo, em Yoga, uma referência a essa consciência supra-sumo na expressão “Ishivara”. Essa palavra foi traduzida no Ocidente como Deus, mas na compreensão original, no contexto indiano, é “o princípio divino da vida”. Então, quando falamos “Ishvara pranidhana”, “render-se à vontade divina”, significa render-se ao princípio da vida. Esse se render à vida tem como premissa que nós somos realidade que se manifesta, que atua no mundo e na sociedade, e ao mesmo tempo uma realidade que não precisa se manifestar, ou que não se manifesta, que é um referencial fundamental. Assim como a luz, que tem duas naturezas, material e ondulatória, nós somos simultaneamente a materialização do código de proteínas do DNA e uma realidade essencial, que faz a vida surgir, que é a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No modelo hinduísta, a matéria manifestada tem três qualidades simultâneas: “Tamas”, “Satva” e “Rajas”. Mas, há sempre algo ali no meio, uma intermediação que é vital: a mente. É a mente que faz a intermediação e que permite a compreensão da matéria manifestada. É também a mente que faz todo esse caminho civilizatório, de realização. Não é à toa que em meio a todas as alegorias culturais, dá-se o nome “Budhi” (o mesmo Hermes grego, ou Mercúrio romano) para a intermediação mental entre o manifestado e o imanifestado, “Prakriti” e “Purusha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O manifestado, a matéria, é movimento, agito, portanto é sempre mutável, impermanente. O imanifestado, “Purusha”, ao contrário, é permanente. E ao compreendermos que tudo é mutável, que tudo é passageiro, a nossa percepção de prioridade pode ser reconsiderada. Se nós estamos diante de coisas que são sempre passageiras, se damos atenção extraordinária ao que é passageiro, que tal darmos um pouco mais de atenção àquilo que não é tão passageiro assim? Que tal fazermos uma aproximação entre o manifestado e o imanifestado? Que tal, além de desenvolvermos tanta habilidade, conhecimento e competência para lidar com o mundo passageiro, as usarmos também para lidar com o que não é passageiro? Para as pessoas que têm muita dificuldade de elaborar isso tudo, mas que percebem sua associação com o que é permanente, fica mais fácil utilizar uma alegoria de Deus. Nós podemos nos dedicar a um princípio divino com qualquer nome, com quaisquer práticas que consideremos razoáveis para, a partir daí, podemos ter uma compreensão de que existe algo a mais, que não se corrompe, não se destrói, não passa e que pode ser associado a um princípio permanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas nossas prioridades, como colocamos essa compreensão de que existe algo além do passageiro em nossas tomadas de decisão? Essa é uma questão, no mínimo, desafiadora. Tomamos tantas decisões na nossa vida e essas decisões são pautadas apenas pelo aproveitamento daquilo que é passageiro? E aquilo que não é passageiro? O que fazer? Afinal, dá para fazer? A questão não é nem fazer ou não, é muito mais de atitude, de compreensão. Agir depois que se tomou a decisão é fácil; difícil é tomar a decisão acertadamente! Quais são os critérios que consideramos para tomar uma decisão? O que leva a ponderar uma opção e outra na hora de decidir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente, o que temos de critérios são emoção e razão. As nossas tomadas de decisões primordiais são emocionais. Nosso cérebro ancestral é o emocional. O racional veio depois, e desenvolveu-se mesmo depois que nascemos. Isso exige, portanto, muita dedicação para incluir o critério racional de destacar a importância do que é permanente em relação ao que é circunstancial em nossas decisões de vida. Uma das questões que está sempre como pano de fundo dos sofrimentos é justamente a ignorância ou o desprezo desse princípio da impermanência de tudo que se manifesta. Nós nos apegamos ao que é passageiro e ficamos a cultivar o medo ou a esperança em função daquilo que não é permanente, mas que esconde a essência da vida: o eterno que está em nós e em cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-4439364266986032468?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/4439364266986032468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=4439364266986032468' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4439364266986032468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/4439364266986032468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/06/ser-escolher-e-escolher-ser.html' title='Ser, escolher e escolher ser'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-7909294191447905378</id><published>2007-05-29T14:26:00.000-03:00</published><updated>2007-06-02T21:32:20.834-03:00</updated><title type='text'>O essencial e o carrossel</title><content type='html'>Um aspecto fundamental em Yoga é compreender as dualidades: manifestado e imanifestado, mutável e imutável, passageiro e permanente. Esses contrastes são preciosos na filosofia hinduísta e, principalmente, na linha filosófica de Yoga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal em Yoga é cada um de nós desenvolver o hábito de ficar atento para estar presente e assim viver plenamente. Mas, afinal, o que é estar presente? Que prestar atenção é esse? Há um pano de fundo que dá sentido: compreender o justo valor de cada coisa, o significado de cada situação; ter compreensão do que os fatos significam. Na origem de tudo está uma relação de tensão, dual: um princípio permanente, eterno, que existe simultaneamente com outro, que se manifesta o tempo todo, que é mutável e que cria as circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da nossa vida, mudamos inúmeras vezes e cada etapa é muito importante, mas só tem valor em relação a cada um de nós, que está presente agora e o tempo todo. O ser que está presente o tempo todo representa, individualmente, a permanência, esse algo que sempre é, que não se altera. Como diz José Saramago, no livro “Todos os nomes”, “tu conheces o nome que te deram, mas não conheces o nome que tens”. Os nomes que nos dão são os menos importantes, porque variam de acordo com as circunstâncias. O nome que temos, que ninguém nos deu, esse é o que está presente em todas as circunstâncias; é o ator que está lá no íntimo de todas as nossas personagens. Essa é a referência fundamental em Yoga, somos esse ser que sempre é e o ser que vai se manifestando, se alterando, se relacionando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Yoga, “Purusha” é aquilo que não se manifesta e “Prakriti” o que se manifesta. Em cada um de nós, “Purusha” é chamado de “Atma”, palavra muito próxima de alma. A primeira manifestação de “Prakriti” é a mente, que lida com as três qualidades da matéria: a densidade, a sutileza e a dinâmica da transformação. Elas estão sempre numa dinâmica de mudança, em que o denso se transforma e se torna sutil, que se torna denso e isso não tem fim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na compreensão em Yoga, você e o interior do seu eu (cujo nome você sabe que tem, mas não sabe qual é), observam e vivenciam, a seu modo, todas as transformações que são propiciadas pelas características dinâmicas da matéria manifestada. Observar essas transformações exige um distanciamento. É esse distanciamento o principal desafio da prática de Yoga: estar atento à vida e manter, ao mesmo tempo que você se envolve com a vida, o distanciamento que possibilita perceber a transformação, perceber que tudo muda, que os nomes que nós temos mudam, mas somente aquele que observa sem mudar é que pode perceber essa mudança. Se você se envolve demais na mudança, acaba não percebendo o que mudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa consciência dá uma segurança extraordinária, porque aí nem a morte é ameaça, porque passa a ser mais um evento de mudança. Nada é permanente, a não ser você, esse ser que há em cada um de nós que, independentemente das mudanças, continua a existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não diminui em nada o valor de sentimentos como o amor, a piedade, a compaixão ou mesmo de desprezo adequados a cada circunstância. São todos muito importantes, mas circunstanciais. Esse talvez seja o nosso maior desafio, ter clareza que tudo ao qual nos dedicamos tem por natureza ser passageiro. Isso muda tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em Yoga, não basta ter a compreensão, é preciso exercitar. Não há compreensão que, sem exercício, permaneça no ser humano. Nós somos seres educacionais. “Prakriti”, a realidade que está em permanente mudança, nos oferece um desafio de natureza educacional, porque a experiência traz resultado, este é percebido, a percepção do resultado traz uma memória, que condiciona a compreensão dos resultados seguintes. Esse também é um ciclo sem fim. Cada vez que agimos ou reagimos, surge um resultado; compreendendo ou não, esse resultado é percebido, vira então memória, que sempre se manifesta. Ou seja, é um ciclo permanente, que cresce em complexidade, e no qual estamos sempre envolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é uma verdadeira feira de exposições, que está o tempo todo chamando a nossa atenção, principalmente para aquilo que é menos importante do que a compreensão essencial do que somos. Nós temos essa natureza dual: temos a permanência, a eternidade em nós e, ao mesmo tempo, vivemos processos passageiros de mudança, que acrescentam ou subtraem - sempre associados a prazer ou sofrimento, uma vez que a nossa compreensão se dá sempre de forma emocional. Corremos assim o risco de dar atenção apenas às emoções. A questão é esse “apenas”. Claro que é necessário dar atenção aos outros, às emoções, às circunstâncias, mas se dermos atenção apenas ao transitório, viveremos na transitoriedade, sem realizar nunca a permanência que nós também somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filosofia hinduísta chama esta atenção: a existência é um processo de compreensão, de realização permanente, em que a transformação do sutil e do denso dá a dinâmica da vida, e constitui um processo de vida material, que por si só é importante. Mas o fundamental é a realização disso com distanciamento, em que, simultaneamente, somos aquele que observa e o que participa da realidade em observação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida social é uma das manifestações passageiras desta experiência de vida que cada um de nós está tendo. Embora seja muito importante, porque não conseguiríamos viver isoladamente, até a vida social é relativa, porque se ela for exageradamente solicitante para nós, não conseguiremos desenvolver completamente a nossa essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os exercícios de Yoga e a prática de meditação, vamos criando condições de atenção para dar o justo valor aos fatos, aos relacionamentos, aos muitos “eus”, que cada um de nós é, e que assim tudo tenha a sua devida atenção, mas que no meio desse carrossel de atenções, que vivemos diariamente, consigamos desenvolver, ou seja, retirar o envolvimento, para que se revele o que estiver mais próximo do imanifestado, do permanente, do imutável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No “Yoga Sutra”, Patanjali, de certo modo, fala o tempo todo dessa dualidade, impermanência e permanência, que tudo é mutável, que estamos sempre lidando com coisas passageiras, que tudo é muito importante, mas nada é tão importante quanto a compreensão disso: que tudo passa. Os exercícios que fazemos têm o propósito de desenvolver em nós essa habilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, a proposta em Yoga é: fique atento ao que é transitório e cultive a sua atenção para aquilo que é permanente. Com isso, desenvolve-se todo o restante da compreensão do que é a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-7909294191447905378?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/7909294191447905378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=7909294191447905378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7909294191447905378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7909294191447905378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/05/o-essencial-e-o-carrossel.html' title='O essencial e o carrossel'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-550698679269700494</id><published>2007-05-17T15:53:00.000-03:00</published><updated>2007-05-17T16:07:03.386-03:00</updated><title type='text'>Guarani Sutra</title><content type='html'>Na semana passada ganhei de um amigo um livro fascinante e surpreendente: “Tupã Tenondé – a criação do Universo da Terra e do homem segundo a tradição oral guarani”, de Kaka Werá Jecupé. Descobri nesse livro que os guaranis têm uma concepção de mundo, de origem da vida, de alma e de divindade muito semelhante à concepção hinduísta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível como o conceito do povo guarani é praticamente igual à filosofia hinduísta em relação à dualidade original – o imanifestado e aquilo que se manifesta, “purusha” e “prakiti”, ambos de caráter divino. O processo de desenvolvimento espiritual para esse povo também é visto como uma ascensão interior, em que um beija-flor, representando a nossa alma, vai subindo até pegar o néctar de uma flor que se abre em cima da cabeça humana. Essa imagem é muito semelhante à representação hinduísta. Fiquei encantado com a poesia com que eles descrevem isso tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento hinduísta, como vem de uma época em que não havia escrita, era transmitido de forma oral, poética, cantada. O maior poema escrito da história da humanidade, o Mahabharata ( “a história épica da grande Índia”) tem mais de cem mil versos. E, no entanto, manteve-se, sendo transmitido de geração a geração sem a escrita. Esse livro sobre os guaranis também é todo em forma poética, com muitas imagens, e escrito no século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto que me chamou atenção é que os guaranis relacionam a linguagem à alma. Esse é um conceito que se aproxima da psicologia moderna, em que somos chamados de falantes mais que indivíduos. Segundo essa abordagem, é o falar que vai me caracterizar como ser. O filósofo francês André Sponville propõe que a memória é a origem do espírito, porque é aquilo que nos antecede. A memória seria o espírito em si ou o terreno espiritual. Podemos então dizer que o presente é o “pré” que antecede o ente. A vivência do presente está sempre sendo registrada na memória. Se falarmos em vidas passadas, vamos recuperar experiências na memória – desde a memória cerebral até outras que temos dificuldade de explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, há uma convergência da compreensão dos guaranis (linguagem e alma) com a filosofia (memória e espírito). Ao mesmo tempo, estamos falando do Oriente (Índia), de uma América do Sul muito anterior à chegada dos europeus e da Europa em tempos modernos. Ora, se há uma convergência vinda de lugares e culturas tão diferentes é porque deve haver um significado bastante merecedor de atenção. Essas similaridades podem ser consideradas como algo, no mínimo, razoável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se o exercício da linguagem é o exercício da alma, vamos então nos expressar bastante para ter a alma vibrante! A expressão é uma necessidade para nós. Há pessoas que só compreendem as coisas depois que elas mesmas repetem ou dizem com as suas palavras ou emprestadas de outros. Ao falarmos, ao nos comunicarmos, temos que colocar tanta atenção, energia, que isso fica em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui, vale lembrar a importância de se falar com bom humor, de se criarem situações positivas, com as suas próprias palavras e atitudes. Atualmente filósofos acentuam a compreensão da Filosofia como amor à felicidade, como a grande sabedoria, a busca da felicidade. Como diz Vicente Luís (8 anos), autor do livro “Cem palavras”, do qual vocês ainda vão ouvir falar, “todo dia você deve ficar um pouco feliz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-550698679269700494?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/550698679269700494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=550698679269700494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/550698679269700494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/550698679269700494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/05/guarani-sutra.html' title='Guarani Sutra'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-7560558789806153154</id><published>2007-05-17T15:50:00.000-03:00</published><updated>2007-05-17T16:09:45.768-03:00</updated><title type='text'>O bem, o mal e o meio das virtudes</title><content type='html'>Ninguém nasce virtuoso. Nós somos polidos desde pequenos, quando aprendemos o que é aceito socialmente. Esse polir é que forma o terreno das virtudes. A polidez em si não é uma virtude, mas a insistência cria uma disciplina, que se amplia para todo o contexto social. Aos poucos, os controles, feitos por quem nos educa, vão constituindo uma ética em cada um de nós, como indivíduos. Se não houver esse processo de criação com educação, com polidez, a virtude não vai se manifestar nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Índia, por exemplo, há um verdadeiro fenômeno de paz social, considerando-se que lá habitam cerca de 750 milhões de pessoas que estão abaixo da linha da pobreza. Isso só é possível porque há uma educação muito forte, que acontece desde muito cedo, com cada pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio Patanjali lembra dez ensinamentos (yamas e niyamas), que orientam o que devemos controlar, dizendo não, e também aquilo que devemos estimular, dizendo sim. Evitar qualquer violência à vida, evitar a mentira, evitar o roubo, controlar a sexualidade e evitar a inveja e a cobiça. São controles simples, mas dentro de uma hierarquia. Em primeiro lugar vem o respeito à vida, não ofender ninguém. Isso vem antes da verdade, que não é tão importante na filosofia hinduísta quanto à vida. Depois é que vem o respeito à propriedade e daí por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como da polidez surge a virtude? Será que é preciso haver um pouco de virtude dentro de cada um de nós para que esta possa se manifestar? Ninguém sabe ao certo. Isso é algo que constatamos. O fato é que o hábito cria essa segunda natureza das virtudes ou dos vícios, vai depender dos hábitos que cada um de nós permitiu surgir. As virtudes de caráter positivo, como as recomendadas em Yoga (niyamas) - o cultivo da pureza, do contentamento, da perseverança, do conhecimento e do aceitar a vida (render-se à vontade divina) – são extraordinárias, porque ninguém nos cobra. Afinal, se todo mundo ficar contente, não vão mais vender tantos antidepressivos. Se eu desejo e amo aquilo que tenho, não vou querer consumir de forma desenfreada. Então, é muito mais recomendável cultivar essas virtudes ditas positivas, porque a essas faltam estímulos, já que o estímulo mais normal é pela condenação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nossa sociedade também se cultiva ainda um conceito grego ultrapassado: de que felicidade é um desejo pelo que nos falta; que a felicidade vem quando conseguimos aquilo que está nos faltando. Mas sabemos que quando conseguimos aquilo esperado, logo ele já não tem mais tanto valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para resumir, podemos então dizer que todas as virtudes começam com algo que nem virtude é: a polidez. E a polidez se dá, desde a nossa infância, pela observação ou condenação daquilo que não é aceito socialmente. Claro que vamos encontrar pessoas muito educadas, muito polidas, mas apenas como uma capa, em que a polidez externa esconde um comportamento insuportável. Nesse caso, a pessoa não conseguiu fazer a passagem da polidez para a virtude, ou usa a polidez para ludibriar os outros, mas logo a essência acaba aparecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho da virtude, em Yoga, é a formação do hábito. E os hábitos se dão com a prática, com a repetição. Outra forma de se estimular a virtude é dar visibilidade, pois nós cuidamos mais daquilo que é visível. É muito mais fácil as pessoas serem educadas, polidas, terem mais consideração com os outros num ambiente em que haja transparência, do que em ambientes em que as pessoas estão isoladas e não estão sendo observadas. O fato de estar sendo observado aumenta a vontade do indivíduo de ser aceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém nasce virtuoso, é um caminho que em Yoga cultivamos com a pureza, a perseverança, o contentamento e com a consciência de que somos limitados, por isso nos rendemos à vontade divina. Fazer disso um hábito é um bom desafio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-7560558789806153154?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/7560558789806153154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=7560558789806153154' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7560558789806153154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/7560558789806153154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/05/o-bem-o-mal-e-o-meio-das-virtudes.html' title='O bem, o mal e o meio das virtudes'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7600937615575281350.post-5701554258961150435</id><published>2007-05-06T10:05:00.000-03:00</published><updated>2007-05-08T11:03:34.783-03:00</updated><title type='text'>O bem, o mal e o meio</title><content type='html'>Hoje quero falar um pouco sobre o “Pequeno tratado das grandes virtudes”, do filósofo francês André Comte Sponville. Esse livro tem tudo a ver com os dez ensinamentos do sábio indiano Patanjali, que se constituem no código de ética de Yoga. Também é comparável aos textos do mestre atual Swami Dayananda Saraswati, expoente do Vedanta, que é o supra-sumo da filosofia hinduísta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro, Sponville destaca 18 virtudes. Começa com a polidez e termina com o amor. É interessante comparar essas virtudes com a descrição de Dayananda de como devemos tratar sentimentos insuportáveis, como a raiva, por exemplo. Lembra o mestre que raiva todo mundo tem, é para sentir mesmo; o que não vale é martirizar os outros por causa da raiva; não faz sentido eu martirizar quem amo porque estou raivoso. A raiva é um sentimento verdadeiro, legítimo, que temos por uma motivação óbvia, afinal, ninguém fica raivoso à toa. Não adianta nada negar a raiva, porque aí ela vai se concentrar, tornar-se cada vez mais poderosa e quando vier à tona, ninguém suportará, principalmente as pessoas mais próximas. Por que vitimar uma pessoa próxima simplesmente porque se está com raiva? Melhor sinalizar que se está com raiva, para manter um mínimo de distanciamento e evitar machucar os mais próximos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A virtude, como tratada por Sponville, é uma potência, uma excelência. No caso de um objeto, uma faca, por exemplo, não há moral. Ela pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. Em um código de ética, vamos aceitar o uso desse objeto para o bem e abominar o uso para o mal. Mas, rigorosamente, a virtude na essência não é boa nem ruim; a faca que corta bem é excelente e pronto. Já no que se refere ao ser humano, não há sentido se falar em excelência se esta não for usada para o bem. A maldade de alguém só poderia ser considerada como virtude se, por exemplo, determinado grupo pudesse ser protegido pela maldade dessa pessoa em relação a outro grupo muito perverso. Há momentos em que num grupo, reconhecemos que excelências, habilidades extraordinárias, desta ou daquela pessoa podem levar a um inferno e outras podem trazer o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo que é potente em nós pode ser desastroso se estivermos no lugar errado, ou tornar-se extraordinário se estivermos no lugar adequado. Porém, isso não tem muito a ver com o conceito de virtude da coisa em si, mas das pessoas, que serão sempre avaliadas em termos relativos. Enquanto a virtude do objeto é invariante, a virtude do ser humano é relativa. Ele é virtuoso se o grupo com o qual convive reconhecer essa virtude e essa será reconhecida se for para o bem do grupo. O outro é que determina a minha virtude. E aí é que entra a potência do código de ética que cada um adota na sua vida. Cada um de nós tem a oportunidade de aperfeiçoar o seu próprio código de ética, de incorporar as virtudes que perceber que são consistentes com as anteriores e que promovem o bem. Esse é o critério. Mas que bem é esse? Não é um bem individual, é um bem que só tem sentido coletivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser humano é virtuoso? Depende. Vamos refletir um pouco sobre “a sombra do tempo”, um conceito darwiniano. Segundo esse princípio, as circunstâncias são determinantes. Imaginemos duas situações: uma pessoa sozinha no ponto de ônibus, de madrugada, e essa mesma pessoa no ponto de ônibus, acompanhada de pessoas conhecidas, pela manhã. Nas duas situações, aparece uma segunda pessoa desconhecida. Em qual das situações haverá maior probabilidade de demonstrações de civilidade, gentileza e amorosidade? Ninguém tem expectativa de amorosidade ou gentileza na primeira situação, pois não há perspectiva de acontecer um segundo encontro, de o comportamento ser avaliado por aquela pessoa que se aproxima ou por outras que você conhece e reputa valor. Já na situação do ponto de ônibus, em que há conhecidos, a autocrítica é reforçada pela crítica do todo, pois a possibilidade de encontrar, em outras vezes, aquelas pessoas é enorme. Isso vai condicionar o comportamento de cada um de nós. Ou seja, nós temos virtudes, mas as circunstâncias podem acabar com elas. Virtude, em termos humanos, não é algo invariante, é algo que depende sempre das circunstâncias. Não há ser humano imune a elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comportamento sugerido em Yoga é lidar com as circunstâncias. Por saber que somos seres humanos e que as circunstâncias vão alterar o comportamento e que, sendo humanos, devemos cultivar o bem, tratamos simultaneamente essas duas dificuldades: cultivamos a virtude e administramos o nosso comportamento nas circunstâncias. Afinal, ninguém nasce virtuoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como criar então o nosso próprio código de ética? Escolha as virtudes, tenha por princípio a moralidade e como bússola da moralidade o bem do outro, com o qual você convive, e assim administre o seu cotidiano, e forme seus hábitos virtuosos. Não basta ter a compreensão do que é a virtude. Temos que, ao mesmo tempo, ter a compreensão e administrar as circunstâncias. Virtude só tem sentido se houver administração das circunstâncias, caso contrário, a virtude será solapada pelas circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio Patanjali sugere uma base, que são os controles: não à violência que ofende a vida, não à mentira, não roubar, o controle de sexualidade e o controle da cobiça e da inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é apenas o básico. Alem desses controles, Patanjali enfatiza a importância de se estimular alguns hábitos virtuosos, que também precisam ser administrados. São cinco esses estímulos: à pureza (de pensamentos, propósitos, sentimentos e da higiene), ao contentamento (com o que já se tem, com o que já se é), à persistência (perseverar na ética, na pureza, no contentamento...), conhecimento (tanto autoconhecimento quanto conhecer onde se está) e à aceitação da vida como ela é ("Ishvara Pranidhana", render-se à vontade divina, entregar-se à vida).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contentamento levanta uma antiga discussão filosófica. Para os gregos, a felicidade era uma tristeza porque era o desejo de algo que não se tem e que, portanto, ao se obter, já não se desejaria, e assim se passaria a desejar outra coisa que ainda não se tem. André Comte Sponville rebate: não é nada disso; é o contrário, é como os hinduístas dizem; felicidade é saborear o que você deseja e tem, é contentar-se (ficar contente) já com aquilo que você é. Ou seja, felicidade não é o cultivo da eterna falta, porque assim estaremos sempre insatisfeitos. Nós já temos a felicidade. Nós já somos, estamos vivos! Somos felizes quando desejamos aquilo que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cultivar, dia a dia, o contentamento e os hábitos que você considerar formadores das suas virtudes; administrar as circunstâncias que ameaçam as virtudes; entregar-se à vontade divina. Eis um bom caminho do meio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thadeu Martins&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7600937615575281350-5701554258961150435?l=thadeu-yoga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/feeds/5701554258961150435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7600937615575281350&amp;postID=5701554258961150435' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5701554258961150435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7600937615575281350/posts/default/5701554258961150435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thadeu-yoga.blogspot.com/2007/05/o-bem-o-mal-e-o-meio.html' title='O bem, o mal e o meio'/><author><name>Thadeu Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06686293670645195345</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
